Reportagens Especiais

Elas deram a volta por cima

Jovens compartilham suas histórias


Vale do Taquari - Quem vê o sorriso no rosto de três belas mulheres nem imagina o sufoco que passaram alguns anos atrás. Com jogo de cintura, muita fé e um bocado de determinação, elas mostraram que é possível superar as dificuldades, e o melhor: sem deixar a vaidade de lado. Ana Paula Zago (21) teve leucemia quando criança, agora, adulta, trabalha como modelo e fotógrafa. Gabriela de Brum (28) chegou a pesar 136 quilos, mas hoje usa manequim 38 e é nutricionista. E Keli Horn (30) encontrou nos cães abandonados a força que precisava para vencer a depressão. Elas são bonitas, jovens, e o melhor, superaram os momentos difíceis e, hoje, ostentam um sorriso de superação.

Da leucemia à coroação de Musa
Ana Paula Zago é fotógrafa há cinco anos e já ostentou o título de Musa do Clube Esportivo Lajeadense. A morena de olhos verdes hoje possui cabelo comprido, bem diferente da época em que enfrentou várias sessões de quimioterapia por conta da leucemia, doença descoberta quando tinha apenas 3 anos de idade.
Ana conta que tudo aconteceu de forma rápida, pois ela sempre estava doente e fraca. Os médicos medicavam e a mandavam embora. Até que um dia seu pai se irritou e exigiu exames, explicações. Então foi detectada a leucemia. Até seus 12 anos, a rotina era só hospital e muitos, mas muitos medicamentos, e a quimioterapia pesou na cabeça dela, que ainda era uma garotinha que sentia a dor da perda, tanto dos cabelos quanto do lazer, das brincadeiras, de correr e se divertir como qualquer outra criança de sua idade.
Ana revela que a quimioterapia foi um sucesso e que não precisou de transplante de medula. "O grupo leucêmico de Lajeado tornou-se minha segunda família, onde deram o total apoio para meus pais. Sou muito grata a eles. E agradeço aos meus pais por conceber minha vida duas vezes, pois sem o apoio deles e a persistência, quem sabe hoje eu não estaria aqui."
Passados os dias de sofrimento e dor, Ana diz que aprendeu com a vida a ter fé e que ninguém deve baixar a cabeça nos momentos difíceis. "Devemos lutar e nunca desistir. Foi assim que eu me tornei uma guerreira. Venci a batalha que a vida me impôs, e hoje estou aqui feliz da vida e orgulhosa de mim mesma."
Ana se forma no fim do ano e diz que seu maior sonho é seguir a profissão de fotógrafa, ser uma profissional bem-sucedida, casar com seu noivo para juntos formarem uma família. "O resto se conquista."

Mais Ana
Qualidade: persistência
Defeito: brabeza
Signo: Peixes
Religião: católica
Time: tem o coração dividido entre Grêmio e Lajeadense
Hobby: "Sou uma mulher muito vaidosa, adoro malhar, me arrumar, estar sempre bem linda. Afinal, todas nós devemos nos valorizar".
Uma frase: "Vontade de viver, de vencer. Posso resumir minha vida a isso. Sorriso no rosto, fé em Deus, porque a vida é linda e não podemos desperdiçar um segundo dela".

Sem medo da fita métrica
Loira, alta, manequim 38, olhos verdes e superantenada em moda e em tudo que diz respeito à estética e à beleza. Esta é a nova Gabriela de Brum (28). Recém-formada no curso de Nutrição, ela fechou a boca para as tentações e hoje é exemplo de força e superação. O resultado de todo o seu esforço pode ser conferido na balança.
As gordurinhas fo­ram aumentando, e "Gabi" chegou ao seu extremo. Com 136 quilos e com sua autoestima lá embaixo, ela precisava de ajuda. Em 2006, estava em depressão, largou a faculdade de Comércio Exterior, não tinha vontade para nada, só ficava dentro de casa e sempre comendo. Foi então que sua família, muito preocupada com a situação, marcou uma consulta com um especialista que sugeriu fazer uma cirurgia bariátrica. Aprovada a ideia, Gabi teve que se adequar à dieta. Durante um mês só ingeriu líquidos e pastas. Um mês depois já eram 15 quilos a menos.
Gabi revela que, com o passar dos meses, cada dez quilos perdidos representavam uma vitória e um incentivo para continuar. "Quando saí dos três dígitos foi êxito total", conta. "Em um ano estava com 85 quilos que, na verdade, eram a meta do meu médico." Com o resultado satisfatório, Gabi resolveu fazer suas duas primeiras plásticas e, depois disso, decidiu ingressar no curso de Nutrição. "Para mim não bastava, já que tinha chegado até ali, queria mais, queria corpo de modelo. Foi então que em um ano perdi mais dez e cheguei aos 75 quilos, treinava pesado e assim fiquei por dois anos."
Mas ainda não satisfeita com o seu corpo e com gana de realizar o sonho de ter a silhueta fina e elegante, Gabi resolveu emagrecer e ficar estilo manequim. "Este ano emagreci 12, chegando aos 63 quilos, e estou completamente satisfeita e feliz com meu corpo." Para poder ajudar pessoas que passam pelo mesmo dilema, Gabi estudou e, hoje, é nutricionista. "Sei o que os obesos passam e quero poder ajudar as pessoas a não chegar ao extremo como eu. Como já fui gorda, sei como se sentem, as recaídas, as frustrações. Acredito que isso me fará diferente de outros profissionais, pois já estive do lado de lá e hoje estou do lado de cá."

