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Polícia Civil conclui um dos inquéritos da Operação Clivium

Durante investigação, mais de cem pessoas foram presas por envolvimento com o tráfico e 11 indiciadas por lavagem de dinheiro

Créditos: Natalia Nissen
- Polícia Civil/divulgação

Porto Alegre - A Polícia Civil concluiu o inquérito policial que apurava o crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Clivium. A investigação central envolve uma organização criminosa relacionada ao tráfico de drogas na região Metropolitana de Porto Alegre e iniciou-se em 2014. Desde então, mais de 100 pessoas foram identificadas e presas, principalmente em Gravataí e Cachoeirinha.

Segundo o delegado Eduardo Hartz, durante a fase de lavagem de dinheiro, o procedimento contou com mais de 8 mil folhas e resultou no indiciamento de 11 pessoas. "Apurou-se que um montante superior a R$ 1 milhão foi lavado, através da aquisição de oito casas, dois apartamentos, dois terrenos, 17 automóveis, dois caminhões, uma motocicleta e um ponto comercial. Todos os bens foram adquiridos com recursos oriundos do comércio ilegal de entorpecentes, sendo a imensa maioria ocultada em nome de "laranjas."

O delegado Marco Antonio Duarte de Souza ressalta que o inquérito principal foi desmembrado em mais de 50 inquéritos autônomos e teve diversas etapas investigativas e operacionais. A investigação especializada focada na descapitalização do crime organizado contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro. Os principais líderes e gerentes do grupo criminoso continuam presos preventivamente desde 2015.

Em uma das ações policiais deflagradas durante a investigação, foi apreendido um veículo conhecido como "caveirão da morte". O carro blindado de forma artesanal era usado nos assassinatos de inimigos da quadrilha. A polícia estima que mais de 30 pessoas tenham sido mortas no automóvel e, no porta-malas, foram localizados três furos usados para escoamento de água e sangue das vítimas.

Na região

Em 2016, um policial militar lotado no Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Taquari (CRPO-VT) foi apontado pela Polícia Civil como suspeito de acessar o sistema de consultas integradas da Secretaria de Segurança Pública (SSP/RS) e repassar as informações à quadrilha de traficantes. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa dele, em Vespasiano Corrêa.

Na época, a Polícia Civil informou que o PM teria consultado informações da juíza responsável por julgar uma operação contra o tráfico de entorpecentes e os policiais vinculados ao procedimento. Esse material teria sido usado no planejamento do assassinato da magistrada, dos familiares dela e dos policiais envolvidos no caso. O plano de vingança teria sido articulado dentro do Presídio Central, em Porto Alegre, pela cúpula da quadrilha. O soldado, no entanto, alegou ter compartilhado sua senha do sistema com outros militares que justificaram necessidade operacional e que as consultas haviam sido feitas e repassadas aos criminosos por terceiros.

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