Política

Prefeito e vice de Relvado ficam nos cargos, determina TRE-RS

Eles foram acusados de captação ilícita de votos e, se condenados, teriam os mandatos cassados e ficariam inelegíveis

Créditos: Luísa Schardong
Rizzi e Lorenzini seguem no comando do município - Prefeitura de Relvado/divulgação

Relvado - No início da semana, o Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RS) julgou um recurso movido contra o prefeito de Relvado, Odi Paulo Lorenzini, e seu vice, Clério Rizzi, ambos do PMDB. Eles eram acusados de captação ilícita de votos. O processo foi movido pela Coligação Trabalho, Crescimento e União, formada pelo PT, PDT, PP e PTB. Para os juízes, não há comprovação de conduta ilícita.

Segundo a coligação, eles teriam dado dinheiro a um eleitor em troca de votos. O crime teria acontecido durante a campanha eleitoral, no ano passado, quando cheques, com a titularidade de Lorenzini, teriam sido entregues a um eleitor. Os dois confirmam que cederam o dinheiro, mas negam que tenha sido em troca de votos. De acordo com o depoimento do prefeito e do vice, se tratava de um empréstimo, já que o beneficiado seria amigo de um dos candidatos e "esta não seria a primeira oportunidade que lhe emprestava dinheiro."

Em depoimento, o eleitor explicou que foi procurado por Rizzi, depois que este soube que seu veículo estava parado em uma oficina mecânica há longo período. Quando questionado sobre o motivo, o homem explicou que não tinha dinheiro para pagar pelo conserto. Rizzi teria então, oferecido a quantia, que não foi divulgada.
Segundo o TRE-RS, o depoimento do eleitor foi contraditório em vários momentos - ele primeiro teria dito que o dinheiro foi entregue em sua residência, mudando a versão em seguida, alegando que, na verdade, acontecera em uma praça para, depois, voltar atrás. Ele chegou a dizer que houve menção por parte do candidato de que a ajuda seria em troca de dois votos, ou seja, o dele e de sua esposa.

O homem também afirma que o valor foi entregue em cheques, que foram utilizados para retirar o veículo da oficina. Ele nega que tenha pedido o empréstimo ou que tenha frequentado a casa dos candidatos, mas confirmou a informação de que jogariam futebol juntos.

 

Decisão
O que chamou a atenção dos juízes foi o fato de que o eleitor tenha denunciado a situação somente após a divulgação do resultado das eleições, quando os representados saíram vencedores. O registro de ocorrência policial foi remetido à Polícia Federal, competente para apuração de eventual crime eleitoral. O inquérito ainda não foi concluído. "De qualquer modo, de acordo com o que está apresentado nestes autos, as provas revelam-se extremamente frágeis para acolhimento da representação proposta."

Ainda, para o TRE-RS, "embora incontroversa a entrega de cheques ao eleitor, não ficou demonstrado se o foi em troca de votos ou empréstimo. Há, nos autos, elementos de prova nas duas direções, ora pela captação de sufrágio, ora pelo empréstimo para que o eleitor pudesse pagar o conserto de seu veículo que estava na oficina."

Assim, sem provas consistentes, o Tribunal decidiu que a ação era improcedente e, por ora, os eleitos se mantêm à frente do Executivo de Relvado. Ainda cabe recurso pela Coligação, na instância do Tribunal Superior Eleitoral.

Para Lorenzini, a Justiça foi feita. "Tivemos que nos defender, e os juízes entenderam que não cometemos irregularidades. Foi um mal entendido, uma maldade e gerou comentários na cidade, na época. Mas a justiça foi feita e provamos que nada errado foi feito", garante.

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