Polícia

Autoridades celebram primeiro aniversário do presídio feminino

Encontro foi marcado por discursos emocionados e valorização do trabalho de lideranças, voluntários e agentes

Créditos: Natalia Nissen
EXEMPLO: administração do presídio feminino é baseada na recuperação e ressocialização das detentas - Lidiane Mallmann

Lajeado - O início da ocupação do Presídio Feminino de Lajeado foi celebrado com um café da manhã na recepção da casa prisional, na manhã de ontem. Além de ressaltar a importância da iniciativa, os convidados também puderam conferir mais um sonho que poderá ser realizado em breve: a reforma e ampliação do Presídio Estadual de Lajeado (PEL). O projeto está pronto e foi feito pelo diretor de obras da Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública (Alsepro) e do Conselho da Comunidade de Assistência ao Preso, Léo Katz. A ideia é construir 16 novas celas, três celas para trabalhadores da cozinha, uma cela com acessibilidade, uma cozinha geral mais ampla, salas de visitas íntimas, repartições administrativas, gabinetes de saúde, salas de audiências e outros ambientes.

O projeto arquitetônico não é definitivo, está sujeito a alterações e a obra deve ser discutida nos próximos meses, quando o Conselho da Comunidade retoma suas reuniões mensais. A estrutura foi planejada conforme o espaço físico existente e de forma que a construção possa ser feita sem a necessidade de retirar os detentos das galerias em que estão atualmente. A ampliação não tem o objetivo de possibilitar o aumento de lotação da casa, mas seguir o exemplo do presídio feminino e oferecer melhores condições de abrigo aos detentos, assim como alternativas de trabalho e recuperação.



O diretor do Fórum da Comarca de Lajeado, juiz Luís Antônio de Abreu Johnson, responsável por determinar o início da ocupação em janeiro do ano passado, afirma que o sentimento é de gratidão às pessoas que acreditaram na ideia e se uniram para construir a casa prisional que é modelo no Rio Grande do Sul. "Não é toda comunidade que se integra como ocorreu no Vale do Taquari. Nenhum empreendimento produz resultados imediatos, mas já temos bons resultados, como índice zero de reincidência e nenhum caso de rebelião ou tentativa de fuga", comemora.

Para o promotor de Justiça Criminal da Comarca, Ederson Luciano Maia Vieira, a sociedade lajeadense assumiu uma postura diferenciada em relação ao sistema prisional e o funcionamento do presídio feminino é resultado disso. Segundo o promotor, o estabelecimento é uma exceção diante de uma realidade preocupante em que políticos réus ou condenados fazem as leis para a sociedade. Katz lembra dos entraves e burocracias que envolveram a construção e início de funcionamento do presídio, porém garante não desanimar. "Esse presídio começou como uma ala feminina, um sonho que é realidade. E o que mais me orgulha é a escola, o salão de beleza e as oportunidades para essas pessoas melhorarem de vida".

A coordenadora Regional de Educação (3ª CRE), Greicy Weschenfelder, cita Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Ela destaca as lideranças que abraçaram o projeto e trabalharam por mais de um ano até que o prédio ficasse pronto. "A escola dentro do presídio não vai parar. Cada resultado me emociona muito", diz.

A confraternização reuniu diversos representantes de entidades, empresas, órgãos públicos e imprensa de Lajeado. A defensora pública, Janaína Neuls Diel; o vereador Ildo Paulo Salvi; o delegado Regional de Polícia, Miguel Mendes Ribeiro Neto; o vice-presidente do Conselho da Comunidade de Assistência ao Preso, Leandro Schierholt; o presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Miguel Arenhart; e o delegado substituto da 8ª Delegacia Penitenciária Regional de Santa Cruz do Sul (8ª DPR), Andreo Quadros Camargo, participaram do encontro.

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