Política

Vereadores pedem criação de CPI para investigar prefeito

Solicitação foi assinada por seis integrantes da Câmara

Créditos: Matheus Aguilar
PLENÁRIO: ficou lotado durante sessão de ontem - divulgação

Teutônia - A Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Teutônia recebeu o pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o envolvimento do prefeito Jonatan Brönstrup (PSDB) no processo relacionado à Operação Schmutzige Hände (Mãos Sujas). A solicitação é assinada por Diego Tenn Pass (PDT), Aline Röhrig Kohl (PP), Pedro Hartmann (MDB), Delcio José Barbosa (PPS), Marcos Quadros (PSDB) e Claudiomir de Souza (PP). O departamento jurídico da prefeitura está se inteirando do pedido de CPI e ainda não houve manifestação sobre o caso.

O plenário ficou lotado para a sessão de ontem, que chegou a ter alguns momentos de tensão. Em suas falas, os vereadores reforçaram o pedido por justiça e pela investigação adequada dos fatos. Delcio José Barbosa ressaltou que o município passou por um momento que nunca tinha vivido. "Há muito tempo estávamos alertando que as coisas não andavam bem. Nos causava estranheza o fato de não ter nenhuma obra de grande valor", destaca. Segundo ele, cada um dos vereadores tem obrigação de se posicionar ao lado do que é correto. "E se preciso, que a Câmara também seja investigada", finaliza.

Para Eloir Rückert (PSDB), Teutônia não merecia viver uma ação como a que ocorreu em 28 de março. "Mas os fatos estão aí, tem muitas escutas telefônicas. Na minha conduta, eu deixaria o Ministério Público terminar sua investigação, para só depois instaurar uma CPI", afirma. "Só gostaria de pedir que sejamos justos. Que a população não julgue uma pessoa que não foi investigada. Muitas pessoas honestas trabalham na Prefeitura", reforça.

Pedro Hartmann diz que este é o momento mais triste da sua história na política. "Rasgaram um pedaço da história de Teutônia no dia 28 de março", desabafa. Ele revela que será feito um pedido de impeachment do prefeito, além da instauração da CPI. "Não existe mais espaço para político corrupto. Ninguém está acima da lei. O dinheiro desviado é o que faz falta na qualidade de vida do cidadão. As investigações devem ser feitas no Executivo e também no Legislativo", complementa.

Alertas desde o ano passado

Diego Tenn Pass recorda que a oposição já vinha pedindo, desde o ano passado, mais tempo para avaliar os projetos do Executivo. "Os textos chegam dois dias antes da sessão e não se consegue avaliar a credibilidade das propostas. Pedíamos vistas e apenas dois foram aceitos", define. "Agora esta Casa também está com sua credibilidade ferida. Vamos exigir o afastamento do prefeito e apoiar todos os trabalhos de investigação", sustenta.

A vereadora Aline Röhrig Kohl parabeniza o Ministério Público pela operação. "Para mim, é uma vergonha o que aconteceu. Muitas vezes fizemos a nossa parte, pedindo vistas aos projetos que faltavam várias especificações, mas esses pedidos eram derrubados. Agora vamos encaminhar, além do pedido de CPI, o pedido de cassação e impeachment. Que quem aprontou, pague por isso e devolva cada centavo aos cofres públicos", alerta.

Keetlen Janaína Link (PSD), concorda que ninguém mais admite corrupção e o favorecimento pessoal. "A gente não deve se calar diante das suspeitas. Não vou me calar como vereadora nem como cidadã. Eu não tinha conhecimento desses fatos e, por isso, fica o sentimento de traição", comenta. "Espero que quem usou do dinheiro e dos benefícios que são da população, que pague e pague caro no limite máximo da legislação. Estarei a favor da CPI ou da comissão processante", adianta.

Secretário explica pedido de exoneração

O secretário de Planejamento e Mobilidade, Ricardo Wagner, concede entrevista coletiva às 11h de hoje para explicar os motivos de sua exoneração. Ainda não se sabe se a saída é iniciativa dele ou do prefeito Jonatan Brönstrup, nem se está ligada à operação Schmutzige Hände (Mãos Sujas).

Relembre o caso

Quatro pessoas foram presas preventivamente e cinco conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos durante uma operação coordenada pelo Ministério Público (MP), na manhã de 28 de março. Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Núcleo de Inteligência do MP (Nimp), Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado (TCE) também participaram da ação.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em departamentos da prefeitura, na empresa de um dos suspeitos e nas residências de dois investigados. Conforme o MP, as investigações iniciaram-se há cerca de três meses, a partir de informações sobre suspeitas de desvios na atual gestão. São apuradas possíveis fraudes e direcionamentos de licitações (escolha de vencedores), pedidos de propina a fornecedores do município, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades ocorridas durante o ano passado. Relembre mais sobre o caso clicando aqui.

Comentários

VEJA TAMBÉM...