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Com a bola toda

Encantadense Julia Daltoé Lordes renova contrato por dois anos com o Internacional

Créditos: Guilherme Rossini
Em campo: além da qualidade na batida da bola, Julia Daltoé Lordes é ambidestra - Adriano Fontes

Porto Alegre - Chamando a responsabilidade, foi assim que a jovem Julia Daltoé Lordes (17) saiu de Encantado para jogar em Chapecó, no Internacional e na Seleção Brasileira de base. No início deste ano, a jogadora que integra o grupo das Gurias Coloradas teve seu contrato renovado até o final de 2020. Jogando futebol desde os 6 anos, tendo se mudado para Santa Catarina aos 12, a atleta, ano após ano, vem concretizando o sonho de ser jogadora de futebol em um país onde, apesar de estar acontecendo o crescimento da modalidade no feminino, ainda existem muitas dificuldades para as meninas que tentam viver do esporte.

Atualmente, a meio campista do Internacional vem se destacando bastante não só no cenário regional, tendo sido vice-campeã do Gauchão Feminino, marcando até gol na final, como também nacionalmente, participando de competições no Brasil e no exterior, além de estar sendo convocada regularmente pela seleção de base do país. Com isso, após conversas com a diretoria do clube, a atleta acertou sua permanência por mais duas temporadas em Porto Alegre. "Já estávamos conversando desde o final do Gauchão, para fecharmos o contrato. Eu tinha outras propostas, mas ali eu me adaptei, pois a estrutura é muito boa, e também porque estou perto da minha família", explica Julia.

 

Qualidade que chama a atenção

Como uma atleta que vem se destacando no cenário do futebol feminino no Brasil e exterior, Julia tem vários jogos televisionados (algo raro no feminino) e vídeos com suas principais características. Duas delas chamam muito a atenção: a qualidade na cobrança de faltas e a habilidade em fazer praticamente todos os movimentos técnicos com as duas pernas. Os gols de falta são destaque na carreira da atleta, que chegou a marcar um na final do Gauchão do ano passado. A batida firme, com curva e ótima pontaria coloca as goleiras adversárias em apuros.

Já a sua ambidestria é algo raro, não só no futebol, independente de categoria, como na maioria dos esportes. Entre passes, dribles e chutes, ela confunde as adversárias, fazendo movimentos repletos de técnica sem diferenciar a perna utilizada. "Desde os 6 anos eu dava passe com as duas pernas, e depois que descobri que era ambidestra, não parei de treiná-las. Para mim, poder fazer qualquer coisa de forma igual com qualquer perna facilita muito, como dificulta para as adversárias, que não sabem para que lado vou ou como vou fazer os passes, dribles e chutes", enfatiza.

 

O primeiro passe

O início de Julia Daltoé Lordes no futebol teve o pontapé inicial no Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Quando a jovem foi levada ao local pelos pais, ela descobriu o que realmente gostava. Após alguns dias, a menina foi tirada do CTG e ingressou numa escolinha de futebol, para jogar com os meninos. E desde lá não parou mais. Com início no futsal, na escolinha do CFM, em Encantado, a jovem ficou até os 12 anos, quando foi para Chapecó fazer um teste na Chapecoense. "Eu sabia que haveria a possibilidade de sair de casa, de ficar longe da família. Após passar no teste, tive menos de uma semana para me mudar para Santa Catarina. Imagine eu, em um piscar de olhos, uma criança, sair de casa para ir morar longe da família para jogar na Chapecoense", diz Julia.

Jogando atualmente no futebol de campo, toda a base da atleta foi feita na quadra, no futsal. Foi somente em 2015 que a jogadora fez a transição do ginásio para o gramado. "Comecei no futsal e amo muito a modalidade. A maioria dos jogadores do campo saíram das quadras, pois é um esporte muito rápido e técnico, que ensina muitas habilidades. Quem me vê jogando, percebe que meus dribles, passes e chutes têm muito ainda do futsal", explica.

 

Chamando a responsabilidade

O sonho de qualquer jogador, ainda mais no futebol feminino, é chegar à Seleção Brasileira. Julia Daltoé Lordes já está há algum tempo vestindo a amarelinha das categoria de base, graças a um conselho de seu pai. "Foi um teste que eu fui fazer em Foz do Iguaçu, onde tinham umas 50 meninas, e antes do teste meu pais disse: chama a responsabilidade para você, para eles verem o quanto você é corajosa e tem condições de vestir a camisa da seleção. Eu gravei essa frase e na hora eu fiz vários gols e me destaquei, chamando a responsabilidade, fazendo o jogo sempre passar por mim. Então, o pessoal da Seleção Brasileira começou a me conhecer", conta.

Com isso, há dois anos a jogadora vem sendo convocada para a seleção sub-17, participando de vários torneios, como o Sul-americano e o Mundial, além de diversos amistosos por todo o mundo. "Jogar na seleção, eu nem tenho o que dizer, é o sonho de todas. Tenho como exemplos com a camisa amarela a Marta e a Formiga, pois estão levando não só a seleção, como o futebol brasileiro para o topo, por isso, tenho elas como minhas principais referências."

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