Polícia

Estudante que ameaçou atirar em escola é internada na Fase

Após ser apreendida com arma, munições e maconha, adolescente foi encaminhada para internação em Porto Alegre

Créditos: Caroline Garske, Cristiano Duarte
ARMA DE FOGO: delegado Alex assmann mostra pistola calibre 9mm que é localizada na casa da adolescente - Caroline Garske

Roca Sales - A adolescente de 17 anos que ameaçou realizar um massacre na Escola Estadual de Educação Básica Padre Fernando, em Roca Sales, foi encaminhada para internação provisória na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul (Fase-RS), localizada em Porto Alegre. Após pedido da promotora de Justiça Daniela Pires Schwab, a decisão foi tomada pelo juiz Clovis Kellermann Júnior, da Comarca de Encantado.


Na tarde de ontem, acompanhada da mãe, a jovem participou de uma audiência. A promotora Daniela entendeu que seria o caso de solicitar a internação provisória da menina. O juiz Clovis Kellermann Júnior não se manifestou a respeito da decisão, pois o caso corre em segredo de Justiça por se tratar de uma menor de idade. O delegado de Encantado, Augusto Cavalheiro, prestou auxílio ao responsável pelas investigações, delegado Alex Assmann. "Fizemos o procedimento aqui em Encantado, encaminhamos a menor para o Ministério Público e a promotora fez a audiência de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)", ressalta Cavalheiro.

Jovem teria dito que entende o porquê do ataque em Suzano

Segundo o sargento Ademir Martins do Amarante, da Brigada Militar (BM) de Roca Sales, o caso chegou aos ouvidos de um policial aposentado, que é amigo de uma professora da escola que seria alvo do ataque. "Fomos até o colégio, falamos com a professora e ela nos passou a situação. Vimos que ela estava preocupada e orientamos que fosse até a delegacia para conseguir um mandado de busca e apreensão na casa", afirma. Conforme Amarante, foi relatado à BM que a jovem ameaçou uma colega por mensagens. "O pai ficou preocupado e foi até a escola. Chamaram a menina para uma conversa, e falando com ela, sem tocar diretamente no que aconteceu em Suzano (SP), a guria falou 'eu entendo porque fizeram isso', aí sim que a professora ficou preocupada", relembra o sargento.


Em foto compartilhada em redes sociais, a jovem de 17 anos aparece portando uma arma e, em conversa no Whatsapp, ela afirma: "Vou fazer o massacre amanhã". Quando questionada sobre o porquê do ato, ela responde: "Ficam me tirando toda hora". As imagens foram anexadas em boletim de ocorrência registrado na tarde de quarta-feira, por uma professora da escola em que a adolescente estudava. "Prontamente pedimos um mandado de busca para o Fórum de Encantado, que foi deferido no mesmo dia", afirma o delegado de Roca Sales, Alex Assmann.


O mandado de busca e apreensão na residência onde a jovem residia com o namorado, de 19 anos, foi cumprido pela Delegacia de Polícia (DP) de Roca Sales, chefiada pelo delegado Alex Assmann, e teve auxílio de policiais de Encantado e de Nova Bréscia. A ação foi realizada na casa da Rua Emílio Lengler, na Linha Sete de Setembro. No local foram encontradas uma pistola calibre 9mm, 31 munições e uma pequena porção de maconha.


Além da jovem apreendida, o namorado e um outro maior de idade foram encaminhados para a delegacia de Encantado. No entanto, os dois foram liberados. "Eles encontraram um maior na casa e outro na rua. Mas, na verdade, contra esses dois não tinha nada, nenhuma situação de flagrante e nem de envolvimento. Pelo o que chegou até o momento, a adolescente é a suspeita de que fosse praticar algum ato na escola", explica o delegado. Em oitiva realizada na Polícia Civil, a adolescente afirmou que a arma não é dela e a teria utilizado apenas para tirar foto. "Ela negou que fosse fazer massacre", reitera Assmann.

Usuários de drogas

A jovem, natural de Estrela e que residia há poucos meses em Roca Sales com o namorado, foi encontrada com uma quantidade de maconha. Embora alguns populares tenham relatado que a residência onde ela morava seria um ponto de tráfico de drogas, a Brigada Militar não pôde afirmar se o local seria utilizado para venda de entorpecentes. "Na casa deles entra e sai uma gurizada, mas não se sabe se tem tráfico", afirma o sargento Ademir Martins do Amarante. O delegado Alex Assmann também não confirma a hipótese. "Não teria informação de tráfico de drogas. A princípio não dá para afirmar que há tráfico. Segundo vizinhos, eles são usuários de maconha."


Turma ao lado

Do lado de fora dos muros da Escola Estadual de Educação Básica Padre Fernando, alunos da turma do primeiro ano do Ensino Médio vizinha da estudante que planejava o massacre caminhavam em grupo, na tarde de ontem, aliviados pela ação da Polícia Civil que a interceptou.


Adjacentes de porta da turma da jovem no educandário, eles relatam que, enquanto aluna, a adolescente tem um comportamento mais introvertido - sem muitos amigos e um tanto quieta.


"Em Suzano (SP), uma atitude parecida como esta matou dez pessoas. Isso poderia ter acontecido com qualquer um de nós", conta um estudante.


Por orientação dos pais, duas alunas do 9º ano estiveram na escola ontem para solicitar que a prova de inglês fosse adiada. Temendo que um atentado acontecesse no colégio, ambas consideraram um risco voltar na instituição nos próximos dias.
"Vai que aconteça alguma coisa com alguém. Nossa cidade é tão calma. Nunca ouvimos falar de algo assim por aqui", desabafa uma aluna de 14 anos.


A direção da escola optou por não dar depoimentos sobre o caso. Uma educadora, que prefere não ser identificada, afirmou que a aluna que ameaçava fazer um massacre na escola estava matriculada na instituição há poucos meses.


Silêncio rompido

Na pacata Roca Sales, o taxista Airton Bazanella (53) fixou ponto em frente à escola Padre Fernando há oito anos. Veio morar na cidade na década de 1970 e em mais de quatro décadas na cidade, nunca ouviu falar de algo similar a ameaça que rondou o colégio na manhã de ontem.


"Parece que agora virou moda os jovens fazerem este tipo de coisa. Nem uma semana passou do caso de Suzano e agora já estão tentando aplicar isso aqui. Ela estava planejando, não sei se iria fazer. Só se fala nisso na cidade agora", relata.


Linha Sete de Setembro

Sem saber que o casal que amedrontou a cidade com a ameaça do ataque residia no segundo andar, foi no porão de uma casa antiga em Linha Sete de Setembro que a Polícia Civil bateu na porta em cumprimento ao mandado de busca e apreensão.


"Levei um susto. Trabalho à noite numa fábrica de calçados. Estava dormindo e não sabia o que estava acontecendo", conta o vizinho da jovem - que reside no porão da residência com a esposa e um bebê.
Uma vizinha que teme ser identificada relata que além do casal, morava na residência um terceiro indivíduo. "A gente via uma movimentação estranha do namorado dela e deste outro cara. Mas dela nunca esperávamos uma coisa assim. Estamos todos assustados".

 

 

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