Polícia

Novo golpe: bandidos se passam por policiais e pedem recarga de créditos

Instituições de segurança pública explicam que não realizam pedidos de depósitos ou de créditos para celular


Na tentativa de estelionato, criminosos pedem recarga de créditos de celular - Caroline Garske

Vale do Taquari | Em mais um golpe criado para enganar e lucrar, criminosos têm utilizado o nome de instituições públicas como a Brigada Militar (BM) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para conseguirem recargas de créditos para celular. No último mês, foram registrados casos do novo modelo de fraude em estabelecimentos comerciais de Paverama e de Lajeado.

Em Paverama, a proprietária de posto de combustíveis recebeu uma ligação de um suposto brigadiano. Conforme o relato dela, o homem se identificou como policial da BM do município e perguntou se a máquina de recarga estava funcionando. "Eu disse que sim e ele falou que estava atendendo um acidente e que não tinha saldo. Ele perguntou se eu poderia colocar cartão e que depois passaria aqui para acertar", relembra. Após, um funcionário do posto viu que a área do número que ligava era 53 e estranhou. "Meu funcionário falou que era golpe e desligou. Tocou o telefone de novo, eu atendi, e o cara disse que eu fui muito grossa por ter desligado. Me deu um medo aquela hora", detalha a proprietária do local.

Em nota, o Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Taquari (CRPO-VT) informa e alerta que as falsas ligações ocorrem com o pretexto de que os supostos brigadianos estão com problemas nas viaturas (estragadas ou em acidente) e precisam ligar, mas estão sem créditos. Conforme o comandante do CRPO-VT, o tenente-coronel Luis Marcelo Gonçalves Maya, os policiais militares de serviço jamais ficarão sem contato com a sua Sala de Operações, onde trabalham os telefonistas. "Primeiro, porque o telefone 190 é gratuito, podendo o militar ligar para solicitar apoio mesmo que não tenha créditos no celular e, segundo, porque poderá ainda fazer contato via radiocomunicação com a sala ou com outra viatura, que poderá encaminhar sua necessidade", afirma. 

Em Lajeado, um caso do mesmo golpe, envolvendo o nome da PRF, também foi registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). O chefe da 4ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal (4ª DPRF), Paulo Reni, também pede cuidado da população. "É importante deixar claro que a PRF não tem nenhum tipo de campanha no sentido de solicitar recursos. Os equipamentos que os policiais utilizam em serviço são disponibilizados pela própria instituição e os planos de dados e de voz também. Não existe esse tipo de possibilidade quando se fala em Polícia Rodoviária Federal", explica.

Vítima sob pressão

A delegada titular da DPPA de Lajeado, Márcia Scherer, alerta que é comum que os criminosos criem novos tipos de golpes quando os outros já são conhecidos pela população. No caso deste, o fato de envolver o nome de instituições de segurança pública acaba colocando as pessoas sob pressão.

"Ninguém se recusa a ajudar uma pessoa em perigo e, principalmente, uma instituição de segurança. Mas a comunidade precisa saber que nenhum órgão público vai ligar pedindo crédito para telefone celular. Nossas linhas são pós-pagas e o Estado assume essas contas. Nem podemos carregar créditos particulares nas linhas de telefones de celular que o Estado nos dá para trabalhar", destaca a delegada.

O comandante do CRPO-VT, Luis Marcelo Gonçalves Maya, pede para que as vítimas deste golpe tomem as devidas providências em relação à comunicação do crime para as autoridades. "Solicita-se que quem receber este tipo de ligação não atenda o pedido e registre a tentativa de estelionato junto à Brigada Militar ou à Polícia Civil, com o número do telefone de onde partiu a tentativa do golpe."

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