Mulheres que Transformam

Neusa Reckziegel

Cantar a vida com amor e gratidão

Créditos: Rita de Cássia
- Lidiane Mallmann

É assim que a professora aposentada Neusa Reckziegel (73) escolheu seguir sua jornada. Inspirada pela bondade da mãe e da avó, e incentivada pelo esposo Inácio, filhos e netos, ela embala seus dias pelos acordes do violão e gestos solidários. Ela nasceu em Lajeado, em 20 de outubro 1944, e cresceu no Centro, no conhecido Bairro Praia. As lembranças remetem à amizade dos vizinhos. "Eu morava numa rua em que todos se conheciam. Era tão lindo isso", recorda. Estudou no Colégio Madre Bárbara, onde também foi interna e aprendeu trabalhos manuais. Formou-se em 1963, deu aulas no interior e depois no Colégio Moisés Cândido Veloso, no Bairro Hidráulica, em Lajeado.

"Houve uma época em que trabalhei com uma turma muito grande e com problemas de aprendizagem. Pensei em desistir, mas segui em frente. Para minha satisfação, depois de muito esforço e trabalho, tive a grata surpresa de conseguir alfabetizá-los. Foi minha realização", recorda. Superado o desafio, nada mais parou dona Neusa. "Eu nunca mais achei nada difícil." Os últimos 13 anos de magistério as atividades foram Colégio Estadual Presidente Castelo Branco.

Família
Neusa casou-se em 1967, com Inácio Reckziegel, e formou uma bela família, com os filhos - Paulo Cesar, Rodrigo, Rafael e Ana Cristina - e os netos Leonardo, Guilherme, Maia, Geovana, Pedro e Arthus. "Meu marido é muito parceiro e me apoia em tudo o que faço. Adoro meus filhos e netos. Adoro casa cheia. É minha maior riqueza", afirma. A cumplicidade faz parte do dia a dia do casal de maneira ainda mais forte depois que os filhos saíram de casa. "Eu gosto de levantar cedo e tomar um mate doce com meu companheirão, com quem estou casada há 51 anos. Isso aproxima a gente", reforça.

Música
Neusa acredita que a vida é tão bonita que não pode ser desperdiçada. E fica ainda melhor com música. Por isso, desde os tempos em que atuava em sala de aula, a professora aposentada já cantava com os alunos. Mas foi na aposentadoria que aprendeu de fato a tocar violão. Encontrou um grupo de amigas com o mesmo propósito e passaram a tocar nas casas de pes­soas doentes, hospitais ou onde alguém chamar. "Hoje, isso ainda acontece. É muito gratificante."

Ensinar a pescar
Todas as segundas-feiras, dona Neusa segue com as irmãs do Colégio Madre Bárbara rumo ao Bairro Santo Antônio, onde as religiosas realizam o projeto Vida em Construção. "Ensinamos tricô, crochê e outros trabalhos manuais para mulheres da comunidade. A nossa preocupação maior é, além de ensinar, melhorar a autoestima das pessoas. E as mudanças são visíveis. O maior bem que podemos fazer é ajudar os outros. E faço de coração." Entre as principais lições que dona Neusa ensina e também aprende é que deve-se procurar viver bem o dia de hoje. E mais: "Nunca se arrepender do bem que se faz".

Aposentadoria e solidariedade
Se para alguns a aposentadoria representa descansar mais, para dona Neusa é bem diferente. Foi depois de encerrar as atividades profissionais - ela, que sempre envolveu-se com trabalho voluntário - que passou a atuar de forma ainda mais intensa em vários grupos. E a musicalidade se mistura às incontáveis ações voluntárias, seja ensinando tricô e crochê no projeto Vida em Construção, tocando violão - em missas, no Apostolado da Oração, no presídio e em velórios - ou tricotando mantas e roupinhas para as Tricoteiras do Bem. O grupo faz doações para as Amigas do Hospital Bruno Born (HBB) repassarem a pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Ajudar alguém faz mais bem para nós mesmos do que para a pessoa que ajudamos." Segundo dona Neusa - que toda a segunda quinta-feira do mês também participa de celebrações na Vovolar -, não há lugar que permaneça triste com uma bela canção. "A música é uma das coisas que mais ajudam as pessoas. Sempre chego antes e já começo a cantar com as vovós. Elas adoram."

 

 

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