Mulheres que Transformam

Raquel Schmidt

Da doença fez-se uma lição de vida

Créditos: Fernanda Mallmann
- Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - A Raquel Schmidt (41) de hoje é muito diferente da Raquel Schmidt de dois anos atrás. Por dentro e por fora. O cabelo liso, por exemplo, agora é completamente cacheado. Mas, essa mudança radical nas madeixas, é muito pequena se comparada ao que Raquel mudou por dentro.

Em julho de 2016, no banho, a analista de Recursos Humanos percebeu um carocinho na mama esquerda. O diagnóstico foi aquele que nenhuma mulher quer ouvir: aos 39 anos, Raquel tinha um tumor maligno. Como descobriu o câncer bastante cedo, a indicação foi pela quimioterapia. Mas as sessões não estavam demonstrando sucesso. Ela precisou fazer mastectomia - retirou toda a mama esquerda em março de 2017.

Foi em meio a essa turbulência que Raquel conheceu a Liga Feminina de Combate ao Câncer. Foram outras mulheres, que também já haviam passado pela experiência da doença, que ajudaram a lhe dar o ânimo necessário para seguir em frente. Hoje, dois anos depois, ela está do outro lado. Raquel está curada e é parceira da Liga. Ajuda nas ações voluntárias e faz o que ela considera ainda mais importante: fala sobre o câncer. Voluntária da vida, ela conta sua experiência a outras mulheres doentes, vai a empresas, participa de programas de rádio e já foi, inclusive, capa do calendário da Liga. Para Raquel, quanto mais se abordar esse tema, mais prevenção vai haver e menos mulheres vão morrer.

 

Por que comigo?

Quando ouviu do médico o diagnóstico de câncer de mama, começaram os porquês. "Eu me perguntava: o que eu fiz de errado?" Essa resposta nunca veio. "Eu percebi que, ou eu me queixava, ou eu seguia em frente".

Raquel decidiu seguir em frente, mas não foi fácil. Não bastasse a sua doença, nesse período ela ainda acompanhou o sofrimento da mãe, que morreu de câncer em julho do ano passado. "A mãe estava de cama, em casa, e eu fazendo quimioterapia. Com a imunidade baixa, nem sempre eu podia vê-la. Foi muito difícil", recorda.

Para dar a volta por cima, o apoio veio de muita gente do bem. Raquel procurou ajuda psicológica, mas na força da família, na fé em Deus, na parceria da empresa onde atua - mesmo durante a quimioterapia, Raquel fez questão de continuar trabalhando -, na amizade de colegas e de pessoas queridas, que ela encontrou aquele gás necessário para tocar a vida. "Eu ganhei amigos e isso não tem preço", afirma Raquel, que superou faz muito a fase do porquês.

 

Porto seguro

A família foi e continua sendo o porto seguro de Raquel, que nasceu em Travesseiro e que mora e Lajeado. Quando perdeu o cabelo por causa da quimioterapia, o marido Enrique raspou o cabelo também.

Mas da pequena Natália, a filha de 7 anos, que veio o maior amor do mundo. "A Natália, quando pequena, tinha cabelos cacheados. Agora eles alisaram. Quando o meu cabelo, depois da quimioterapia, nasceu com cachos, ela me disse: 'Mamãe, os meus cachinhos foram para ti, né?' Como não curar qualquer tristeza com tanto carinho assim?"

 

As lições

Pode parecer contraditório, mas hoje Raquel é grata - não à doença - mas às lições que tirou dela. "Minha vida mudou para melhor", diz, convicta. Mudou a alimentação, hoje os exercícios fazem parte da rotina e o valor das coisas é outro. "Sempre que posso, hoje, priorizo ficar com minha família. Hoje, uma viagem vale mais para mim que uma casa nova. Eu penso assim: eu consegui sobreviver, preciso fazer isso por mim."

A ajuda que recebeu também despertou a vontade de auxiliar. Raquel sensibiliza-se com as mulheres que não têm convênio de saúde e condições financeiras de fazer o tratamento. Também com aquelas que perdem a força de lutar contra o câncer. "Por isso que eu gosto de falar sobre a doença, quero ajudar quem está passando pelo que eu passei. Quero auxiliar, acho que é disso que o mundo precisa", analisa, coberta de razão.

 

Toquem-se, mulheres

Se pudesse dar um conselho às mulheres sãs, seria: toquem-se. Foi assim que Raquel descobriu um tumor ainda em estágio inicial e com possibilidade de cura.
Para aquelas que precisaram tirar a mama - como ela - recomenda que lutem para reconstruí-la. Raquel colocou prótese e, no início de agosto, fez a reconstrução do bico do seio. "Precisamos fazer isso para nos sentirmos mulheres", diz Raquel, que, vaidosa, mesmo durante o tratamento contra doença sempre se maquiava e apostava nos lenços coloridos ou perucas. Além disso, ela garante que nunca deixou de sorrir. Feminilidade e bom humor também foram suas receitas para demonstrar toda disposição que tinha para a vida.

 

 

 

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