Política

Eduardo Leite: "A segurança é onde o RS tem que colocar recursos"

A partir de hoje, o jornal O Informativo do Vale publica uma série de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado nas eleições de outubro

Créditos: Pedro Garcia e Ronaldo Falkenback/Gazeta do Sul
- Bruno Pedry/Gazeta do Sul/divulgação

Eduardo Leite (PSDB) é o mais jovem entre os candidatos ao governo gaúcho. Aos 33 anos, é bacharel em Direito e tem no currículo quatro anos como prefeito de Pelotas, uma das maiores cidades do Estado. É contrário à reeleição: não disputou o segundo mandato na Prefeitura e promete fazer o mesmo caso se eleja governador. Como receita para o déficit do Estado, prega reformas que mexam, inclusive, no plano de carreira do funcionalismo. Na entrevista a seguir, defende privatizações de estatais, mas descarta o Banrisul. Uma das propostas mais impactantes envolve rodovias: quer a substituição da EGR por concessões. Em uma eleição que tem como tema central a segurança pública, exalta a presença de um ex-chefe da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Júnior (PTB), em sua chapa, e propõe a criação de uma secretaria voltada à gestão penitenciária. 

Associação dos Diários do Interior (ADI) - Qual vai ser a sua estratégia para equilibrar as contas do Estado?
Eduardo Leite - Temos que atacar em duas frentes, tanto na redução das despesas quanto no aumento das receitas. É preciso observar que 79% da despesa do Estado corresponde à folha de pagamento. Então, para conter a despesa, vamos ter que discutir, sim, política de pessoal, as carreiras de servidores, estrutura previdenciária, porque da forma como está não tem sustentabilidade financeira. Mas a grande falta do governo hoje é que o ajuste fiscal está sendo feito pelas despesas, não está se trabalhando o desenvolvimento do Estado pela atividade econômica, que é tão importante quanto o controle das despesas. É preciso criar um melhor ambiente de desenvolvimento econômico, com investimentos em infraestrutura e redução na burocracia e na carga tributária. Também é estratégico para isso a melhoria na qualidade da educação e da segurança pública.

ADI - Os servidores hoje estão com os salários atrasados. O senhor vê possibilidade de acabar com os parcelamentos?
Eduardo Leite - As reformas todas serão feitas justamente para que o Estado reequilibre as suas contas e possa pagar os salários em dia. Isso será feito dentro do primeiro ano de governo. Em Pelotas, organizamos o fluxo de caixa da Prefeitura e, com isso, os servidores, que recebiam sempre no dia 5 do mês seguinte, passaram a receber dentro do mês de competência. E garantimos a reposição salarial dos servidores todos os anos.

ADI - Até onde iriam as privatizações em seu governo?
Eduardo Leite - Temos que modernizar a gestão pública e isso significa identificar onde o Estado deve efetivamente atuar. Entendo que a privatização da CEEE se impõe, pois há um déficit e para manter o seu contrato de concessão nos próximos anos será preciso um aporte de R$ 2 bilhões, o que ela não tem capacidade de fazer e não seria correto o Estado tirar recursos do Tesouro para isso. Também identificamos que não cabe a CRM e a Sulgás ficarem nas mãos do poder público. Conversei com empreendedores de Porto Alegre que relataram que leva-se até um ano para a Sulgás instalar uma rede de gás central, ou seja, ainda estamos como no tempo das telecomunicações no passado, quando se demorava muito tempo para conseguir uma linha telefônica. Essas são as empresas que eu entendo que devem ser desestatizadas.

ADI - O Banrisul, então, não está nessa lista?
Eduardo Leite - Entendo que o Banrisul deve permanecer público, porque não gera problema, não tem prejuízo e pode também servir para estimular setores da economia que interessam ao Estado, como por exemplo crédito facilitado para startups, que é uma vocação nossa.

ADI - Todas as rodovias que estão sob gestão da EGR e do Daer passariam para a iniciativa privada?
Eduardo Leite - É preciso buscar as rodovias que tenham mais interesse comercial, de acordo com o fluxo de veículos. Em alguns casos, podemos constituir polos rodoviários, em que rodovias com maior fluxo ajudem a sustentar rodovias de menor fluxo. É um modelo complexo e que precisa ser articulado no primeiro ano de governo. Mas o que entendemos é que as rodovias que estão sob gestão da EGR podem ser mais bem operadas pelo setor privado, porque assim também se desonera o Tesouro e pode-se colocar recursos em rodovias de menor fluxo, que é onde o Estado precisa estar investindo porque não há interesse comercial.

ADI - E de onde saem os recursos para isso?
Eduardo Leite - É claro que tudo isso acontece tomando como pressuposto que o equilíbrio das finanças está sendo buscado. Mas existem recursos da iniciativa privada que podem ser alcançados. É possível, por exemplo, fazer parcerias para investimentos no sistema penitenciário. Além de recursos do Fundo Penitenciário Nacional, são mais de R$ 2,5 bilhões disponíveis para projetos de novas penitenciárias. Nós entendemos, inclusive, que é o caso de constituir a Secretaria da Administração Penitenciária. É o que São Paulo faz. É preciso uma operação que demanda grande atenção e que não pode disputar espaço com outras demandas da segurança pública. 

ADI - O senhor optou por não disputar o segundo mandato de prefeito em Pelotas. Vai manter essa postura caso eleito governador?
Eduardo Leite - Sou contra a reeleição. Penso que o papel de um governador também é formar novas lideranças. Então, espero que ao final do meu governo eu tenha formado lideranças capazes de levar adiante o nosso projeto.

ADI - A segurança pública é um tema central nessa campanha, pois temos um déficit de efetivo e aumento na criminalidade. Qual sua prioridade nesse setor?
Eduardo Leite - A segurança pública é onde o Estado realmente tem que colocar seus recursos. Precisamos atuar em reposição de efetivo, pois hoje temos 16 mil policiais militares contra 32 mil que tivemos no passado. Não se pode deixar abrir uma grande defasagem durante três anos, sem repor o efetivo que se aposenta, e no último ano fazer uma incorporação em massa. É preciso fazer uma reposição responsável todos os anos. O governo hoje comemora a redução de índices que ele mesmo deixou aumentar. Precisamos também de investimento em infraestrutura e tecnologia, mas o necessário é fundamentalmente um emprego mais inteligente do efetivo, integração entre as polícias e integração entre o Estado e os municípios. E o sistema penitenciário é um ponto crucial.

 

 

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