Polícia

Mesmo após interdição, proprietário vende alimentos impróprios

Estabelecimento comercial do Bairro Florestal corre o risco de ser fechado definitivamente

Créditos: Caroline Garske
Impróprio: insetos e ratos chegam a passar por cima de alimentos - divulgação

Lajeado - Após denúncias de que estaria comercializando alimentos com as portas fechadas, mais uma vez, um estabelecimento do Bairro Florestal foi autuado e agora, corre o risco de ser interditado definitivamente. Na tarde de ontem, técnicas da Vigilância Sanitária de Lajeado e da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) estiveram no local que funciona como mercado e açougue e constataram que o proprietário estava vendendo o estoque com descontos, mesmo após ter sido interditado em 27 de novembro de 2018. As fiscais registraram boletim de ocorrência por desobediência e desacato na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Lajeado.

Segundo a engenheira de alimentos da 16ª CRS, além de estar desobedecendo a interdição, o dono do estabelecimento utilizou palavras de baixo calão ao receber a fiscalização novamente na tarde de ontem. Ao chegar no local, a vigilância sanitária encontrou placas que ofereciam descontos, além de pedidos de compreensão. O proprietário admitiu a venda dos produtos. "Tudo que ele optasse por destinar teria que ser a partir da ciência e concordância da autoridade sanitária, o que não foi feito. Ele fixou placas na frente do estabelecimento dizendo que estaria vendendo estoque para voltar a funcionar e pedindo a colaboração para uma nova construção. Colocou valores de descontos e telefones de contato, dizendo que estaria atendendo entre 18h e 20h", relata.

A fiscal lembra, ainda, que foram recebidas denúncias de que o homem estaria comercializando alimentos pela porta lateral, sem parecer que estava aberto. "Tivemos várias denúncias, e quando fomos lá, ele realmente admitiu que vendia o estoque para arrecadar fundos para as adequações. Percebemos que o estabelecimento estava mais vazio." A funcionária da 16ª CRS lembra que, no dia 27 de novembro, quando houve a primeira interdição, a situação era completamente irregular. "A questão sanitária que encontramos no dia 27 comprometia a iniquidade dos produtos que ali estavam, então ele deveria permanecer interditado sem fazer atividade de comercialização", afirma.

Em novembro, uma operação de fiscalização interditou o local. A ação foi realizada pelo Ministério Público e contou com o apoio da Polícia Civil, Brigada Militar, Vigilância Sanitária de Lajeado e 16ª CRS. No mercado foram encontrados e apreendidos alimentos fora do prazo de validade, carnes sem procedência e acondicionadas em temperatura e locais inapropriados. Além disso, medicamentos eram vendidos, o que não é permitido.



Risco para a saúde

As técnicas da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) e da Vigilância Sanitária de Lajeado trabalham em conjunto para coibir crimes que possam causar riscos à saúde do consumidor. Segundo a engenheira de alimentos da 16ª CRS, as pessoas se iludem com promoções e acabam colocando a saúde à prova. "A população não sabe do risco sanitário. Nós, que somos técnicas, conseguimos ter a percepção e identificar que o alimento está impróprio para consumo, mas a população se ilude com um cartaz de desconto." Ela explica, ainda, que o rato, animal encontrado no estabelecimento comercial interditado, tem a característica de defecar onde se alimenta. "As pessoas estão correndo riscos, por exemplo, ao dar para uma criança uma bolacha que está roída por rato, ou que passa barata por cima", reitera.

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