Política

Vereadores solicitam explicações sobre o Banco de Sangue

Estado reavalia encerramento do serviço, mas ainda há dúvidas sobre números

Créditos: Rita de Cássia
Reunião das comissões aborda questão do Hemovale - Rita de Cássia

Lajeado - O esforço das autoridades locais surtiu efeito junto ao governo do Estado, que reavalia a questão do Hemovale. Uma readequação centralizaria os serviços de coleta e distribuição em Porto Alegre e poderia provocar o encerramento do Banco de Sangue local. Outra preocupação está relacionada à inexistência de um contrato entre Estado e Hemovale. A reunião das comissões realizada na manhã de ontem, na Câmara de Vereadores, ouviu esclarecimentos do secretário municipal da Saúde, Tovar Musskopf, e o titular da 16ª Coordenadoria Regional da Saúde, Ramon Zunchetti. A representante do Hemovale, Roberta Lazzaretti, não compareceu devido a outros compromissos profissionais agendados. "Peço desculpas pelo transtorno e informo desde já que tenho interesse em esclarecer as dúvidas dos vereadores", afirma ela, em nota. Também estiveram presentes os vereadores Mozart Lopes, Mariela Portz, Eduardo Ranzi, Neca Dalmoro, Nilson Do Arte e o presidente da Comissão da Saúde, Ildo Salvi.

 

Riscos - Bastante criticada após expor em redes sociais as negociações para reverter a possibilidade de término do serviço do Banco de Sangue na região e centralização na capital, a vereadora Mariela Portz questionou o secretário municipal da Saúde, Tovar Musskopf, sobre os reais riscos para a população caso o Hemovale deixasse de atender os 22 hospitais do Vale. Segundo ele, a equipe técnica do Hemorgs afirma ter condições de atender a demanda, mas não gostaria de ficar refém da necessidade de ter de ir buscar o sangue em Porto Alegre. "Falei com várias pessoas e todas tiveram o mesmo entendimento de que já era algo definido, tanto que uma comitiva do prefeito Marcelo Caumo, direção do Hospital Bruno Born e Hemovale foi até a Secretaria Estadual da Saúde para reverter a situação. Então, é essa clareza que queremos", destaca Mariela. Musskopf também apresentou dados enviados pelo Hemovale, referentes às coletas e transfusões, além de explanar as tentativas de manter o serviço em Lajeado. Uma nova reunião deve ocorrer na capital no mês de novembro. "Espero que o Estado reveja e que seja a favor da permanência do serviço como está", afirma.

Para o vereador Ildo Salvi, embora tenham ocorrido críticas, o fato é que havia o risco de fechar, ou seja, concentrar o atendimento em Porto Alegre e Hemorgs. "Devido à repercussão, a situação foi revista. Então, não venham me dizer que não vai morrer gente caso o Hemovale feche, pois quando a pessoa precisar de uma bolsa de sangue, a logística de buscar na capital complicaria", destaca. "O Estado precisa regularizar essa situação. Não podemos deixar que o nosso Vale fique refém da capital ou outras regiões. Espero que seja feita a melhor negociação possível."

 

Fato

No final de agosto, ocorreu uma reunião entre o Estado e os hospitais na qual a parceria, ou medida judicial, com o Hemovale poderia ser encerrada e todo o sangue e plaquetas teriam que vir de Porto Alegre - não apenas para o HBB mas, mas para todos os outros 21 hospitais da região. "A informação que chegou até a Sesa era de que toda a coleta teria que ser feita na capital e que Lajeado teria que ter um local de armazenamento desse sangue. Ficou a dúvida de como iríamos buscar esse material. Se seria a Sesa, o hospital ou se o Estado traria para nós, mas a conversa não chegou a evoluir para esse estágio", explica o secretário municipal da Saúde, Tovar Musskopf. Uma nova reunião deverá ser agendada para o próximo mês. "A minha opinião é que o banco de sangue se mantenha aqui. É importante ver a questão dos números coletados", afirma.

 

Pronto Socorro

Aproveitando a presença do Secretário Municipal de Saúde, Tovar Musskopf, os vereadores voltaram a questionar a porta fechada do pronto socorro do Hospital Bruno Born (HBB) - que alterou a forma de atendimento desde 1º de abril, quando um homem ateou fogo no local. Segundo Musskopf, a questão está sendo avaliada em reuniões com o promotor Sérgio Diefenbach. "Estamos tendo reuniões para compreender a situação", afirma Diefenbach.

 

Postos

A vereadora Neca Dalmoro pediu para que sejam tomados cuidados na forma como divulgar os fatos para não provocar pânico nas pessoas, quando uma situação ainda está sendo discutida. E aproveitando a presença do secretário municipal da Saúde, Tovar Musskopf, sugeriu abertura de algum posto de saúde aos finais de semana ou horário ampliado em dias de semana, para desafogar a fila da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além de facilitar o acesso para a população. Musskopf, acredita que seria positivo, mas necessária uma reavaliação em relação aos valores, uma vez que hoje o custo mensal para manter um posto de saúde aberto é de cerca de R$ 100 mil - o que aumentaria com adicional noturno.

 

Negociação

O titular da 16ª Coordenadoria Regional da Saúde, Ramon Zunchetti, afirmou que o Estado não vai fechar nada. "A nossa lida diária é com vidas. Então, não seria tomada nenhuma decisão sem antes esgotar todas as possibilidades de negociação. Outro ponto importante é a falta de documento formal entre o governo e o Hemovale. "Não há contrato. Os pagamentos são feitos por indenização. São valores referentes a mil bolsas por mês, sendo que com a readequação e contrato, voltariam a ser de 700. Já o Hemovale teria pedido o aumento via ação judicial, mas o Estado teve ganho. De qualquer forma, acredito que ambas as partes estão imbuídas em encontrar uma solução", explica.
O vereador Mozart Lopes questionou Zuchetti, a respeito do repasse de valores do Estado para o Hemovale - referentes ao reembolso do governo que é de dez mil bolsas, sendo que seriam utilizadas cinco mil. "Esses valores estão sendo reduzidos, pois a medida juficial caiu. Então o valor irá voltar ao que era antes, ou seja, mil mil bolsas mês."

 

Relembre o caso

Uma proposta apresentada pelo governo do Estado de assumir o serviço de coleta e repasse de sangue aos hospitais do Vale do Taquari gerou preocupação e algumas contradições. Conforme a diretora administrativa do Hemovale, Roberta Lazzaretti, a informação do Estado foi repassada em reunião realizada em 4 de setembro, na 16ª Coordenadoria Regional da Saúde (CRS), com a presença de representantes do Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs). Após a repercussão, em nota a Secretaria Estadual da Saúde garantiu nenhuma ação para reestruturar da Hemorrede será efetivada sem antes ouvir as prefeituras e as comunidades.

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