Polícia

MP denuncia motorista por homicídio doloso de pai e filho

Promotor Neidemar Fachinetto também denunciou M.A.W. por dupla tentativa de homicídio da esposa e do outro filho


- PRF/divulgação

Marques de Souza | O Ministério Público (MP), por meio da Promotoria de Justiça de Lajeado, ofereceu denúncia contra M.A.W. por homicídio doloso eventual de Adriano (35) e Luis Henrique Scramozzini (7 meses), bem como pela tentativa de homicídio doloso eventual de Solange Gibmaier e Everson Scramozzini.

Conforme a denúncia do promotor de Justiça Neidemar Fachinetto, "o denunciado assumiu o risco de matar e tentar matar as vítimas, uma vez que conduzia o seu veículo em estado de embriaguez, durante a noite, com baixa visibilidade em decorrência de neblina, em rodovia com expressivo fluxo de veículos e pessoas, após ter participado de um baile, local em que consumiu bebidas alcoólicas".

Em nota à imprensa, Fachinetto diz que, tanto os homicídios consumados, quanto as tentativas, foram classificados na modalidade de dolo eventual e que os elementos probatórios são os mesmos existentes no inquérito policial. Desde o dia do acidente, o motorista está preso preventivamente no Presídio Estadual de Lajeado.

O processo-crime está em fase inicial de tramitação na 1ª Vara Criminal de Lajeado. Segundo o juiz Rodrigo de Azevedo Bortoli, a ideia é publicar a decisão até a manhã de hoje. "A decisão se reveste de uma certa complexidade jurídica. Os eventos que o país tem experimentado nos últimos dias têm evidenciado o quanto tem sido perversas as atuações processuais a partir apenas de uma perspectiva popular", observa Bortoli.

O que diz a defesa

O advogado criminalista Marco Mejia afirma que seu cliente não estava alcoolizado no dia do acidente e que nenhum dos carros envolvidos estava em alta velocidade. "Se meu cliente estivesse realmente em estado de teor alcoólico, ele deveria sair algemado dali, o que não foi feito. Não existe um exame médico que diga que ele estava alcoolizado", destaca Mejia.

A defesa se contrapõe a denúncia de dolo eventual. "Não foi encontrada uma garrafa de álcool com meu cliente, que não foi encontrado nada alcoolizado", afirma o advogado. Ainda de acordo com Mejia, M.A.W., que está recolhido ao Sistema Prisional, nunca havia sido preso. "Ele tem um prontuário leve, não teve nada de grave em sua vida e agora está passando por esse período terrificante", comenta Mejia, que reitera que a defesa se recente com as duas mortes e que o denunciado não quis causá-las. "A gente espera que o juiz não aceite a denúncia por dolo eventual", conclui.

Relembre o caso

Na madrugada de 23 de junho, domingo, M.A.W. dirigia um Citroen C4 pela BR-386, em Marques de Souza, quando, na altura do Km 328, teria invadido a pista contrária e colidido de frente com o veículo em que as vítimas, todas da mesma família, estavam. O motorista, Adriano Scramozzini, morreu na hora. O filho, Luis Henrique, de apenas sete meses, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Solange, mãe do bebê e esposa do motorista, bem como o outro filho do casal, de 18 anos, ficaram feridos.

 

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