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Tem uma moeda aí?

Paulo Gregory Advogado


Quantas vezes fomos abordados assim? O que se faz na situação? Se dá? Se diz que não tem? Se pergunta em silêncio, para si mesmo, se é para tomar cachaça ou comprar a pedrinha? Se responde surdamente para que não ouça - "vai trabalhar vagabundo"? Se sente medo de que a abordagem passe de um pedido para a ameaça ou assalto?
Tudo é normal, porém não deveria ser assim.

Nunca nos perguntamos o porquê da situação. A sociedade somos nós. Pois, justamente, a sociedade com seus valores, métodos, processos, modos operandi, etc., vomitam a indigência, o "drogadito" e as mazelas que não consegue digerir, na rua. Depois, nomeiam um grupo de assistência social, de voluntários solidários, para que resolvam.

Estas pessoas que pedem a moeda estão no último degrau da condição humana. Depois disto, viram semoventes sem utilidade prática e passam a ser "clientes", (é assim que ainda chamam?), do serviço social e grupos bem-intencionados de solidariedade, importantes, que amenizam a "coisa" para que não se transforme num monstro maior.

O serviço social, com seus métodos de abordagem, consegue no máximo, seduzir por um prato de sopa quente e um coberto para aquela noite. No dia seguinte, o processo é retomado em sua origem.
Pois é! A Sociedade moderna oferece o quê, melhor do que a droga? O portfólio de consumo, contempla a droga como objeto de desejo.

Ora, se a sociedade somos nós, somos nós os responsáveis por isso! Somos nós que faltamos no momento certo, quando não entendemos o olhar de súplica, porque tinham vergonham de pedir ajuda e nós sem paciência para compreender.

A moeda que damos não é por solidariedade, mas por medo e por penitência, entretanto, não aplacam o temor e não absolvem do pecado.
Pensar nisso não significa abandonar o gesto solidário ou de atenção, mas é muito maior do que o descargo de consciência ao alcançar a moeda.

Boa Semana!

O abraço vai para Therezinha de Jesus Rozas Munhoz, Matriarca da Munhozada!


Paulo Gregory

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