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Navegar é preciso para cumprir uma Jornada

Gilberto Alves Soares [email protected]



Vivemos a era da informação, definição simplista para um momento que se repete a cada mudança radical. Todas as grandes civilizações criaram eras de informações para prevalecer. E começaram por melhorar os seus domínios com a apropriação do saber dos dominados. Superaram os próprios limites para capturar o conhecimento que lhes desse uma identidade capaz de moldar o mundo de seu tempo. Assim, distinguiam a fragilidade de sociedades sustentadas apenas pelo brilho do ouro, prata e o sabor das especiarias. Ocorreu por inteiro com o grande império romano; em parte, com Portugal das grandes navegações.

PASSO. "Uma grande caminhada começa com um simples passo" é uma frase atribuída a Buda. Por ser atemporal, aplica-se à decisão de Alexandre, após o assassinato de seu pai, Felipe. O jovem macedônio, em vez de recuar, deu um passo e montou em Bucéfalo, para conquistar o Ocidente, nordeste da África e Ásia. Talvez, por ser pupilo e Aristóteles, integrou-se à cultura dos conquistados, tornando-se Magno.
Reunir o saber do mundo é estratégico para criar diferenças hegemônicas. O infante Dom Henrique, convicto de que a Terra era redonda - terraplanistas desconhecem a história -, reuniu o saber náutico em Sagres. Diante de uma Europa desesperada pelo fechamento do Estreito de Bósforo pelos otomanos, investiu para atrair cartógrafos, astrônomos, navegadores, construtores navais. Os melhores. O lugar ficou reconhecido como Escola de Sagres e porto dos novos argonautas. A riqueza das informações acrescentou um conhecimento singular a Portugal, que já dominava a cabotagem - em águas costeiras. A nova tecnologia introduziu segurança à travessia do Cabo das Tormentas - que virou da Boa Esperança. De quebra, os patrícios "acharam" o Brasil pelo caminho - belo prêmio adicional, pois, pois.

RECEITA. Essas lições do passado, inspiraram a criação da Jornada AlimentaAção. Sabíamos que haveria uma surpresa inicial. E mais: que a surpresa seria sucedida pela incredulidade. Encaramos as reações como resistências naturais a uma empreitada que se revelava extremamente ousada. E trabalhamos para encontrar uma receita palatável para a ideia. Ligamos a qualidade profissional do Grupo Técnico em Alimentos (GTA) a um conjunto de eventos para conectar a diversidade do setor alimentício. Feito isso, escolhemos um lugar para proporcionar a imersão dos participantes. Definidos os caminhos, abrimos espaços para experiências únicas para técnicos, professores, trabalhadores, estudantes e empresários do setor da alimentação. E lá se foram quatro dias diferentes transcorridos nesta semana que finda.

PORTA. Essa terceira Jornada atraiu expositores multinacionais e empresas brasileiras diferenciadas para Lajeado. O valor das organizações e a riqueza da programação destacaram o Vale do Taquari no mapa nacional do setor. Foram 34 palestras instigantes, provocações e desafios. Trabalho de pensadores preocupados em advertir sobre o presente que pensávamos futuro; e apresentar um futuro, que imaginávamos ficção científica.
A ousada proposta de criar uma ferramenta de transformação regional avança com rapidez surpreendente. O evento de três vértices _ segurança alimentar, qualidade e inovação _ cresceu como conceito. Confirma-se como ambiente para a troca de ideias, colaboração e negócios. E, certamente, vai proporcionar outros momentos e oportunidades para ampliar a rede criada espontaneamente.
Concluo com a metáfora que me persegue: a soma de informações gera o conhecimento para abrir a porta para o futuro. Cabe a todos a responsabilidade de seguir em frente nesta grande jornada. Retroceder, jamais.


Gilberto Soares

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