Reportagens Especiais

Marcha ganha reforço de alunos

Mobilização leva 200 às ruas. Na região, 30 escolas estão paradas, e número tende a chegar a 40 amanhã


Lajeado - Passada a pancada de chuva da manhã de ontem, estudantes e professores se puseram em marcha do Bairro São Cristóvão até o Centro da cidade: cartazes, apito, sineta, nariz de palhaço e chapéu de aniversariante. Não era dia de parabéns, mas de luta. E ao contrário da greve do fim do ano passado, que fracassou por falta de apoio de pais e professores, a paralisação de três dias angariou adeptos.
Na região, 30 escolas estão totalmente paradas, segundo a Coordenadoria Regional de Educação. Amanhã, a mobilização tende a atingir 40, quando os professores rumam a Porto Alegre para protestar. Segundo a CRE, em 52 educandários da região as aulas foram normais ontem. O Cpers discorda e estima uma paralisação total de metade das mais de 90  instituições estaduais do Vale do Taquari.
"Nós estamos aqui porque não queremos que a paralisação passe de três dias", frisa o estudante Gabriel Sousa Garcia (16), em apoio ao magistério. Sua sala, na Escola Erico Verissimo, ficará vazia até amanhã. "Se os jovens são o futuro, então nos deem o futuro." A colega Stefani da Silva Pereira (14) empunhava a bandeira amarela do Cpers. "Se eles ganharem mais, poderão nos ensinar melhor."
Professores e funcionários de escolas de Lajeado, Estrela, Progresso, Bom Retiro do Sul e Canudos do Vale se concentraram no fim da passeata em frente do Castelinho. Estudantes de grêmios estudantis tinham o discurso na ponta da língua: a solidariedade à valorização dos professores foi maior do que a chuva do dia.
O Cpers regional não divulgou o nome das escolas paralisadas por medo de represálias. A Coordenadoria Regional de Educação assegurou que os grevistas não sofrerão punições. "Não existe ameaça de corte de ponto. É preciso que os professores registrem no livro a condição de grevista para aqueles que assim se declararem", acentua a coordenadora pedagógica Sandra Ahlert.

Hoje tem mais
As manifestações continuam hoje, às 9h, em frente do Cpers. Os professores de Estrela farão campanha na praça pelo piso e pela valorização da categoria. Em Cruzeiro do Sul, a mobilização se dá à tarde.

Estado exige
recuperação total

Segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado da Educação, ontem, 27% das escolas estaduais paralisaram totalmente as atividades, e 24%, parcialmente. A rede pública estadual conta com 2.572 educandários e 1.118.319 alunos.
A Seduc orienta que seja feito o registro dos grevistas e disponibilizado o registro do ponto dos professores e funcionários que, efetivamente, estiverem cumprindo sua carga horária e regime de trabalho. Exige ainda que as aulas interrompidas sejam totalmente recuperadas.

Personagens do movimento
Bruna, de aluna, virou professora

Perfil mignon, rosto juvenil e com jeito de aluna, a professora Bruna Martinez (20) ingressou no quadro de docentes do Estado no ano passado e participa de sua primeira passeata. "Antes era espectadora do movimento, agora estou junto." Sua escola no Bairro Conservas tem sido seu aprendizado. "Estou iniciando na carreira e admiro quem luta por seus direitos. Vou até o fim."

Rosângela, salário a conta-gotas
Os três quilômetros de caminhada serviram para dar visibilidade à luta e tiveram um acessório a mais: os guarda-chuvas. Mas foram os "apitaços" que chamaram a atenção. No meio do ruído, Rosângela Petter declarou: "Não queremos reajuste, queremos o piso". A pressão pelo salário de R$ 1,451,00 ganhou voz no meio do barulho. O piso é reconhecido em lei federal. Rosângela há seis anos vê correções de salário minguadas: "Tenho aumento a conta-gotas há uns bons anos".

Pedro, o idealista
Pedro Portella estuda no maior colégio público da região: o Presidente Castelo Branco (Castelinho). Foi defronte do estabelecimento que fez um discurso entrecortado pela falta de fôlego e pelo acúmulo de idealismo. Pedro não luta só pelos professores. Com 16 anos, pouca idade e muita ideia, já foi a Goiânia e a Brasília "brigar" para que o governo invista 10% da riqueza do país na educação. Hoje, a União aplica 7%. O Rio Grande do Sul ainda menos, 3%. A batalha de Pedro é pela educação com futuro.

Vinte ônibus
Desde o primeiro dia de paralisação, o sindicato dos professores organiza a viagem da classe a Porto Alegre, na assembleia decisiva desta sexta-feira. Vinte ônibus foram escalados: a estimativa é de que pelo menos 600 pessoas participem do ato. A Coordenadoria Regional de Educação reconhece que haverá um esvaziamento das aulas. Na sexta, 40 das 90 escolas devem amanhecer totalmente paralisadas.

Paralisadas
- A Coordenadoria Regional de Educação contou 30 escolas completamente paradas.
- Oito pararam parcialmente (aulas até o intervalo).
- 52 estão em aula.
- Na sexta-feira, 40 escolas devem parar totalmente em apoio ao ato em Porto Alegre.

Nadine, o espanto que levou à indignação
De Bom Retiro do Sul, Nadine Eidewein, carregava uma faixa pelos seus mestres.  "Quando os professores me falaram o que ganham, eu não consegui acreditar. Ou o governo dá o que é justo ou o país para."

MARCHA NADINE

Luzia, a combativa

Luzia Hermann é representante do Cpers da região e amanhece nas escolas unindo as forças do magistério para uma luta que considera histórica. Na sexta-feira, vai estar junto às negociações em Porto Alegre. Um combate que não arrefece.

Andréia Rabaiolli

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