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Outros verões...

Caro leitor, acredito que cada um nós guarda suas lembranças de outros verões, com muito carinho, dentro do coração.


O tempo passa e as lembranças afloram, trazendo saudosas imagens em que a inocência fazia parte das nossas vidas; onde tudo parecia mágico; tempo quando nossos pais possuíam super poderes e deles vinham a segurança, o afeto, o amor puro e verdadeiro. Lembrar de tudo isso, faz o coração bater de uma forma diferente. Parece que as batidas soam como doces melodias da infância e de uma adolescência repleta de sonhos e da certeza de que seríamos felizes para sempre, pois a descoberta do amor nos trouxe um encantamento que, aos poucos, fomos descobrindo, com muitos pudores - mal sabíamos como seriam as relações nos dias de hoje!

Quando muito pequena, não tínhamos água encanada. Nossos verões eram abastecidos por um rico poço, onde a água vertia mansa e cristalina.  Mais tarde, já na casa nova, também não tínhamos água da Corsan e sim do poço artesiano de seu Fischer. Então, nos finais de tarde ou finais de semana, meus pais recorriam ao Rio Taquari ou ao Arroio do Parque do Engenho, onde tinha uma cascata. Lá a diversão era garantida, pois o chão ela liso, sem os cascalhos do rio que machucavam os nossos pés sensíveis. Mesmo assim, achávamos o máximo, pois o calor era driblado e nos refrescávamos fazendo muita bagunça. Lembro das nossas idas ao Costão e ao Porto dos Bruders. Numa destas idas, minha tia Lídia, que morava no Bairro Praia, pertinho do rio, perguntou ao meu pai: "Por que a Talita não veio?" E ele respondeu: "Arrebentou a correntinha!" Parece que estou vendo a cena. Recordo que estávamos ao redor do meu pai e não entendemos nada. Depois que fiquei "mocinha" entendi o que era esta tal de correntinha, que cada mês arrebentava.

Quando já estava na adolescência, os rumos dos verões mudaram um pouco. Foi então que conheci o mar. Íamos muito na casa da minha dinda Dulce, em Tramandaí - era uma farra quando a parentada se reunia.  Certa vez, estávamos vindo para casa, e meu pai achou um desaforo perdermos um dia tão lindo e quente.  Tínhamos um DKW azul e ele, sem se preocupar com o longo caminho que teríamos que enfrentar, pois ainda não existia a Freeway, fez o retorno e lá fomos nós, de volta às ondas do mar. Nos dias de hoje, com certeza, isso não mais aconteceria. Principalmente, pelo trânsito conturbado.

Caro leitor, acredito que cada um nós guarda suas lembranças de outros verões, com muito carinho, dentro do coração. Isto nos enche de saudades, mas é uma saudade boa, daquelas que queremos sentir sempre. Lembrar da família reunida, dos pais, dos irmãos, das primeiras descobertas, as quais nos remetem doces lembranças, é muito saudável! Só nos enriquece como pessoas, pois este legado foi deixado por pessoas que compartilharam muito amor, exemplos, bem como muitas alegrias. O Gordini verde e o DKW azul ficarão para sempre em nossas memórias. Céus, quantas lembranças!

Paz e bem.
Homenageio hoje os aniversariantes da semana: dia 22, quinta-feira, o Dr. Elton Fagundes e Ana Lazzaron Pereira; dia 23, sexta-feira, a amiga e ex-colega, Sandra Gheno. Felicidades e um abraço fraterno aos aniversariantes.

Nara Knaack

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