Política

Apesar de queda, Imigrante tem o maior PIB per capita da região

O índice per capita do município aponta para R$ 54.994,08.

Créditos: Luísa Schardong
Com pouco mais três mil habitantes, Imigrante se destacou como o município mais rico do Vale do Taquari em 2015 - Divulgação

Imigrante - Com pouco mais três mil habitantes, Imigrante se destacou como o município mais rico do Vale do Taquari em 2015. A cidade alcançou um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 54.994,08 - a indústria contribuiu com 49% desse total, seguida do setor de serviços, com 26%, e pela a agricultura e pecuária com 13%.

Esses e outros dados foram divulgados ontem, em uma apuração encabeçada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), em convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Juntos, os órgãos calculam e divulgam as Contas Regionais do Rio Grande do Sul e o PIB dos 497 municípios gaúchos.
Prefeito de Imigrante, Celso Kaplan (PP), comemora o resultado. "Mais uma vez, despontamos no Vale. Ficamos felizes porque mostra a força do nosso trabalho e do nosso povo", diz. "Vemos o crescimento e a expressão que municípios do interior estão tomando. Isso é uma mostra clara de que o país tem condições de fazer mais, e seguiremos com esta proposta."

Apesar dos bons números, a renda per capita de Imigrante foi maior no censo anterior, de 2014, quando chegou a R$ 69.627,00. "Depois de dois anos crise, entendemos que a queda é algo natural - a indústria sofreu muito. Apesar dessa queda de cerca de 11%, o fato de continuarmos encabeçando a lista mostra que nosso esforço coletivo não nos abalou tanto. Considerando o cenário econômico, a perspectiva continua sendo motivo de comemoração."
Aqui, além de Imigrante, mais dez cidades apresentaram PIB per capita maior que a média nacional, de R$ 29.323,58 - Arroio do Meio, Muçum, Lajeado, Westfália, Roca Sales, Estrela, Santa Clara do Sul, Teutônia, Encantado e Poço das Antas.

Segundo uma análise feita pelo IBGE Lajeado, nesses dez municípios, a principal parcela do valor adicionado provém da indústria. Três deles são exceção: em Lajeado, Estrela e Encantado os serviços superam a indústria. Já em Westfália, a agricultura e pecuária têm praticamente o mesmo peso que a indústria no cálculo do PIB.

Rio Grande do Sul
No Estado, a Capital lidera com o maior PIB: R$ 68,1 bilhões. Depois, entram Caxias do Sul, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Triunfo, Pelotas e Rio Grande. Desses municípios, Triunfo não estava entre os 10 maiores em 2014. São Leopoldo, que era o nono município em 2014, ficou fora da lista dos 10 maiores em 2015, caindo para 11ª posição. Os dez maiores municípios do Estado representaram 42% do PIB total do RS e são bastante populosos, todos com mais 100 mil habitantes.

Em termos de PIB per capita, no entanto, Triunfo se mantém na liderança, graças às atividades do Polo Petroquímico. Destaque para Pinhal da Serra e Aratiba, ambos pela atividade de geração de energia; Muitos Capões (produção de soja e milho), Tupandi (fabricação de móveis), Pinhal Grande (geração de energia), André da Rocha (silvicultura e soja), Roque Gonzales (geração de energia), Santa Margarida do Sul (soja) e Capão do Cipó (soja).
Por outro lado, os municípios que detêm os menores níveis de renda per capita são Alvorada (R$ 11.353,07), Caraá (R$ 11.408,6), Ametista do Sul (R$ 11.499,03), Barra do Guarita (R$ 11.786,37), Benjamin Constant do Sul (R$ 11.963,48), Dezesseis de Novembro (R$ 12.262,89), Amaral Ferrador (R$ 12.726,95) e Viamão (R$ 12.853,56).

Brasil
Imigrante reflete uma tendência nacional. O IBGE aponta que as capitais perderam espaço no PIB do Brasil e, no período, foram os municípios fora das regiões metropolitanas que aumentaram a participação, contribuindo com 66,9% do PIB em 2015.

A migração desse aporte, aliás, já vem desde o início dos anos 2000. De 2002 a 2015, em 20 dos 26 estados o PIB das capitais perdeu participação no PIB nacional. Em 2002, 36,1% do PIB brasileiro era proveniente das capitais dos estados, valor que em 2015 passou para 33,1%, representando uma perda de 2,9 pontos percentuais. Ao contrário, os municípios fora das capitais eram responsáveis por 63,9% do PIB e passaram a contribuir com 66,9%, um avanço de 2,9 pontos percentuais no mesmo período. De 2002 até 2014, a queda de participação das capitais é um pouco maior: 3,2 pontos.

No Brasil, 25 municípios concentram 37,7% de participação no PIB do Brasil. No sentido contrário 5545 repartem os 62,3% restantes. Este grupo dos 25 maiores PIB representam apenas 23,5% da população. Quatro municípios gaúchos estão entre os 100 maiores PIBs do Brasil: Porto Alegre (6.° lugar), Caxias do Sul (40.°), Canoas (50.°) e Gravataí (92.°). Em 2015, em comparação com 2014, Porto Alegre elevou a sua participação no PIB nacional, de 1,11% para 1,14%, e subiu uma colocação na lista geral de municípios de maior PIB do Brasil, ultrapassando Manaus (AM).

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