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Esperando um nome...

Paulo Gregory | Advogado

Créditos: Paulo Gragory

Quando você se olha no espelho e logo em seguida para uma foto sua, você vê a mesma coisa? Não! O espelho é invertido e a foto real. Quando você canta no banheiro e você se ouve é igual a gravação que você fizer no mesmo momento? Não! Experimente fazer para ver o susto. Agora vamos mais adiante. Uma pessoa que vê a sua foto enxerga a mesma coisa que você? Não! Outra pessoa que escuta a sua voz, ouve a mesma coisa que você? Não! (pode ser que ache a sua voz muito pior do que você mesmo).

Pois a sociedade é a mesma coisa. Na sociedade quem olha no espelho e diz o que é que está vendo é a classe que dirige esta sociedade. É ela que traduz a voz dos seus membros, conforme ela acha que ouviu.

Por isso, a sociedade não contempla nossos desejos de compartilhamento, criação, iniciativas, descobertas, esperanças, motivações, etc. Aí reside a raiva do cidadão, quando a classe dirigente não toma a decisão mais adequada ou, quando toma, é a inadequada. Os dirigentes que olham a sociedade no espelho e que escutam sua voz, deveriam fazer o mesmo teste descrito no começo, para perceber a distorção. A versão da sociedade não é a versão de sua elite dirigente e deveriam prestar atenção na reação que provocam, quando se arvoram nesta condição, para serem menos arrogantes e mais generosos.

Por isso, sempre que alguma pretensa liderança, arrotar na sua cara um "eu é que sei", ou "faça assim que é o certo", ou mais, "me siga que sou o líder", ou pior ainda, "o certo é o que eu escrevo", troque imediatamente de interlocutor, pare de ler, comece a pensar.

A liderança confiável é aquela, que embora seja racional, técnico e objetivo, procura a harmonia, o equilíbrio com afetuosidade. Aquela que, promove nos seus liderados, a capacidade de criar e se recriar e, principalmente, não fica adiando desejos ou impedindo a sua realização.

Esta liderança, entre nós, é real e tem o nome que o imaginário de cada um coloca, que o simbólico tolera e a democracia implica, que se tolerem nas divergências e construam o que lhes é comum, desatando os nós e construindo os laços.

Boa semana!


Paulo Gregory

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