Mulheres que Transformam

Leda Poletto

Às crianças, todo o amor de um coração

Créditos: Fernanda Mallmann
- Lidiane Mallmann

Na última quarta-feira à noite, a Associação de Menores de Arroio do Meio (Amam) recebia mais duas crianças, por determinação de ordem judicial, para serem abrigados - dois irmãos abandonados pela mãe e que sofriam negligência do pai. Na quinta-feira à tarde, Leda Poletto (72), presidente da entidade, estava ao lado delas para saber como estavam. O menino mais novo tinha marcas nas pernas quando deu entrada no abrigo. Havia apanhado de cinto por quem deveria lhe dar amor.
- Ainda está doendo, tu já tomaste teu remédio hoje?
E os olhos do menino se encheram de lágrimas, como resposta.
É preciso ter muito coração e, ao mesmo tempo, ser muito forte para aguentar realidades tão duras. Leda consegue e, mais do que isso, ama o que faz. Hoje, a Amam acolhe 18 crianças - de zero a 18 anos - que moram no abrigo. Lá elas permanecem até que a Justiça determine que sejam encaminhadas para algum familiar ou adotadas. Além disso, a entidade atende outras 85 crianças - de 5 a 14 anos - no contraturmo à escola. Lá elas fazem aulas de reforço escolar, de artesanato, de educação física, recebem alimentação e muito carinho.

Leda esteve à frente da Amam em três oportunidades: de 1990 até 1991; de 1999 até 2000; e de 2011 até agora, sendo sempre reeleita para o cargo de presidente nestes últimos anos. Na entidade, também já ocupou outras funções, como secretária ou membro da diretoria. Por que uma senhora de 72 anos, mãe de dois filhos e avó de dois netos faz tudo isso? "Porque a Amam me deu muitas amizades, reconhecimento e muito amor. A pessoa muda quando ela passa por aqui. Tu achas que és dócil, mas sempre aprendes a ser mais com as crianças. Elas têm um olhar, elas têm um tipo de amor diferente...", que deixam Leda sem palavras.

Trabalho em equipe
Embora esteja há mais de dez anos como presidente da Amam, Leda credita o sucesso do trabalho da entidade à toda equipe de colaboradores. O abrigo tem oito monitoras e os contraturnos contam com oito funcionárias. Tudo sob a presidência dela.
A vocação para o trabalho comunitário e voluntário foi adquirido ao longo dos anos. Professora de formação, Leda lecionou em escola municipal, trabalhou na Secretária de Educação e foi secretária de Saúde em Arroio do Meio por duas gestões. Também trabalhou na secretaria do Clube Esportivo e assumiu, por alguns anos, uma empresa familiar. Tudo lhe deu algum tipo de bagagem. "Sempre precisamos pensar no trabalho em equipe. Ninguém faz nada sozinho", salienta.

Reconhecimento
Quando perguntada sobre como gostaria de ver a Amam, Leda diz que, antes de pedir algo, é preciso agradecer. Ela lembra do Poder Judiciário, Prefeitura, comunidade, empresas, indústrias e entidades que amparam a entidade. Também há aquelas pessoas comuns que auxiliam mensalmente com dinheiro, com doações ou fazendo uma festa de aniversário para as crianças, por exemplo. "Aqui, com toda ajuda que recebemos, nós já sonhamos e concretizamos muitas coisas", orgulha-se.

Mas, como sempre há o que melhorar, um sonho de Leda é ver uma área ao ar livre do abrigo, fechada. Nos dias frios e chuvosos, isso impede as crianças, especialmente as abrigadas, que brinquem por lá. O abrigo também tem uma interna que é cadeirante. Então, a preocupação é fazer uma cobertura do caminho por onde ela passa até chegar à escola, que fica ao lado da entidade. São melhorias pequenas, mas que vão tornar melhor a vida de gente pequena, que já experimentou dias bastante difíceis.

Segunda família
Leda costuma dizer que a Amam - a entidade tem 48 anos - mudou a vida de muita gente. Mas transformou a dela, especialmente. "Eu me preocupo muito com tudo o que acontece aqui, com as crianças. Criança precisa de carinho, não podemos deixar faltar nada. Esta é a minha segunda família."

Se fosse começar tudo de novo, Leda não tem dúvidas que se dedicaria à Amam novamente: "Se eu tivesse saúde e menos idade, faria tudo por aqui de novo. Eu peço a Deus que me ajude porque, enquanto der, vou ficar na Amam", diz Leda, que aprendeu com as crianças um tipo de amor diferente, exclusivo aos pequenos puros de coração.

"A Amam me deu muitas amizades, reconhecimento e muito amor. A pessoa muda quando ela passa por aqui. Tu achas que és dócil, mas sempre aprende a ser mais com as crianças. Elas têm um olhar, elas têm um tipo de amor diferente."

 

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