Nara Knaack

Ser professor

Artigo de Nara T. Knaack

Créditos: Nara Knaack

Ser professor é uma dádiva para aqueles que trabalham por vocação. Sinceramente, eu exerci meu ofício por vocação mesmo! Sempre fiz tudo com muito esmero, dentro das possibilidades e habilidades em mim existentes. Entretanto, o tempo vai passando e, sem querer, vai chegando a época da aposentadoria e nos afastamos das salas de aula, da escola, daqueles encontros diários com os colegas e com aqueles de quem nos tornamos mais íntimos. O tempo passa e a gente retorna para matar a saudade. Isto acontece com todos aqueles que se aposentam. Mas ainda bem que muitos vínculos permanecem, com colegas e com alunos. 

Amigo leitor, sabemos que, quando damos uma voltinha pelos corredores da escola, os atuais alunos podem não nos conhecer, mas, quando passamos pelas ruas, nos mercados, farmácias, lojas, em festas, ou estamos passando os olhos na internet e nos whats, temos a oportunidade de reencontrar nossos alunos queridos, que nos reconhecem e nos chamam. Isto não tem preço! 

Dias desses, estava no mercado e um rapaz vinha caminhando em minha direção. Olhei, achei conhecido, mas não fiz nada e, como ele, continuei as compras. Mas entre uma gôndola e outra nos reencontramos. Então ele bateu no meu ombro e perguntou: "Por acaso tu não és a Faísca? " Era o Adelor, aluno lá dos anos 93, 94, 95... Outro dia, estava num aniversário e encontrei um casal de alunos, o Edson e a Karine, e, de repente, ele sentou ao meu lado e disse: "Sora, cada vez que vou na igreja Matriz, sei qual é o seu anjinho, lá no altar, com as luzinhas. " Isto é uma recompensa divina, ouvir esta lembrança. Hoje, os alunos são adultos, casados, alguns com filhos. O Fábio, o nosso "Jesus" na época, escreveu dias desses que gostaria de somente um dia assistir a mais uma aula minha. A Karine disse:  "Lá atrás a gente não dava bola para as coisas que a senhora falava; hoje a gente vê quanta verdade havia em suas palavras. " No dia da eleição da nova diretoria da Alivat, o repórter de um dos nossos jornais, chegou perto de mim e disse: "Olha quem encontro aqui! A nossa Faísca! " Hoje ele faz parte deste diário. É o Cristiano Duarte. Nessa noite também estavam Carlos E. Ranzi e Luana Bassegio, também ex-alunos. 

Caro leitor, estas lembranças nos remetem mais esperança na vida, nas pessoas mais jovens, no amor e na amizade incondicional entre professor e alunos. Meu tempo de Castelinho foi muito gratificante, repleto de belas lembranças e foi encerrado em 20 de maio de 2013. Nesta história entram os alunos do Mellinho, que, de vez em quando, encontro nas estradas da vida e também através da janela da minha cozinha, quando levam os filhos ao pátio da Escola Caminhos. Isto aconteceu na terça passada com o Diego Zagonel. Estas emoções nos gratificam e nos permitem pensar que fizemos nosso trabalho da melhor maneira possível. Sabemos que estamos sendo muito desvalorizados, mas ainda acredito em nossa missão. 

Paz e bem.

Abraço todos os meus queridos ex-alunos. Parabenizo a amiga Sirlei dos Anjos, que hoje aniversaria, bem como, a Rede Vale de Comunicação que dia 8, nosso jornal O Informativo de Vale, completa 49 anos e o meu querido amigo e companheiro da Alivat, Dr. Werner Schinke, aniversariante dia 9.


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