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Marilene: o câncer tem cura, sim

Dia Mundial do Câncer: diagnóstico não é sentença de morte, e fé tem valor no tratamento

Créditos: Rodrigo Nascimento e Thaís Presser
- Lidiane Mallmann
Vale do Taquari - Era uma noite de domingo, no outubro quente em Lajeado de 2009. Marilene Souza de Oliveira (49) voltou do culto na igreja acompanhada do marido.

Pensando na correria da segunda-feira seguinte, o casal foi dormir depois da oração. Na cama, o esposo de Marilene percebeu que o seio esquerdo da esposa estava diferente, havia nele um caroço.

A partir daí, a consultora de aluguel viu seu mundo desabar. Acostumada a só trabalhar, ela precisava aprender a lidar com um nódulo de sete centímetros - e já no estágio quatro.

Marilene havia sido tocada por "aquela doença". "Quando a gente era criança ouvia falar que as pessoas ficavam doentes com aquela doença, não se gostava nem de falar o nome."

Com exames de rotina em dia, Marilene foi surpreendida pelo câncer. "Foi um período muito estressante da minha vida. A minha cabeça estava tumultuada, aquela situação estava desgastante, meu corpo tentou me dar um aviso."

Ela explica que nunca esperava ter câncer de mama. Amamentou os dois filhos por mais de um ano no peito, pensava ela que isto seria argumento suficiente para não ficar doente.

O tratamento
Marilene começou pela quimioterapia. As oito sessões antes da retirada do nódulo abriram o caminho para ceifar o câncer. Porém, levaram embora seu cabelo. O tumor retrocedeu, ela retirou 40% da mama e passou por 33 sessões de radioterapia.

Até aí, tudo tranquilo. Para não deixar vestígios do câncer, ela precisou tirar os linfonódulos do braço esquerdo. "Passados três anos, meu braço começou a inchar, mas não tem problema, eu faço fisioterapia e está tudo certo. Ouvir que estava curada do câncer foi a glória. Porque Deus capacitou os médicos, e meu deu fé para continuar."

O diagnóstico de estar livre daquela doença saiu no ano passado. Passado todo o tratamento e as consequências dele, Marilene planeja. Prepara-se para finalizar a reconstrução da mama, em um procedimento no qual será retirado tecido do abdômen para implantar no seio. "Vai ser tipo uma lipo, eu vou ficar mais linda ainda."




A realidade
Em 2016, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimou 295,2 mil novos casos em homens e 300,8 mil novos casos em mulheres. De acordo com o oncologista do Hospital Bruno Born, Leandro Brust, estes dados ainda não foram confirmados, mas pode-se afirmar com certeza que estão abaixo da realidade.

Ele comenta que, em nível nacional, em homens, os tumores mais comuns são de próstata, pulmão e intestino. Nas mulheres os tipos mais comuns são de mama - igual ao que Marilene venceu -, de colo de útero e de pulmão.

"Já para o Rio Grande do Sul foram estimados 6 mil novos casos de câncer de próstata, 5,2 mil novos casos de câncer de mama, 3,1 mil tumores no intestino (cólon e reto) e 4,2 mil novos casos de câncer de pulmão", relata Brust.

Segundo o oncologista, dados pormenorizados da nossa região ainda não estão disponíveis, mas seguramente estamos diante desta mesma lógica estatística. "Ressalta-se aqui a altíssima incidência de tumores de pele, causada por exposição solar sem cuidados, muitas vezes relacionados à agricultura, e mais aqueles relacionados ao tabagismo e álcool como câncer de pulmão, cabeça, e pescoço e esôfago."

Brust diz que o câncer de mama também é muito presente no Vale do Taquari, principalmente pela questão da etnia europeia.

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