Polícia

Moradores do Vale são presos por envolvimento em roubos a bancos

Operação Tríade cumpriu mais de cem ordens judiciais e prendeu 34 pessoas no Estado

Créditos: Natalia Nissen
Moradores do Vale são presos por envolvimento em roubos a bancos - Polícia Civil/divulgação

Vale do Taquari - Um homem de 42 anos foi preso por volta das 6h de ontem (17), no Bairro Florestal em Lajeado, por suspeita de envolvimento em uma quadrilha responsável por assaltos a banco no Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu durante o cumprimento de mais de cem mandados judiciais da Operação Tríade, deflagrada pela Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) com apoio das Delegacias de Polícia (DPs) locais em mais de dez cidades gaúchas, incluindo Lajeado e Teutônia. Um homem de 45 anos, morador de Teutônia, foi preso preventivamente e já estava recolhido por crimes praticados anteriormente. No total, 34 pessoas foram presas.

Conforme a Polícia Civil, as investigações começaram há mais de um ano e apuraram os ataques cometidos por três organizações criminosas, que não teriam vínculo entre si, mas que agiam de forma semelhante, principalmente na Serra e pequenas cidades do interior. Os supostos líderes das quadrilhas já estavam presos e um dos grupos é apontado como responsável pelos ataques a agências bancárias em Putinga e Fontoura Xavier, em ações violentas em que houve formação de escudo-humano com reféns. Segundo o titular da 19ª Delegacia de Polícia Regional (19ª DPR) de Lajeado, delegado Miguel Mendes Ribeiro Neto, o homem capturado em Lajeado teria sido abordado em Sarandi após um roubo a banco em Rodeio Bonito, em março deste ano. No carro dele foi encontrado um miguelito - pedaço de ferro retorcido - e durante as investigações foi identificado o vínculo dele com uma das quadrilhas.

Comparsas
No assalto a banco em Fontoura Xavier, em março, a Brigada Militar do Vale do Taquari também se mobilizou nas buscas pelos criminosos e chegou a deter duas mulheres em Arvorezinha. Naquela ocasião, as suspeitas estavam em um carro com placa de Farroupilha e alegaram que estavam visitando lugares da região para escolher onde realizariam a cerimônia de casamento. Durante o trajeto, teriam sido rendidas por seis homens que obrigaram-nas a conduzi-los por uma estrada de chão. Depois, eles teriam fugido e esquecido coletes balísticos dentro do carro delas. Em março, as mulheres foram liberadas, mas tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. A polícia verificou trocas de mensagens entre elas e os assaltantes.

Além dos suspeitos de execução dos roubos, foram identificadas pessoas vinculadas aos bandos, que favoreceram os ataques e forneceram outros auxílios aos bandidos. Segundo o diretor do Deic, delegado Rodrigo Bozzetto, a Operação Tríade faz parte do planejamento estratégico do departamento para este ano. "Os crimes em questão não só atingem o patrimônio privado das vítimas (bancos), mas também repercutem de forma extremamente negativa no meio social em que são praticados, especialmente, nas pequenas cidades do interior gaúcho".

Relembre o caso
As três quadrilhas investigadas têm semelhanças na forma de agir em roubos a banco. Em todas as situações, os ataques ocorrem durante o horário de funcionamento dos estabelecimentos e pessoas são feitas de reféns. As ações chegaram a ser nominadas como "novo cangaço" porque envolviam violência, experiência criminosa e formação de cordões humanos com clientes e funcionários das agências para evitar investida policial contra os assaltantes. No dia 8 de março, os criminosos atacaram bancos em Fontoura Xavier e fugiram em direção ao Vale do Taquari, deixando miguelitos pelo caminho para atrapalhar o cerco da polícia. Em janeiro, uma agência do Banrisul, em Putinga, também foi assaltada. Nas duas situações, as cidades alvo dos grupos possuíam, no máximo, dois brigadianos em serviço.

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