Mulheres que Transformam

Rita Basso

Caridade e doçura

Créditos: Rita de Cássia
- Lidiane Mallmann

Ela é a doçura em pessoa. Mas também é corajosa e tem um coração repleto de bondade. Dona Rita Basso (89) é querida pela vizinhança do Bairro Florestal, em Lajeado, amada pela família e figura forte na comunidade da Paróquia Santo Inácio. Não é por acaso que acaba ser eleita a avó do ano do Chá da Vovó. O jeito tímido esconde, vez ou outra, o belo sorriso de quem sente a paz por fazer o bem. Integrante do Setor da Caridade da Matriz do Centro há mais de 40 anos, não sente-se orgulhosa por seus feitos, mas recebe a recompensa no olhar de gratidão de quem recebe a ajuda.

Rita Basso nasceu em 22 de março de 1929, em Arroio do Meio, onde estudou até o quinto ano do primário. Já em Lajeado, no Bairro Carneiros, onde a família viveu por alguns anos, recebeu o convite para dar aulas em uma escola particular. Foi o primeiro emprego dela aos 17 anos. "Mais tarde, fiz concurso municipal, mas não cheguei a atuar", lembra.

Depois da sala de aula, Rita, trabalhou durante nove anos na empresa Souza Cruz, onde foi secretária e setor de pessoal. Era responsável pelos testes para contratação de funcionários. Foi nesta época em que conheceu o esposo Ivo Basso. "Um dia chegou aquele moço charmoso e foi contratado", recorda. Ela lembra também que os rapazes do setor tinham a incumbência de carregar as máquinas de escrever e levar às mesas das secretárias, sempre que necessário. "Um belo dia, ele trouxe a máquina e, junto dela, uma cartinha romântica. Então começamos a conversar."

O namoro demorou para acontecer, mas foi tão especial se transformou em um lindo casamento em 1962. O casal foi transferido por alguns anos para Blumenau - devido ao trabalho dele - e, quando retornou, a família estava formada com os três filhos: Verônica, Luis Henrique e Virgínia. E completa mais tarde com dois netos Marcela e Pedro; e uma bisneta Maria Eduarda.

Paz na alma
A vovó do ano 2018 permanece ligada ao trabalho voluntário de uma vida, assim como ao crochê. Ela também conta com a companhia da filha mais nova, a nutricionista Virgínia Basso - que deixou a capital do Estado, onde vivia por mais de dez anos, para estar mais perto da mãe e auxiliar no que é preciso. Na residência da família, elas compartilham lembranças, visitas de amigas e familiares, um bom chá e a companhia do faceiro Kiko, o felizardo cachorro adotado por elas.

Caridade
Depois que o esposo Ivo Basso faleceu, em 1976, Rita ministrava catequese na Escola Estadual Irmã Branca. No ano seguinte, veio o convite para colaborar com o setor da caridade da Paróquia Santo Inácio de Loyola - responsável por arrecadar e distribuir agasalhos e alimentos às famílias carentes. "Comecei ajudando a selecionar as roupas coletadas com doações e assim continuo até hoje."

Olhar solidário
Com o passar dos anos, a idade e o crescimento populacional acabaram restringindo as visitas às casas das famílias, algo que ela gostava bastante de fazer. Houve um tempo em que dona Rita e outras companheiras do grupo passavam de casa em casa. "A partir do nosso cadastro, fazíamos visitas às residências e conhecíamos todos da família." Primeiro na orla do Rio Taquari e depois no Bairro Santo Antônio, para onde as pessoas foram deslocadas pela prefeitura por causa da enchente. "Eu ia lá com minha Variant e, quando necessário, carregava móveis e utensílios doados.

Quanto mais ajudamos as pessoas, mais felizes nos sentimos." Houve um tempo em ela também que ensinava as mulheres a costurar, fazer crochê e outras atividades, como forma de incentivo ao aprendizado e a uma profissão. O cadastro chegou a registrar 90 famílias. Depois, a assistência foi dividida com as outras paróquias. Hoje, são em torno de 35 famílias atendidas. "Elas recebem feijão, arroz, açúcar, farinha, bolacha e outros mantimentos frutos de doações e do valor arrecadado com os brechós."

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