Polícia

Escola Estadual São João Bosco recebe jogos feitos por presos

Projeto desenvolvido desde o ano passado no Neeja Liberdade já beneficiou duas instituições

Créditos: Natalia Nissen
RECONHECIMENTO: jogos foram entregues aos alunos e direção da EEEF São João Bosco - Lidiane Mallmann

Lajeado - Sob olhares atentos dos alunos do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Neeja) Liberdade, foi entregue a primeira remessa de jogos pedagógicos para a Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Bosco (EEEF), localizada no Bairro Conservas. A cerimônia marcada por discursos emocionados aconteceu na sala de aula do Presídio Estadual de Lajeado (PEL), na manhã de sexta-feira, e reuniu professores, alunos da instituição beneficiada, representantes do Judiciário, Ministério Público (MP), Polícia Civil, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Pastoral Carcerária e Conselho da Comunidade de Assistência ao Preso. Os apenados também receberam livros para complementar a biblioteca da casa prisional.

A coordenadora Regional de Educação (3ª CRE), Greicy Weschenfelder, afirma que o projeto é transdisciplinar e colabora com a reinserção social dos presos. Eles recebem a madeira doada por empresários, pintam as peças, colam, e aprendem sobre a origem dos jogos de dama, xadrez e moinho, regras e também confeccionam os manuais. A escolha do colégio, o segundo contemplado, levou em consideração o funcionamento do turno integral e a vulnerabilidade da comunidade escolar. "Muitos alunos têm algum familiar ou conhecido no presídio. A entrega desses jogos é uma forma de valorizar o trabalho destes homens. Não me interessa saber o que fizeram para estar aqui, mas a história que vão escrever a partir da escola."

A diretora da EEEF, Loiva Fauri, reconhece os apenados como membros da comunidade e diz estar emocionada com a ação. O valor que seria gasto na aquisição de jogos para as crianças poderá ser usado em outras atividades e melhorias estruturais. "Nunca tinha entrado em um presídio, mas conheço muitos desses detentos, que são ex-alunos ou pais dos nossos estudantes. Vamos investir na escola e no futuro desses jovens." Um apenado complementa: "sou do Conservas e esse momento me trouxe uma recordação. Isso faz a gente se sentir importante, é muito bom".

Incentivo
Segundo o juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) da Comarca de Lajeado, Paulo Meneghetti, a sala de aula do PEL é um ambiente especial e diferente de toda a estrutura do estabelecimento, o que reforça a importância do trabalho das pessoas envolvidas na causa. "Não sabemos se a educação vai ressocializar, mas vai tornar vocês pessoas melhores. Aproveitem, leiam, nem que seja uma página. Ao final da leitura, vocês já serão melhores do que antes."

O presidente do Conselho da Comunidade, Miguel Feldens, lembra da construção da sala, feita com mão de obra prisional, e do empenho da equipe da 3ª CRE para a implementação do Neeja Liberdade como uma das bases para recuperação dos detentos. Ele é voluntário há mais de 46 anos e afirma que os presos são o motivo de sua caminhada. Na semana que vem, Feldens viaja para Kigali, na África, para participar de um evento e falar sobre a espiritualidade no presídio.

Saiba Mais
Os jogos têm como público alvo os alunos das séries iniciais, principalmente aqueles que ficam no colégio em turno integral. Em sala de aula, são usados em atividades que estimulam o raciocínio lógico e outras habilidades. A Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio foi a primeira a receber o material, em novembro do ano passado. O projeto é pioneiro no Rio Grande do Sul e foi apresentado pela coordenadora Regional de Educação ao Ministério da Justiça.

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