Mulheres que transformam 2019

Maria Suely Pochmann

Uma vida dedicada à cultura

Créditos: Kassieli dos Santos
Por reconhecer a importância da cultura na formação do cidadão, ela dedicou-se a propagar esse bem durante toda sua vida

Por reconhecer a importância da cultura na formação do cidadão, ela dedicou-se a propagar esse bem durante toda sua vida. Conheceu renomados artistas do cinema, teatro e televisão. Realizou-se como mãe, professora e em seu trabalho na educação cultural. Hoje, Maria Suely Pochmann (81) passa adiante os conhecimentos e a paixão por meio de sua participação ativa na comunidade em âmbitos sociais. 

Desenvolvendo vínculos com a cultura
Durante 30 anos Suely residiu no munícipio de Estrela, trabalhou na Delegacia Regional de Educação, onde passou por diversos setores. Contudo, sua atuação no setor de cultura foi significativamente importante para o início de uma história de vida marcada pelo envolvimento com a cultura. "Fui muito feliz em Estrela, meu trabalho me realizou muito". Desenvolveu suas habilidades de articulação com a arte ao realizar a execução dos programas culturais projetados pela secretaria de Educação, em oito municípios da região do Vale do Taquari. Depois de aposentada, em 1981, esteve durante quatro anos como diretora da Casa de Cultura de Lajeado. "Deixamos muitos rastros bonitos". Desenvolveu um vínculo de amizade duradouro com os colegas da Casa de Cultura de Lajeado, com os quais mantém reuniões sociais. Através de jantares e encontros revive os bons momentos e mantém o espírito jovial com que encara a vida. Como uma mulher engajada com a cultura e em causas que acredita ser importantes para a sociedade, ressalta a importância de falar sobre política e pensar sobre a distribuição dos bens culturais do país. "O único bem que podemos distribuir é o conhecimento. É o bem maior que temos, e se esse for distribuído a todos de forma igualitária, com certeza teríamos um mundo melhor".

Engajada da comunidade 
Ela acredita na ressocialização dos detentos. Dedica-se a demonstrar o amor ao próximo, sem discriminações. Participa do Conselho da Comunidade na Execução Penal da Comarca de Arroio do Meio, onde já atuou como vice-presidente e foi colaboradora para retomada do trabalho. No grupo ela atua de forma comprometida com a garantia dos Direitos Humanos no sistema prisional. Dentre os projetos desenvolvidos destaca a horta, produzida pelos detentos, que abastece a refeição de escolas da Educação Infantil da comunidade. "Eles são pessoas como nós. As pessoas discriminam porque não têm um filho preso, já conheci pessoas nesta situação". Se preocupa com o bem-estar e provê desde pequenas necessidades para o dia a dia dos detentos. Suely também atua no Núcleo de Cultura de Arroio do Meio como representante da comunidade. Há 20 anos exerce o trabalho na entidade atendendo as manifestações artísticas e culturais do município mantendo apoio direto há 12 grupos de atividades permanentes, como grupos de danças folclóricas, teatro, CTG e corais. "Em termos de cultura somos autossuficientes". 

Habilidades e paixões
Como uma apreciadora de livros e filmes, Suely também já foi revisora de obras literárias do escritor Gino Ferri. Formada em Pedagogia e pós-graduada em Métodos e Técnicas de Ensino, lecionou para turmas da Educação Infantil e Ensino Fundamental e atuou como diretora, porém foi fascinada pelo mundo da cultura. "A arte traz alegria, eleva o espírito humano, transforma as coisas". Amante da arte e com uma visão voltada à educação, atuou como coordenadora de uma exposição itinerante de quadros, realizada em parceria com a artista plástica uruguaia, Maria Elena Molinari. "Tinha o interesse de que as pessoas conhecessem a arte diferenciada dela. A exposição esteve em locais como o Memorial JK, Salão Negro do Congresso Nacional e escolas".  Na organização de eventos conheceu artistas do cinema, teatro e televisão. Destaca a amizade com o artista Paulo Autran, com quem trocou correspondências e esteve junto da artista Eva Wilma. No dia a dia Suely também se envolve com a paixão pelo meio ambiente, cultiva plantas medicinais, temperos e árvores frutíferas e é uma grande incentivadora do estilo de vida saudável.

Família
Natural de Arroio do Meio, viveu a juventude em Soledade e aos 20 anos retornou à região do Vale do Taquari. Conciliou o dia a dia agitado da profissão que requeria envolvimento até mesmo em finais de semana com a vida familiar, e costumava compartilhar com os filhos o gosto pela leitura com a contação de histórias. "Meus filhos são meu maior tesouro". Hoje, direciona seu cuidado como avó e bisavó. "Eu ajudo a cuidar dos gatinhos da Clara". Conhecida na comunidade como Suica, gosta de relacionar-se com todos, conquista amigos com sua amabilidade e se interessa por ouvir a história de vida das pessoas. "O apelido é uma criação do meu neto Cristian, que viveu uma fase em que fazia muitas rimas". Demonstra sua dedicação à família, fala com carinho e orgulho da irmã caçula, Rita Helena Pochmann Horn. Retornou a Arroio do Meio para cuidar do pai. "A coragem e a generosidade andam juntas. As cidades são semelhantes e a diferença está nas pessoas". Devido a experiência com a promoção de eventos culturais, desenvolve a comunicação e relacionamento interpessoal de forma natural. Quem a conhece logo é cativado por sua generosidade. O que relaciona à sua criação em um ambiente de cumplicidade e amor. "Tive um pai exemplar no cuidado com a família. Ele tratava minha mãe como uma flor. Foram bons pais". 

(Foto: Lidiane Mallmann)

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