Colunistas

Leopoldo Sulzbach, 47

Nara T. Knaack escritora e professora


Meu amigo, este endereço fica logo ali, onde permanecem minhas lembranças, minha saudade e parte de minha vida. Lá cheguei muito criança, cresci, vivi minha adolescência e saí para construir minha própria família. Foi um tempo de muitas descobertas, alegria e também de dor. Meu amigo, este endereço fica logo ali, onde permanecem minhas lembranças, minha saudade e parte de minha vida. Lá cheguei muito criança, cresci, vivi minha adolescência e saí para construir minha própria família. Foi um tempo de muitas descobertas, alegria e também de dor. Cresci amparada no amor, na fé, no respeito e naquilo que era o certo.  Se não correspondíamos, havia o castigo novo.

A gente sofria quando recebíamos este castigo! Tinhas que deixar de fazer aqui que gostávamos muito.A casa ficava no meio de dois terrenos. Em um deles era plantado tudo que é tipo de verduras e moranguinhos. Eram impecáveis! O outro terreno era só de frutas, um lindo pomar! Ai, meu Deus, quanta delicia! Tudo sem agrotóxicos, direto da fonte. Mas o tempo foi passando e vieram outras prioridades. De repente, a horta sumiu e nela frutas foram plantadas; um grande gramado surgiu e, no lugar do pomar, uma casa foi construída. O tempo vai passando e ele vai exigindo mudanças radicais. Hoje minha morada é outra e a velha casa foi totalmente transformada em um local de encontros agradáveis, com bons petiscos, mas que preserva parte da minha história, pois leva o nome do meu avô e o número da casa: Leopoldo 47.Com certeza, de 1960 até 2010, muitas coisas mudaram neste endereço, mas o que ficou na memória ainda está muito nítido.  Teve a dor da perda do meu pai, que, devido uma leucemia, sofreu muito.

Lembro também de como era cada canto, das cores, do brilho do assoalho, da TV preto e branco, do pinheirinho natural, do presépio enorme que minha mãe e minha vó Cecília faziam; dos banhos de banheira, com água quentinha que vinha da serpentina, cujos canos passavam por dentro do fogão à lenha.  Tínhamos água quente no banheiro e na cozinha.Passados nove anos da mudança de endereço, numa tarde, de curiosa, pedi licença para entrar na velha morada e lá encontrei um moço barbudo chamado Roberto Wasen, dono do empreendimento que lá hoje existe. Tudo ficou muito diferente. Somente a madeira das prateleiras da despensa ficaram as mesmas que meu pai deixou. Até a cor estava igual no dia que lá entrei! 

Neste dia, depois de 59 anos, pude ver a caixa d'água existente acima do forro. Toda de cimento. Incrível!!!Caro leitor, recordar é viver. Feliz de nós que podemos ter estas boas recordações e podemos passá-las para os filhos, netos e para cada um que, neste momento, lê esta crônica.
Paz e bem.Homenageio a leitora e ex-colega de aula Iris Becker Delwing. Abraço os aniversariantes do dia 19: Eduardo Marasca, Guilherme Weiand e Dosolina   Bazanella.


Nara Knaack

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