Mais Gabi
Qualidade: determinação
Defeito: perfeccionista
Signo: Sagitário
Religião: católica
Time: colorada fanática
Hobby: malhar
Uma frase: "Nunca desista dos seus sonhos, corra atrás, tropeços todo mundo sofre. Levante e siga em frente, acredito que Deus tenha um plano para todos nós, e se passamos por certas dificuldades, é para aprender algo ou para nos tornar mais fortes. Hoje sou feliz, me amo, estou realizada profissionalmente, completamente apaixonada pelo meu namorado. Como em um conto de fadas, tive meu final feliz."

As quatro patas que curaram a depressão
Keli Cristiane Horn (30) não pode ver um cãozinho que já fica com vontade de levá-lo para casa. Apaixonada por cachorros, ela tem motivos de sobra para manter tantos bichinhos em casa e reserva várias horas do dia para dar carinho a eles, além, é claro, do grandioso trabalho que faz com as voluntárias da Associação de Proteção aos Animais São Francisco de Assis (Apasfa).
A história de ligação entre Keli e os cães começou em um momento frágil de sua vida. Em 2007, a loira de olhos verdes entrou em depressão. Ela descreve que sua vida não fazia mais sentido e que a dor e angústia tomaram conta dos seus dias. "Vivia dopada de comprimidos que só pioravam, não tinha vontade de fazer nada, não via solução para problemas, que pareciam enormes e sufocantes. Só tinha vontade de morrer, mas nunca pensei em suicídio, mas sim me ajoelhei e pedi a Deus para morrer."
Sem perspectiva para nada, Keli caminhava sem rumo quando a cura chegou em uma rua qualquer. "Peguei dois filhotes de um vizinho que os maltratava. Quando criança sempre quis ter um cão, mas meus pais eram contra. A primeira cadelinha que fui ter foi aos 9 anos de idade. Esses dois cãezinhos me fizeram ter uma razão para viver novamente."
Keli diz que daquele dia em diante, ela encontrou a alegria de viver, largou os comprimidos, e o que antes a aborrecia, ela passou a encarar de outra forma, sem dar muita importância. "Infelizmente, três meses depois, um dos filhotes contraiu parvovirose e faleceu. Novamente foi terrível, me engajei na causa da proteção aos animais e, com um novo emprego, fui superando a perda."
Na época, Keli tinha apenas dois cães, atualmente tem dez e todos com uma história para contar. "Hoje sou voluntária da causa, e o que eu puder e estiver ao me alcance, faço pelos bichos, desde recolher cães machucados ou podres de sujeira, mandar para pet, encaminhar para adoção, tudo gasto do meu bolso. Me acalma a alma sentar com meus cães que fazem a festa com o carinho que recebem diariamente."
Keli diz que hoje está curada e que se pudesse voltar no tempo teria entrado antes na defesa da causa dos cães abandonados e maltratados. "Meu maior sonho hoje é me curar de um problema de saúde decorrente do problema psicológico e ter uma maior condição, não só financeira, para poder cuidar melhor dos bichos, como também das autoridades e órgãos competentes que muitas vezes não nos ajudam da forma como teriam que fazer."

Mais Keli
Qualidade: amar e respeitar os animais
Defeito: impaciência
Signo: Virgem
Religião: acredita em Deus
Time: Grêmio
Hobby: Ajudar os cães abandonados
Uma frase: "Sonho com o dia em que as pessoas irão se conscientizar que toda forma de vida tem sua importância e que cada animal vivo sente a mesma dor que todos nós e eles merecem respeito".

Carolina Gasparotto
[email protected]

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