Política

Legisladores e autoridades debatem atendimentos na saúde

Vereadores cobram explicações sobre serviços de urgência e emergência

Créditos: Rita de Cássia
SAÚDE: representantes da UPA, Secretaria da Saúde e HBB detalham atendimentos - Rita de Cássia

Lajeado - Em reunião extraordinária realizada na tarde de ontem, na Câmara, os vereadores pediram explicações sobre a forma de atendimento aos representantes da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Secretaria Municipal da Saúde e Hospital Bruno Born (HBB). O presidente da Câmara, Eder Spohr comandou a mesa composta pelo colegas Waldir Blau, Marquinhos Schefer, Neca Dalmoro, Ildo Salvi, Nelson Do Arte, Sérgio Rambo e Paulo Tori, além do secretário municipal da Saúde, Tovar Musskopf; coordenadora da UPA, Úrsula Jacobs; diretor executivo do HBB, Cristiano Dickel e o emergencista e coordenador médico da Emergência do HBB, André Pinheiro Weber. Além deles, outros profissionais da área da saúde também estiveram presentes. O encontro serviu para explanações sobre como funciona cada serviço, mas os profissionais também foram cobrados sobre a possível demora nos atendimentos. "Se não for explicado como o trabalho é feito, teremos que cortar recursos", enfatiza Blau. Ele também levou uma pessoa que contou sua experiência. O autônomo Ivanir Lenhart relatou a história de uma mulher de Canudos do Vale que chegou às 21h na Emergência do HBB e foi atendida às 7h da manhã.

Com um discurso mais apaziguador, o vereador Mozart Lopes enfatizou que a Câmara sempre foi colaboradora do setor de saúde. "São mais de R$ 100 mil por dia investidos", afirma, referindo-se à área em geral. Ele lembrou que a crise recente fez com que muitas pessoas deixassem os planos de saúde, o que também aumentou a procura pelo SUS. "Peço um voto de confiança a todos. E que o HBB volte com o atendimento de pronto-socorro."

Cobrança

O vereador Paulo Tori questionou os motivos de haver morosidade mesmo nos dias em que há menos pessoas esperando assistência, e sobre a volta do atendimento de pronto-socorro junto à Emergência. O vereador Marquinhos Schefer disse ter ouvido vários casos de suposta negligência e sugeriu a realização de visitas surpresas nas unidades para verificar a situação. Já o colega Sérgio Rambo disse temer que o problema se agrave ainda mais a partir da lei da Desvinculação das Receitas da União. Também relatou um fato ocorrido com seu pai, que esperou cinco horas por atendimento junto a outras pessoas, e que, quando souberam que se tratava de um vereador, teriam sido logo chamados. "Todos devem ser atendidos da mesma forma. Por isso, vamos ter que avaliar se vamos passar mais dinheiro", propõe.

A parlamentar Neca Dalmoro sugeriu uma maior humanização na forma de receber os pacientes, além de mantê-los informados sobre o andamento do serviço que estiver sendo prestado. Conforme a coordenadora da UPA, Úrsula Jacobs, esta é uma prática já realizada na unidade. Ainda entre as sugestões apontadas está a criação de uma linha circular específica para que os pacientes de todos os bairros consigam chegar até a UPA.

UPA

A coordenadora da UPA, Úrsula Jacobs, explanou sobre as cores que caracterizam os atendimentos: azul, verde, amarelo e vermelho, sendo que esta última significa emergência e necessidade de atendimento imediato. "A unidade atende a média complexidade. Nos casos em que não há estrutura, o paciente é encaminhado ao HBB. Em torno de 98% do que chega a UPA conseguimos resolver e em média 2% são levados ao hospital."

CPI

O vereador Ildo Salvi, que também representa a Comissão de Saúde da Câmara, entende que o problema é uma questão de fluxo. Disse que não há como prever quando haverá emergências e sempre há casos específicos. Ele também questionou se essa situação poderá ter uma solução com os recursos financeiros repassados ou se será necessária uma CPI da saúde, referindo-se às acusações sobre supostos problemas de atendimento.

HBB

O diretor executivo do HBB, Cristiano Dickel, afirmou que não é má vontade em resolver as questões. O que ocorre é que nem sempre há condições. Disse que o hospital tem limitações de capacidade técnica e de profissionais. São 52 mil atendimentos por mês, então poderão acontecer erros. "Posso afirmar que temos transparência com a UPA e com a Secretaria da Saúde, e estamos organizando o fluxo." Segundo ele, os recursos repassados pela Câmara são extremamente importantes. "Sem esses valores, o atendimento se tornaria ainda mais difícil. No último mês, foi necessário inclusive um empréstimo para pagar a folha." Dickel reafirma que há possibilidade do atendimento de pronto-socorro não voltar mais a ser feito no HBB, mas a decisão ainda está sendo avaliada pela direção.

A respeito da cobrança sobre a demora no atendimento, o coordenador médico da Emergência do HBB, André Pinheiro Weber disse que a saúde não é uma ciência exata, que as horas servem como orientação e isso é variável conforme o dia. Explicou ainda que, muitas vezes, um mesmo paciente consome atenção total por parte do médico ou da equipe. "Quem corre maior risco de morrer sempre será atendido primeiro."

A médica Sandra Cabral, que por vários anos foi plantonista da Emergência, conhece a realidade dos bastidores. "Falo em defesa dos meus colegas. Há casos em que não podemos sair de perto do paciente por este correr risco de morrer. Claro que acontecem erros, mas vejo que há exageros nas acusações. Não há monstros atendendo, e não é uma história de mocinhos e bandidos."

Secretário

O secretário municipal de Saúde de Lajeado, Tovar Musskopf, disse que, na questão das consultas e encaminhamentos via postos de saúde, as tentativas são todas feitas no município ou referências para outras cidades da região, pois, quando é de alta complexidade, buscar o serviço fora do Vale é muito difícil. Ele também sugeriu que as pessoas que, por ventura, estiverem com algum problema crônico, conversem com o médico ou enfermeiro no posto de saúde. A equipe informará a secretaria que irá buscar a solução do problema. "Nós também temos uma classificação de risco para resolver primeiro casos de maior urgência." Musskopf ainda lembrou que a UPA não tem especialistas, por isso, precisa do hospital para casos mais graves como por exemplo AVC ou infarto.

Recursos

Na sessão do último dia 27, a Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade a abertura de crédito suplementar na Lei Orçamentária de 2018 no valor de R$ 450 mil. O recurso era previsto para a sede própria do Legislativo e será destinado para atender, parcialmente, os custos provenientes da renovação do contrato de urgência e emergência mantido com o Hospital Bruno Born (HBB). O repasse será de R$ 50 mil durante nove meses. Um outro projeto com repasse de R$ 512 mil deve ser votado em breve.

Comentários

VEJA TAMBÉM...