Colunistas

A tolerância envelheceu

Paulo Gregory [email protected]


A tolerância se transformou numa minoria desrespeitada. Sua irmã gêmea, má, é a responsável por isso. A intolerância, neste mundo dito moderno, superou a tudo e a todos e, hoje, oprime.

A opinião do meu contrário é um lixo de ideia. O comportamento do meu vizinho é viadagem. A camiseta do adversário é para jogar no chão, cuspir, esfregar os pés sujos e, de preferência, com o torcedor dentro. Uma manobra mal feita no trânsito, e a mãe se vira no caixão porque nunca trabalhou nesta profissão antiga. Posição sobre determinado assunto é tratada como coisa da "esquerdalha" ou de "direitoso". "Vai tomar..." é resposta das mais decente em relação a uma contrariedade. Dá porrada que merece! Assim por diante, "ad eternum"!

O mundo moderno, evoluído, que dominou tudo, não é comandado por alienígenas. Não são eles que impuseram este código de conduta. Somos nós mesmos que optamos em apoiar a irmã gêmea má. Aliás, endeusamos a intolerância.

A tolerância envelheceu, ficou feia e passou a ser tratada como velha, como ensinou a intolerância. Colocamos num asilo e, para descargo de consciência, eventualmente, num fim de semana, quando o tempo está chuvoso e não temos nada para fazer, a visitamos. Assim como se faz com os velhos, e a vida segue normalmente.

Por que cheguei neste assunto? Porque meu amigo Valdir Silveira, tolerando meu mergulho numa garrafa de vinho, me sugeriu o tema. Aceite! Talvez porque, pela certidão de nascimento, tenha compreendido que farei companhia, logo adiante, para a tolerância em seu asilo. Talvez porque, com a minha idade, a rebeldia que sempre me fez companhia, tenha se bandeado para o lado da intolerância.

Boa semana e que a paz da tolerância não te incomode.


Paulo Gregory

Comments

SEE ALSO ...