Polícia

Delegada participa de curso com agentes da polícia de Miami

Aulas abordaram as questões da investigação e do combate à violência de gênero

Créditos: Natalia Nissen
- Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - Um grupo de agentes e delegados da Polícia Civil gaúcha participaram de um curso de investigação policial em violência de gênero ministrado por professores do Departamento de Polícia de Miami, na Flórida. A qualificação com 36 horas-aula promoveu a atualização de conhecimentos e troca de experiências em relação aos procedimentos investigatórios no enfrentamento à violência doméstica e contra a mulher. A titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), de Lajeado, Márcia Bernini, fez o curso e conta que este tipo de ação é importante para qualificar o trabalho da polícia e fortalecer as políticas de combate à violência. De forma geral, a rotina é semelhante, mas ainda há muito para avançar e equiparar-se no tratamento do tema.

De acordo com a delegada, o órgão norte-americano não é dividido como as instituições brasileiras - polícias civil e militar, por isso, os procedimentos são mais rápidos. Os próprios diretores podem determinar uma medida protetiva de urgência para que as vítimas saiam do departamento com a ordem. Lá, a polícia tem um plano de carreira e todos os servidores iniciam-se como patrulheiros, passam pelo cargo de investigadores, peritos, até atingir postos de chefia. Isso permite que eles acumulem mais experiência no trabalho operacional, investigação e tratamento de vítimas e criminosos. Outra diferença é a estrutura disponível para os servidores. Miami tem uma média de um agente para cada 25 habitantes e equipamentos mais modernos. "Percebi que fazemos muito com o pouco que temos por aqui."

Vínculos

Em relação às vítimas, os policiais de Miami afirmaram que o índice de desistência é alto. Como no Brasil, muitas mulheres registram ocorrências contra os agressores e, pouco depois, voltam às delegacias para fazer o que popularmente é conhecido como "retirar a queixa". Quando isso acontece, todo o trabalho do Estado feito até então, é perdido. "A violência existe em todo o lugar e a dificuldade de a vítima romper o ciclo é um desafio para todas as polícias.", destaca Márcia.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul já desenvolve programas de núcleos comunitários para aproximar as autoridades da população, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade social. Palestras em escolas e empresas, ações em espaços públicos, fazem parte das atividades. No curso, os agentes estrangeiros falaram sobre a necessidade de a polícia ser cada vez mais comunitária e participar da vida das pessoas. Segundo a delegada, embora a legislação brasileira determine o atendimento prioritário das vítimas por mulheres, nos Estados Unidos os homens também são incentivados a atuar nos departamentos que combatem a violência de gênero. Para Márcia, é importante ter o olhar masculino nessas questões. As características são diferentes, como a rotina policial exige. Homens e mulheres complementam-se e devem trabalhar juntos para prevenir e combater a violência.

Saiba Mais

O curso faz parte de um programa de "polícia comparada" desenvolvido pela Polícia Civil. As aulas aconteceram na Academia de Polícia Civil (Acadepol), em Porto Alegre, entre os dias 23 e 27 de abril.

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