Polícia

Defesa alega falta de provas contra bruxo suspeito de satanismo

Advogados assumiram o caso na terça-feira e ingressaram com pedido de liberdade provisória

Créditos: Natalia Nissen
DEFESA: advogados Marco Alfredo Mejía, Evandro Mariani e José Felipe Lucca assumiram o caso - Lidiane Mallmann

Novo Hamburgo - A defesa de Sílvio Fernandes Rodrigues (44), que ficou conhecido como "bruxo" envolvido em um suposto ritual de sacrifício de duas crianças em Novo Hamburgo, ingressou com um pedido de liberdade provisória na tarde de ontem (10), por carência de fundamentos na prisão. Os advogados Marco Alfredo Mejía, Evandro Mariani e José Felipe Lucca receberam a reportagem do Informativo do Vale na manhã de ontem, no escritório em Lajeado, para apresentarem a versão de defesa. "É uma carência de provas técnicas por completo. Nenhuma ligação, prova contundente foi encontrada no templo dele. É uma mera 'ficção investigativa' ", garante Mejía.

Os advogados assumiram o caso na tarde de terça-feira, conversaram com o cliente e foram a Novo Hamburgo ainda ontem para ter acesso ao processo investigatório. Para eles, a Polícia Civil tem conduzido as investigações pelo aspecto religioso, no entanto, não apresenta laudos conclusivos do Instituto Geral de Perícias (IGP) que comprovem a ligação de Rodrigues com a morte das vítimas - um menino e uma menina. A polícia também não teria encontrado qualquer prova durante a revista ao templo do bruxo, em Gravataí, afirmam os defensores. "Ele (Rodrigues) tem uma carreira de mais de duas décadas de cunho religioso e nunca teve passagem pela polícia. Nenhum registro que envolvesse uma oferenda nesse sentido".

Caso o inquérito policial seja pautado pelos vínculos religiosos do suspeito com o crime, a defesa promete rebater e apontar divergências nas investigações. "Não vejo concretude no processo", diz Mejía. Ele argumenta, ainda, que no satanismo não existe fundamento que sustente o sacrifício de uma criança em oferecimento a um deus. Em relação às informações de que o cliente teria recebido R$ 25 mil pelo trabalho, o advogado afirma que o indício precisa ser muito bem relacionado pela polícia e, em geral, qualquer tipo de ritual religioso é feito sob total sigilo. A defesa avalia o aspecto com distanciamento. Mejía lembra que o bruxo divulgava seus serviços na internet e, inclusive, mantinha um site, contrapondo a suspeita de que teria sido pago para fazer o ritual secreto envolvendo a morte de crianças.

Conforme os advogados, o caso repercutiu nacionalmente e tornou-se uma questão midiática interessante. Mas a falta de conhecimento religioso é o que tem assustado as pessoas e valorizado o pano de fundo ideológico que apresenta Rodrigues como suposto executor do ritual. "O Brasil está vendo pelo cunho religioso. Não se sabe se é satanismo ou qualquer outra seita. Isso favorece uma grande história".

Relembre o caso
Partes dos corpos de duas crianças foram encontradas em setembro do ano passado, no Bairro Lomba Grande em Novo Hamburgo. As vítimas - irmãos - teriam sido esquartejadas e as partes deixadas em locais diferentes. Os crânios ainda não foram encontrados. O ritual teria sido encomendado por dois empresários para obter prosperidade nos negócios. Para tanto, eles teriam pago R$ 25 mil ao bruxo e dois filhos de um deles também teriam participado da cerimônia. As vítimas ainda não foram identificadas e a polícia não descarta a hipótese de que tenham sido trazidas da Argentina clandestinamente.

O inquérito policial deve ser concluído até segunda-feira (15) e remetido à Justiça. Rodrigues foi preso na semana passada e levado à Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas. De acordo com a Polícia Civil, sete pessoas são apontadas como suspeitas de encomendar e executar o ritual. Três ainda estão foragidas.

 

Comentários

VEJA TAMBÉM...