Política

Câmara cobra explicações de Mariela

Fala de vereadora sobre possibilidade de acordão para criação de emendas impositivas gera mal-estar no Legislativo

Créditos: Redação
- Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Lajeado - A Câmara de Vereadores de Lajeado quer que Mariela Portz (PSDB) explique uma manifestação feita na sessão da última terça-feira. A interpelação judicial é para que a vereadora detalhe o suposto acordo entre os colegas de Legislativo para aprovação de um projeto que autoriza a criação de emendas impositivas, quando os vereadores determinam onde o dinheiro deve ser investido.

Conforme o assessor jurídico da Câmara, Gustavo Heinen, a interpelação é um pedido formal de explicações. "São acusações muito graves e o presidente, Eder Spohr (MDB), ficou muito preocupado. A vereadora utilizou a expressão curral eleitoral e imputou a possibilidade que isso exista na Câmara", comenta. Segundo Heinen, para que Mariela seja convocada a emitir uma explicação formal, é preciso que o pedido seja aceito por um juiz. 

De acordo com Eder Spohr, houve uma conversa no sentido de aprovar o projeto de emendas impositivas ocorreu de fato. "A mim, não agrada essa ideia. Mas, por pior que seja o projeto, qualquer vereador pode apresentar a proposta e é papel da Câmara debater", acredita. O presidente do Legislativo diz que, se existe essa denúncia, a mesma deveria ter sido feita ao Ministério Público. "Temos muitos pré-candidatos fazendo gritaria na Câmara para ganhar notoriedade", desabafa.

A vereadora Mariela Portz afirma que ficou sabendo de um acordão para criação de cotas no orçamento para que os vereadores destinem recursos para onde bem entenderem. "Eu vou brigar contra isso. É querer legislar em causa própria, favorecer núcleos eleitorais para se perpetuar no poder", declara. Ela frisa que sempre foi contrária ao mecanismo das emendas parlamentares. "Isso é imoral e eu jamais vou apoiar esse tipo de iniciativa. Se a ideia é me calar, estão com a estratégia errada", reforça.

Relembre o caso
Na sessão de terça-feira, Mariela Portz falou sobre cotas do Orçamento municipal para uso dos vereadores. Ela disse que ficou sabendo que dentro da Câmara estaria se formando um acordão para se criar emendas impositivas. Citou o exemplo nacional, em que deputados federais dispõe de verbas para emendas. Neste ponto, ela comentou que os recursos seriam destinados aos "currais eleitorais" e que é o que estaria sendo planejado no Legislativo municipal. Chamou o ato de imoral, embora legal. Mariela afirmou que a atitude pode inibir o ingresso de novas pessoas na política, porque a destinação dos recursos para determinadas áreas, projetos ou bairros manteria os votos em quem já está na Câmara. Para ela, essa prática faz parte da velha política. Ela não citou nomes e pediu que os colegas evitem que o projeto entre em discussão na Casa. 

Nilson Do Arte (PT) teve espaço para fala depois de Mariela e comentou a questão. Ele chegou a dizer que não sabe se os vereadores estão tão errados em pensar na possibilidade de emendas impositivas.

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