Reportagens Especiais

Pelo piso nacional, 600 professores protestam hoje em Porto Alegr

Antes do meio-dia, educadores embarcam em frente das escolas paralisadas


Porto Alegre - Em toda a região, dezenas de professores amanheceram paralisados pelo segundo dia de mobilização nacional. A cena-destaque de ontem foi em Estrela. Professores, funcionários e alunos permaneceram em vigília na Praça Mena Barreto, na frente da sede do sindicato da categoria. Com cadeira, chimarrão, bandeiras e jornal na mão, os professores esquematizavam a caravana de hoje, que parte com 20 veículos entre ônibus, vans e micro-ônibus. Pelo menos 600 educadores vão pressionar Tarso.
Ontem, a praça em Estrela esteve lotada de camisas amarelas, símbolo da categoria. O dia em acampamento serviu para "alinhavar" o comboio de mestres e educadores que rumam hoje para Porto Alegre. O ato público unificado com outros trabalhadores em frente do Palácio Piratini está marcado para as 14h30min. Partem veículos dos 30 municípios da região. No maior colégio estadual do Vale, o Castelinho, a saída em frente da instituição é as 11h30min, mesma hora da saída do coletivo da Escola Nicolau Müssnich, em Estrela. Bom Retiro do Sul, Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul e Encantado participam do comboio que vai lutar pelo piso do magistério.
Ontem, na vigília na praça, a diretora do 8º Núcleo do Cpers/Sindicato, Luzia Hermann, salientou que a mobilização é a mais forte dos últimos cinco anos. O Cpers estima que a paralisação nacional dos professores ganhou adesão de aproximadamente 80% da categoria no Rio Grande do Sul. Segundo Luzia, mesmo aqueles professores que não pararam foram orientados a não ter aulas hoje, em apoio ao ato.
A Coordenadoria Regional de Educação reconhece que hoje as aulas em colégios sofrerão uma queda. Segundo Luzia, a paralisação ganhou impulso por estar embasada legalmente não somente no salário que é justo, mas no piso determinado por lei. Os três dias mostraram ser estrategicamente eficazes, porque não é difícil recuperar aulas em curto período de tempo. Sem prejudicar o calendário letivo, pais e alunos se solidarizaram e saíram às ruas, dando apoio.
Em nota, a Secretaria Estadual da Educação orienta diretores a manter escolas abertas, "respeitando a opção do professor e funcionário, garantindo tanto o direito à greve quanto o direito ao trabalho".
A categoria exige o pagamento do piso nacional do magistério, fixado em R$ 1.451 pelo Ministério da Educação. O Rio Grande do Sul tem o piso mais baixo, ficando próximo de R$ 800. O governo sinalizou um mínimo de R$ 1.260 em 2014, mas os docentes pressionam Tarso para fazer valer a decisão judicial.

Chimarrão, leitura e protesto
Grande parte da vigília dos professores na praça de Estrela era formada por mulheres, algumas com décadas de magistério, que todo ano sofrem as agruras do ofício. Funcionários que não ensinam propriamente dentro das salas também estavam presentes e ajudam a lotar os ônibus que rumam à capital. As professoras buscaram a sombra das árvores para se sentar e esquematizar o comboio. Elas acompanhavam as notícias da paralisação pelos meios de comunicação. Adriane Schardong leu, conferiu e reiterou: "Se o piso é lei, o governo tem de pagar". Observa que a televisão deveria ter dado maior cobertura para a mobilização.
Com o chimarrão na mão e o discurso na cabeça, a professora Márcia Hoffmann se prepara para a viagem de hoje. Ela estará em frente do Piratini. "Vou porque é importante. O piso é lei, e este é um direito que deve ser respeitado."

Irmãs protestam por falta de professores

Enquanto dezenas de professores se concentravam na luta pela valorização profissional, duas irmãs, em vigília na praça, possuíam motivação a mais para participar da luta. Andressa Dutres (14) e Andrieli Dutres (14) estavam ali para protestar pela falta de professores em sala de aula. Alunas do 1º ano do Ensino Médio da Escola Vidal de Negreiros, em Estrela, relataram escassez de mestres em quadro disciplinas. "É prejudicial. Depois teremos de recuperar. Pedimos ao governo que mande mais professores e aumente o salário deles."
A diretora da Escola Vidal de Negreiros, Marlei Steffens Heiernann, reconhece que não havia professor de Geografia para o Ensino Médio. Esclarece que a ausência foi solucionada ontem.
Em nota enviada no fim da tarde ao jornal, a coordenadora Marisa Cecilia Wickert Bastos ressaltou que não há falta de docentes na Vidal de Negreiros. A situação foi gerenciada com remanejamento. "O professor disponível no sistema informatizado de gestão de recursos humanos não pode atender pela manhã este ano porque assumiu cargo em uma escola municipal. Os alunos, segundo informações da direção, estão sendo atendidos até outro professor se apresentar."
Em nota, Marisa destacou que na região não há situação que se configure como falta de professores. "Temos 90 escolas que estão supridas. Casos de desistência, exoneração e licença-saúde terão que ser tratados pelos Recursos Humanos da Coordenadoria Regional de Educação."

Panorama nas escolas
- Ontem, as 30 escolas totalmente paradas permaneceram sem aulas
- A Coordenadoria Regional de Educação estima que 40 escolas vão parar totalmente em apoio ao ato em Porto Alegre: dez escolas a mais paralisadas, em relação aos primeiros dois dias de mobilização
- Desde o primeiro dia de paralisação, o sindicato dos professores organiza a viagem da classe a Porto Alegre, na assembleia decisiva de hoje. Vinte veículos foram escalados: a estimativa é de que pelo menos 600 pessoas participem do ato

Andréia Rabaiolli
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