Polícia

Operação desativa frigorífico e bloqueia de R$ 10 milhões

Sete pessoas foram indiciadas pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa durante fases da Operação Grande Negócio

Créditos: Assessoria de Imprensa
Frigorífico de Santa Clara do Sul, usado para lavagem de dinheiro, teve suas atividades suspensas - Decrab Bagé/divulgação

VALE DO TAQUARI | Na manhã de ontem, a Polícia Civil e a Secretaria Estadual de Agricultura deflagraram a terceira fase da Operação Grande Negócio nos municípios de Lajeado, Santa Clara do Sul, Santa Cruz do Sul e Harmonia. As ações resultaram na suspenção das atividades de um frigorífico de Santa Clara do Sul, no bloqueio de mais de R$ 10 milhões em bens e no indiciamento de sete pessoas pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Foram cumpridas 12 ordens judiciais, sendo sete de bloqueio de bens patrimoniais de investigados e cinco de mandados de busca e apreensão na ação que objetivou combater a lavagem de dinheiro. A investigação apura esquema de transações fictícias de compra e venda de bovinos pelo frigorífico de Santa Clara do Sul. A operação foi realizada pela Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) de Bagé e coordenada pelo delegado André de Matos Mendes. As delegacias regionais de Lajeado, Santa Cruz do Sul e Montenegro auxiliaram nos trabalhos.


Investigações

Durante os 15 meses de investigações, os policiais identificaram um esquema de transações fictícias de compra e venda de bovinos, que mediante a utilização de um frigorífico do município de Santa Clara do Sul, ficou conhecido "comércio de gado fantasma". Em março do ano passado, a Decrab de Bagé, com o objetivo de apurar o suposto abigeato, passou a investigar um suspeito do município de Harmonia, que estava vendendo bovinos para serem abatidos no frigorífico de Santa Clara do Sul, sem possuir lotação junto à Inspetoria Veterinária e sem tirar Guias de Trânsito Animal (GTA).

No decorrer das investigações, os policiais descobriram que, na verdade, estavam diante de um esquema de lavagem de dinheiro. Outras seis pessoas, dos municípios de Lajeado e Santa Cruz do Sul, também foram identificadas como integrantes do esquema. Conforme informações repassadas pela Decrab, os falsos produtores de bovinos tiravam notas de venda de "gado fantasma" para o frigorífico de Santa Clara do Sul, que emitia contranotas, dando a aparência de legalidade para as transações. "As movimentações eram declaradas no Imposto de Renda dos investigados e do frigorífico. Com isso, a empresa também era beneficiada financeiramente com as transações falsas, com ganhos tributários ilegais e distribuição de pró-labore sem anotação contábil", detalha o delegado titular da Decrab de Bagé, André de Matos Mendes.

Ainda conforme Mendes, no inquérito policial existe notas fiscais de produtor apreendidas durante as investigações, que registraram cerca de R$ 1 milhão em transações falsas de compra e venda de gado. Também foram apreendidas contranotas na empresa, datadas em dias nos quais o frigorífico não abriu.

Durante as três fases da Operação Grande Negócio, foram cumpridas cerca de 70 ordens judiciais, como mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo fiscal e financeiro, afastamento de advogados do caso e bloqueio de bens.

Para concluir as investigações, o delegado Mendes representou pelo bloqueio de todos os bens dos investigados, patrimônio que a Polícia Civil estima em valor superior a R$ 10 milhões. O pedido foi atendido pelo Poder Judiciário de São Sebastião do Caí, comarca responsável pelo processo.

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