Polícia

Desavença financeira pode ter motivado assassinato de Jacir Potrich

Polícia prende suspeito de envolvimento em homicídio por motivo fútil e ocultação de cadáver

Créditos: Caroline Graske
COLETIVA: representantes dos Bombeiros, Polícia Civil e Brigada Militar esclarecem circunstâncias que levaram à prisão do principal suspeito - Lidiane Mallmann

Anta Gorda - Ao completar 70 dias do desaparecimento de Jacir Potrich (54), o caso parece, finalmente, chegar perto de sua conclusão. Na tarde de ontem, na Câmara de Vereadores de Anta Gorda, foi realizada coletiva de imprensa para esclarecer os fatos que levaram à prisão de C.A.W.P. (52), suspeito do desaparecimento e possível morte do gerente da agência do Sicredi do município. Desde 13 de novembro de 2018, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e Instituto-Geral de Perícias trabalham nas diligências.

Pela manhã, foi deflagrada a Operação Gerente AG, que resultou na prisão do suspeito em Capão da Canoa. Segundo o delegado responsável pelo caso, Guilherme Pacífico, foi decretada a prisão temporária e o inquérito policial deve se encerrar até no máximo 30 dias. Ele foi levado à Delegacia de Polícia de Anta Gorda e, após, encaminhado ao Presídio Estadual de Encantado.
A prisão foi realizada pela 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa, de Porto Alegre, e chefiada pela delegada Roberta Bertoldo. Segundo ela, o suspeito passou a impressão de total indiferença. "Ele foi preso no litoral, em Capão da Canoa, em seu apartamento. Não ofereceu qualquer tipo de resistência e, por óbvio, nega a prática de qualquer ato criminoso."
Para Roberta, não restariam dúvidas da participação do vizinho de Jacir Potrich no crime. "As imagens coletadas denotam circunstâncias que são extremamente inequívocas. Infelizmente, por conta de uma decisão judicial, elas não podem ser divulgadas, mas tenho certeza de que, se todos vissem, tirariam as mesmas conclusões que a Polícia Civil tirou", declara. "São reveladoras e demonstram que Jacir veio a ser vítima de um crime cometido, sem dúvidas, pelo vizinho", afirma a delegada.

A policial ressalta que não houve colaboração do suspeito na investigação. "Esperava-se de vizinhos tão próximos que colaborassem e não foi o que ocorreu em relação a um deles. Isso foi extremamente significativo." O suspeito saiu de Capão da Canoa já com advogado constituído e orientado a se manifestar somente em juízo.

Da amizade ao desentendimento
Jacir Potrich, o suspeito e outro vizinho residiam em um condomínio privado, de moradia exclusiva das três famílias, e de alto padrão em Anta Gorda. Conforme as investigações da Polícia Civil, os três mantinham uma amizade quase fraternal, até o desentendimento por questões financeiras entre Jacir e o possível envolvido no crime de homicídio por motivo fútil e ocultação de cadáver. "Após um tempo de perfeita irmandade entre os três amigos que se uniram para montar um condomínio e que faziam tudo juntos com as famílias, houve desentendimento financeiro entre dois, motivado pela mudança da agência bancária para outro prédio. Esse primeiro local era de propriedade do vizinho, que se sentiu traído por Jacir não ter avisado sobre a mudança. A partir daí, os ânimos se acirraram e eles nunca mais se entenderam. Qualquer situa­ção começou a ser motivo de desavença", explica o delegado Guilherme Pacífico.

O que aconteceu no dia do crime
O delegado Guilherme Pacífico detalha as imagens visualizadas nas câmeras de videomonitoramento entre 19h30min e 20h de 13 de novembro passado. De acordo com as investigações, os registros deixariam clara a participação do preso no crime.
- Jacir Potrich é visto retornando de uma pescaria, com balde e peixes
- São captadas imagens do exato momento em que o suspeito também vai para o quiosque. Eles são vistos no mesmo epicentro
- O suspeito se encontra com Jacir Potrich e retorna já de forma mais atrapalhada e não tão tranquila como quando se dirigiu até o quiosque
- O suspeito volta, entra na sua casa, sobe no telhado e fica observando por minutos, de cima, a dimensão do que aconteceu ou que estava acontecendo com a possibilidade de quem pudesse estar num raio de visão daquele local
- Após, ele se concentra em um foco, possivelmente onde houve o desacerto entre os vizinhos
- Ele desce do telhado da sua casa, volta, retorna no quiosque e vai até onde são guardados materiais de limpeza
- O suspeito pega uma vassoura e levanta as câmeras que fazem toda cobertura dos fundos da casa dele, com o objetivo de impedir a continuidade das imagens
- A esposa do suspeito deixa o condomínio, e Jacir Potrich não é mais visto

Em busca do corpo
Polícia Civil, Brigada Militar, Instituto-Geral de Perícias e Corpo de Bombeiros, com a ajuda de cães farejadores, trabalharam na busca do corpo de Jacir Potrich na área de três quilômetros quadrados das proximidades do condomínio - não localizado até o fechamento desta edição. O capitão dos bombeiros, Mateus Scremin, afirma que não é excluída a hipótese de que o local do crime tenha sido modificado. "Desde o início utilizamos todas técnicas possíveis neste episódio. Buscamos no açude e nas adjacências. Mas não se descarta a possibilidade de que o local tenha sido adulterado. As diligências estão em curso", ressalta.

Esgotadas todas hipóteses
O delegado Guilherme Pacífico explica que a investigação começou em 14 de novembro, quando o sobrinho deu falta de Jacir Potrich e avisou a esposa, Adriane Potrich, sobre o sumiço do bancário. "Na manhã do dia 14, por volta das 7h, a esposa liga para Jacir e não consegue falar com ele. A partir disso, as forças de segurança pública foram acionadas", relembra. Foram analisadas a possibilidade de sequestro do gerente de banco; um possível mal-estar ou perda de memória; e até mesmo suicídio. "Mas o perfil dele apontava para o contrário, porque era o melhor momento profissional de sua vida, até mesmo recusando ascensão na instituição financeira. Ele e a esposa estavam profissional e financeiramente muito bem. O momento não apontava para o suicídio", explica.

A hipótese de uma possível relação com o passado de Potrich também foi alvo de investigação, levando as diligências até o Mato Grosso do Sul. "Apareceram demandas que apontavam o passado, que remonta a origem de Anta Gorda, dos primeiros que aqui habitaram, e dos que foram desbravar outros estados, em especial o Mato Grosso do Sul. Houve situações de homicídio com uma parte da família que morou para lá. Então diligenciamos bastante no Estado com a possibilidade de que lá poderia ter alguma informação com relação à motivação do desaparecimento", esclarece. No entanto, todas estas hipóteses foram esgotadas, levando à análise das câmeras de segurança e, a partir delas, encontrando-se o principal suspeito, agora detido.

Polícias e Instituto-Geral de Perícias trabalham nas buscas do corpo no condomínio. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

 

 

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