Mulheres que Transformam

Gicelda Muller

Ela tem 75 anos, foi professora e atua em entidades de Lajeado

Créditos: Naiâne Jagnow
- Lidiane Mallmann

Lajeado - A imensa alegria em servir, transformar a vida das pessoas e ajudar a comunidade. Esse é o lema de Gicelda Müller (75), que sempre atuou em muitas frentes. Com o marido, ela integrou por 26 anos o Lions Florestal, onde foram muitos os trabalhos comunitários. Como professora, lecionou no Colégio Estadual Presidente Castelo Branco por 25 anos. Mas foi à União Lajeadense de Clubes de Mães que ela direcionou toda a sua dedicação. O trabalho voluntário com as mães começou em 1972. Por dez anos, presidiu da ULCM - de 1997 a 2007. Hoje ela está à frente do Clube de Mães do Castelinho.

Dona Gicelda distribui sorrisos. O alto astral é uma das suas maiores qualidades. Foi assim que ela resolveu servir à sociedade: com alegria. "Sempre ajudei com muito prazer. A ideia do clube de mães surgiu porque havia mulheres que trabalhavam muito dentro de casa. Nós queríamos que elas tivessem um tempo para si e que investissem mais nelas."  

Assim começou o desafio de levar artesanato, palestras, músicas e outras atividades para as senhoras de todos os cantos de Lajeado. "A gente ia de manhã, voltava de tarde. Sempre com dois carros", lembra, entre sorrisos. Dona Gicelda, como os demais fundadores dos clubes de mães, passou por muitas dificuldades. "Sempre foi um trabalho voluntário e, muitas vezes, usávamos os nossos recursos. Por exemplo, o carro. Em anos anteriores, as estradas não eram asfaltadas. Era bastante difícil, mas a gente, com muito amor, queria o bem dessas mulheres e desejava que elas aprendessem coisas novas."


Pintar, bordar e ensinar
Na casa de dona Gicelda, a história da ULCM está toda documentada. São papéis e fotos de clubes de mães de vários bairros de Lajeado. Tudo guardado com cuidado e carinho. "Eu tenho toda as relações de presidentes", disse mostrando o papel em que anotou o nome de todas, desde 1972 até a atual, Marlise Becker.

Nas paredes, muitos quadros. "Que eu mesma fiz", conta, orgulhosa. O dom da pintura em tela com tinta a óleo, em tecido e bordados ela também fez questão de repassar. "Eu ensinei muito no Clube de Mães. E tudo o que elas aprenderam ajudou de alguma forma. Teve as que fizeram do artesanato uma maneira de complementar a renda da família. Fico muito feliz quando vejo um trabalho de alguém que já teve aula comigo."


Atuação como presidente
Entre 1997 e 2007, quando presidente da ULCM, Gicelda Muller ficou conhecida por sempre estar para lá e para cá, de caminhão. "Na época, Lajeado tinha uns 20 clubes e eu visitava todos os meses e via o que elas precisavam." Assim, ela conversava com políticos, familiares, vizinhos e corria atrás do que necessitavam. "Eu pegava o caminhãozinho da prefeitura e levava o material que precisavam. Aqui no prédio, quando meus amigos não queriam mais uma pia, eu pedia. Daí vinha um caminhãozinho aqui na frente, que pegava e já levava", conta. Assim, todos os clubes foram presenteados com a doação de mesas, cadeiras e outros utensílios. "Quando minha mãe faleceu, eu os retirei da casa e distruibui para os clubes de mães. Uma cortina levei para o Olarias, outra cortina levei para outro clube. E assim, fui montando nos lugares. Até hoje eu chego e vejo os objetos da minha mãe", diz ela, secando a lágrima que escapa entre as lembranças.

A dedicação era tão grande quanto Lajeado exigia. E olha que as então localidades como Santa Clara do Sul e Sério ainda eram distritos.  "Eu falava para as mulheres: 'Vocês precisam se reunir. Façam um chá, apliquem esse dinheiro em vocês.' Eu dei a ideia de viajar. Um grupo, se eu não me engano de Progresso, resolveu ir para a praia. Nunca esqueço de quando voltaram. Uma vovozinha veio, chorando, dizer que estava muito feliz de ter conhecido o mar. E que se assustou pela água ser salgada." Histórias como essas marcaram dona Gicelda. Ela e as muitas mulheres que, sob seu exemplo, descobriram um mundo além da porta de casa.

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