Nara Knaack

O da, o de, o do da memória

Artigo de Nara T. Knaack

Créditos: Nara Knaack

Uma chuvinha, um arco-íris, as primas, Jane, Marilia e eu, muitas risadas e um bom chimarrão. Assim foi nossa terça-feira passada. Cada vez que nos reunimos é assim: a gente se queixa das dores, do preço dos remédios, dos implantes e rimos muito da nossa memória.

Amigo leitor, a gente ri, mas o caso é sério. Estamos perdendo o viço; nossas articulações não colaboram mais; o ciático manda recado a cada passo dado; a coluna faz "crec" quando nos abaixamos e quando queremos lembrar de algo, daí sim a coisa pega.  A impressão que dá é que nosso cérebro paralisa: queremos falar um nome e dizemos: "a filha da...irmã do...lá de..." e o nome não sai. Dai, ao reconhecer nossa situação, o negócio é cair na risada e garanto que elas estão presentes no vai e vem da cuia! Rimos daquilo que não lembramos, da nossa própria situação e, mesmo assim, às vezes a resposta vem só no outro dia.

Sabemos e compreendemos que estamos na chamada "melhor idade", que não sei onde é que ela é melhor. Tudo fica mais difícil. Perdemos um pouco da audição, os óculos cada vez ficam mais fortes, isto quando a catarata não comparece para piorar. No entanto, algumas ainda são capazes de fazer Pilates, alongamentos, caminhadas, pois na gavetinha do bidê, ao lado da cama, está guardada a pomadinha mágica com cânfora para aliviar as respostas do corpo. Com certeza reconhecemos nossos limites, mas somos corajosas e nos arriscamos! 

Não temos data de validade. Portanto, temos que viver e viver com aquilo que recebemos da vida em cada dia. Alguns são melhores, outros piores, tudo depende das nossas ousadias: se muito parados, nossas "juntas" enferrujam e, se muito ousados, elas nos judiam. Daí, como alguns dizem: "junta tudo e bota fora! "

Caro leitor, graças a Deus que hoje ainda podemos reclamar das dores! É sinal de que ainda estamos vivos! Nos dói pensar que perdemos tantos familiares ainda muito moços, com prósperas profissões, com famílias estruturadas e que não tiveram a chance de ver os filhos crescerem, não chegaram a ver os netos... Aí, sim, eu digo: ainda bem que estou envelhecida, que o tempo está me dando rugas, flacidez, dores, limitações, pois estou aqui, tendo a oportunidades de sentar com pessoas queridas, tomar um chimarrão, falar de nossas saudades e ver que somos iguais a tantos outros que estão também envelhecendo. Que Deus nos abençoe e ilumine sempre o que temos ainda de tempo nesta existência! E que possamos permanecer com a lucidez junto a quem amamos, tendo consciência de nossas ações e palavras.

Paz e bemHomenageio, hoje, a leitora Lurdes Kauffmann, da padaria na rua Flores da Cunha. Abraço à amiga Marisa Bastos, aniversariante de hoje; meu primo Victor Hugo Lopes, de Cruzeiro do Sul, que aniversaria no dia 22, e meu grande amigo Telmo Christ, aniversariante do sábado, dia 25.


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