Mulheres que transformam 2019

Luiza Inelbi Hirt

Acolher para integrar

Créditos: Kassieli dos Santos
- Natália Richter

Com o dom de cuidar de pessoas e o desejo de alcançar vidas por meio do acolhimento, Luiza Inelbi Hirt (68) dedica-se às atividades religiosas da Comunidade Santo Expedito e Núcleo Bom Pastor. Em sua jornada de vida, dedicou-se a atos de solidariedade na comunidade, ao cuidado de familiares enfermos e a compartilhar o talento musical durante as missas e celebrações. Ela abdica de si mesma em prol dos demais.

Viver em comunidade

Ela ministra aulas de catequese, recebe em sua casa crianças e adultos das turmas atendidas, cedendo o espaço por amor à comunidade. Luiza tem o dom natural para doar-se em torno de causas com crianças e no âmbito religioso. Como ministra, visita às famílias do bairro, leva eucaristia a pessoas doentes e busca mobilizar moradores a participarem das atividades da comunidade. "As pessoas precisam ser acolhidas, eu gosto muito de fazer isso. Gostaria de poder alcançar mais pessoas". Realiza a animação na comunidade Santo Expedito e há 20 anos no Núcleo Bom Pastor. Com violão e voz participa das celebrações. Como boa anfitriã, recebe com alegria as pessoas em sua casa e é conhecida na comunidade e referência pelo envolvimento. Viu a comunidade desenvolver-se. Moradora há 43 anos do Bom Pastor, foi uma das primeiras a se mudar para o bairro. Coordena o Núcleo Bom Pastor há mais de 20 anos, trazendo à comunidade informações e atuando na organização de eventos.

Amor ao próximo

Ela busca aperfeiçoamento por meio de cursos, para isso participa de encontros de formação dos agentes do Batismo das Comarcas de Lajeado e Arroio do Meio, no centro Pastoral da Matriz. "Estou me preparando para visitar as mulheres grávidas, a igreja está mudando". Conforme ela, a capacitação é necessária para desenvolver conhecimentos de como orientar e abordar as famílias atendidas. Além disso, ela fala da importância de auxiliar mães e padrinhos, dando às pessoas melhor consciência do que é o batismo. Luiza já atuou voluntariamente na coleta de roupas e promoção de brechós que tinham o valor arrecadado revertido em um almoço especial, no final do ano, para crianças carentes da Comunidade São José Operário. "É muito importante ajudar as pessoas, eu sempre gostei". Luiza ressalta a importância da espiritualidade para o equilíbrio do ser humano, sendo necessário conciliar com a busca pelo material, que tem se destacado no dia a dia da sociedade. "Quando você se doa para cuidar de um irmão, você também recebe de volta esse bem. Quando morrermos não levaremos nada material". Ela cuidou da sogra que já não tinha mais os movimentos, por mais de três anos. Conciliava tudo com o cuidado com as três filhas pequenas. Durante 24 anos, também cuidou da mãe que sofria de depressão e também conviveu com o alzheimer nos últimos dias de vida. Lembra com carinho do sogro e do pai a quem também prestou assistência e com generosidade cita pessoas envolvidas nesse cuidado, como familiares e uma funcionária. "Você recebe apoio de todos em comunidade. Ao cuidar de pessoas doentes sem apoio você desmorona, não consegue levar adiante." O envolvimento religioso sempre lhe deu forças na jornada. Para ela, é muito importante viver em grupo. "Estar em comunidade te ajuda e pensando sempre em Deus, consegue forças. Ninguém vive sozinho".

Esperança

O violão que ganhou do esposo acompanha Luiza em suas canções há 42 anos. Da sua jornada com a música guarda algumas histórias que conta com prazer. "Sempre gostei do violão, meu tio tocava e meu irmão também. Comprou uma viola e me ensinou". Natural de Nova Bréscia, aos 18 anos veio para Lajeado e com seu primeiro salário comprou um violão e um rádio, conta sorrindo. Conforme ela, o trabalho solitário tornou-se mais alegre. Começou a trabalhar aos 13 anos como doméstica e envolveu-se no cuidado de crianças. Vinda de uma família religiosa, desde cedo participou das atividades da igreja. "Minha mãe era do apostolado e pediu que eu ficasse como zeladora na capelinha". Em 2005, Luiza tornou-se ministra, concilia a atividade nas missas com a tarefa de celebrar, cantar e tocar violão. Ela tem o desejo de passar o conhecimento adiante, fazendo com que outros jovens se sintam motivados a participar das celebrações, porém relata a dificuldade de envolver os mais novos nesta missão. "Eu queria muito formar um grupo de jovens cantores, que toquem instrumentos, tenho esperança que em um momento surgirá alguém interessado". 

 "Quando você se doa para cuidar de um irmão, você também recebe de volta esse bem".

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