Polícia

MP irá recorrer da decisão que determina retorno de líderes de facções a presídios gaúchos

Créditos: Redação

Porto Alegre - O Ministério Público (MP) irá recorrer das decisões dos juízes da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre que negaram pedido para renovação da permanência em presídios federais de 17, dos 27, presos transferidos há um ano, durante Operação Pulso Firme. 

No último dia 13, seguindo trâmites legais, as manifestações do MP pelas renovações das tranferências dos presos foram protocoladas junto ao Judiciário. O MP entende haver absoluta necessidade da permanência desses detentos em prisões de segurança máxima. Dos 24 com pedidos de renovação, 17 foram negados, todos em processos que tramitam na Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre. Os demais magistrados, da VEC Canoas, VEC Novo Hamburgo, VEC Pelotas e Vara do Júri de Porto Alegre manifestaram-se favoravelmente à permanência dos presos já transferidos.

Na opinião do MP, o retorno destes criminosos afetará significativamente a estratégia adotada pelos órgãos de segurança para atacar o avanço do crime organizado no Estado. "A transferência dos líderes de facções influenciou diretamente na redução do número de homicídios em locais onde estes grupos atuam especialmente na Região Metropolitana de Porto Alegre, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública", ressaltou o subprocurador-geral Institucional do MP, Marcelo Dornelles.

Relembre o caso 
A Operação Pulso Firme foi deflagrada em várias cidades gaúchas em julho do ano passado. Foram empregadas 3 mil pessoas e mobilizadas 20 instituições para executar as ordens judiciais que resultaram na transferência de 27 presos de alta periculosidade para presídios federais no Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio Grande do Norte. Os apenados transferidos seriam os principais líderes do crime organizado no Rio Grande do Sul e, somadas, suas penas ultrapassam 1,2 mil anos de reclusão.

O objetivo foi desarticular a comunicação do comando das organizações, que está relacionado à gestão do tráfico de drogas e execução de membros dos grupos criminosos rivais.

Estrutura da operação
A Brigada Militar e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) escoltaram os presos a serem transferidos até as bases estabelecidas na Penitenciária de Segurança Máxima de Charqueadas (Pasc) e Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (Pmec). Os detentos foram levados às unidades federais de destino em um avião da Força Aérea, sob custódia do Departamento Penitenciário Nacional. No interior do Estado foram cumpridos 181 mandados judiciais de prisão, condução coercitiva e de busca e apreensão.

Transferências
Os homens levados a presídios federais são oriundos da Cadeia Pública de Porto Alegre, Pasc, Pmec, Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro e Presídio Regional de Pelotas. Entre os criminosos está José Carlos dos Santos, o Seco, que foi preso em Paverama e tem condenações por latrocínio - roubo seguido de morte, roubo a bancos e carros-fortes.

Vanderlei Luciano Machado, o Lelei, tem histórico de crimes praticados no Vale do Taquari, condenações por roubos, tráfico e homicídio. Jonatha Rosa da Cruz, o Bito, foi preso em uma operação no ano passado, por envolvimento em um roubo a supermercado em Teutônia. Ele também tem condenações por roubos, porte ilegal de arma de fogo, receptação, e é apontado como um dos membros da quadrilha responsável por diversos ataques a banco com uso de explosivos no interior do Estado.

Transferidos para presídios federais

Juliano Biron da Silva, o Biron;
Cristiano Feijó Madrile, o Cabelo;
Daniel Araújo Antunes, o Patinho;
Dezimar de Moura Camargo, o Tita;
Fabrício Santos da Silva, o Nenê;
Tiago Benhur Flores Pereira, o Benhur;
Cássio Alexandre Ribeiro;
Diego Moacir Jung, o Dieguinho;
Fábio Fogassa, o Alemão Lico;
Fábio Luis da Silva Mello, Fábio do Gás;
Jonatha Rosa da Cruz, o Bito;
José Carlos dos Santos, o Seco;
José Marcelo Reyes Morales;
Letier Ademir Silva Lopes;
Márcio Oliveira Chultz, Alemão Márcio;
Marcos José Viotti, o Mineiro;
Milton de Mello Ferraz;
Tiago Gonçalves Prestes;
Vanderlei Luciano Machado, o Lelei;
Adriano Pacheco Espíndola, o Baiano;
Anderson Bueno Martins, o Fofo;
Caio Cezar Pereira da Silva, o Caio Loko;
Leonardo R. de Souza, o Peixe;
Risclei Bueno Martins;
Wagner Nunes Rodrigues, o Minhoquinha;
Carlos José Machado dos Santos, o Caio;
Eder Souza Santos, o Edinho.

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