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Cebolinha quase caindo de maduro

Guilherme Rossini - Jornalista Esportivo [email protected]


Vinicius Júnior, 17 anos. Rodrygo, 17 anos. Arthur, 21 anos. Neymar Júnior, 21 anos. Everton Cebolinha, 23 anos. Veja só a comparação entre algumas das últimas grandes vendas de jogadores do futebol do Brasil para a Europa. Cada vez mais, os clubes europeus querem os brasileiros no início de suas carreiras, para poderem ser lapidados conforme pensam o modo perfeito de jogar futebol. Neymar, um dos maiores craques da história do Brasil, foi vendido em 2013 para o Barcelona quando tinha 21 anos, o mesmo caso de Arthur, em 2018. Já Vinícius Júnior e Rodrigo, antes mesmo da maioridade, já eram jogadores do Real Madrid.
Esse é o principal problema de Cebolinha, a idade. Tudo bem que o presidente Romildo Bolzan Júnior acha que tem o novo Ronaldinho em mãos, no entanto, ele também não está errado em querer valorizar seu atleta. Porém, iniciar as negociações em 40 milhões de euros, por um jogador que nunca pisou na Europa, chega a ser uma afronta aos empresários com transito livre pelo mundo.
Everton Cebolinha foi muito bem na Copa América, apesar do baixíssimo nível da competição, mas ao vê-lo jogar, tenho a impressão que falta algo. Ele tem velocidade, drible e boa conclusão a gol. No entanto, não parece o bastante para jogar na Europa. Talvez, os analistas de fora do país pensem da mesma forma.

Sem propostas

A verdade é que sim, o estafe do Grêmio e do jogador receberam propostas. A melhor delas foi dos chineses do Beijing Guoan, que ofereceram 45 milhões de euros (R$ 200 milhões). No entanto, foi recusada, pois, com razão, o atleta não quer fazer esse "negócio da China", e se esconder no outro lado do mundo. Outra proposta ventilada nos bastidores do Tricolor teria sido do Atlético de Madrid, que teria oferecido 35 milhões de euros (R$147 milhões). Esportivamente, o clube era perfeito para o atacante, porém, ao que tudo indica, Romildo Bolzan Jr. Não ouve propostas inferiores aos 40 milhões de euros bradados por ele.
Por isso, o atacante não tem propostas. Apesar do interesse inicial de Bayern, Manchester City, Arsenal e Milan, não houve iniciativa dos times, devido a sua idade e o alto valor por uma aposta sem tempo para desabrochar. É isso. O mercado europeu entende que, se ele não der certo na primeira temporada, não haverá tempo para o desenvolvimento de um atleta com características enraizadas em seu futebol. Por isso, se o presidente do Grêmio não baixar a pedida, o produto Cebolinha deve cair de maduro, como aconteceu com outro produto Tricolor, Luan.


Guilherme Rossini

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