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Saúde emocional: chave para a qualidade de vida das mulheres

Segundo Organização das Nações Unidas (ONU), depressão e ansiedade podem atingir 30% das pessoas do sexo feminino

Créditos: Carolina Schmidt
- Lidiane Mallmann

Lajeado - Neste Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre a saúde feminina pauta rodas de conversa e atividades para celebrar a data. A preocupação com a prevenção é um passo importante para a qualidade de vida.

 

Com o passar dos anos, o sexo feminino passou a assumir tarefas que antes eram masculinas, responsabilidades e cargos de chefia, dupla jornada de trabalho e destaque na política. Essas atividades foram agregadas aos cuidados aos filhos, afazeres domésticos e estudos. A mulher passou a exercer múltiplas tarefas.

 

A mudança reflete no emocional feminino. O estresse, ansiedade e depressão passaram a ser mais comum nas mulheres. Portanto, a prevenção e tratamento são a chave para superação e busca do equilíbrio interior.

 

Um dos locais que está de portas abertas em Lajeado das 8h até as 18h de segunda a sexta-feira, para receber as pacientes que buscam auxílio é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Conviver em Liberdade. As consultas e demais formas de atendimento são gratuitas, assim como alguns medicamentos para o tratamento via Sistema Único de Saúde (SUS). O principal objetivo da equipe, que conta com médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros, é ouvir, no primeiro momento, aqueles que buscam a ajuda.

 

"Depois de conversarmos, é que encaminhamos a pessoa para a consulta com o psiquiatra e outros atendimentos, caso sejam necessários. Em muitas situações, essa acolhida já auxilia, deixando-a tranquila para seguir em frente. Muitas vezes elas querem alguém que as ouça e dê conselhos", destaca a psicóloga que atua há quatro anos no Caps, Gabriela Arboit.

 

Além da consulta psiquiátrica e de medicamentos, caso sejam necessários, também há oficinas disponíveis no tratamento. Há aquelas voltadas para homens e mulheres e as que costumam ter um número maior de pessoas do sexo feminino como artesanato, grupo terapêutico e espaço de convivência. Além do envolvimento do paciente, a família também precisa estar engajada. "A participação dos familiares no período de tratamento é muito importante, porque, às vezes, eles podem ter dificuldades de lidar com isso. A família também precisa ser acolhida."

 

De acordo com Gabriela, as mulheres têm mais iniciativa em comparação com o homens para buscar o auxílio dos serviços da Saúde Mental. "Elas buscam por conta própria, buscam mais informações e também participam mais. Talvez por serem mais sensíveis." Gabriela destaca que, em qualquer sintoma de depressão ou ansiedade, é preciso buscar os serviços, para que a recuperação seja mais rápida. "É preciso deixar o preconceito de lado e ir em busca de ajuda. Estamos aqui para potencializar as coisas boas do paciente e promover saúde. O atendimento é primordial para mudar a vida das pessoas."

 

O médico psiquiatra Ricardo de Campos Nogueira destaca que, desde o início da adolescência, já começam transformações que podem levar aos problemas psíquicos. "Quando a menina entra na puberdade, vem a primeira menstruação com o início das transformações. De menina, ela passa a ser uma mulher e com isso vêm as dúvidas, questionamentos", explica o médico.

 

Além disso, o estímulo à sexualidade precoce e gravidez indesejada desde muito jovens são fatores que podem desencadear a ansiedade que gera depressão. A Tensão Pré-menstrual (TPM) é outra questão que incomoda o público feminino e altera o emocional. "É um fator hormonal que atinge grande parte das mulheres. O humor oscila em pouco tempo levando a paciente a ter euforia e tristeza." A depressão pós-parto, cita o médico, também é um dos fatores comuns que altera o emocional da mulher. "No entanto, a mulher pode sofrer isso, já antes do nascimento do bebê. Essa depressão pode levar ao homicídio do filho e suicídio da mãe."

 

A questão das mulheres assumirem as lideranças e posições importantes com inúmeras tarefas, além da depressão e estresse, pode trazer outros problemas de saúde que merecem atenção como infarto do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). "Antes, essas complicações, somente aconteciam com os homens. Hoje, inverteram-se os papeis. Os homens também buscam mulheres com profissão definida, estudos e compromissos." Um mundo cada vez mais competitivo também gera preocupações tanto nelas, quanto neles.

 

"Atualmente, no mundo, perderam-se os valores. Vemos todos os dias, em redes sociais, que o mais importante é ter do que ser. Quem tem dinheiro, torna-se encantador. E quem não tem, acaba sendo atingido por sentimentos de tristeza e fracasso." A crise econômica do país também, contribui para as crises de depressão. Segundo ele, a instabilidade do mercado traz medo e insegurança. "A pessoa trabalha, mas não sabe se vai receber, em alguns casos. Há o desemprego. Não há mais certezas no mercado. Nunca antes, na história do Brasil, tivemos tantos homens e mulheres depressivos. O Brasil está triste. No passado, o país era sinônimo de alegria e oportunidades."

 

Comparando o sexo feminino com o masculino, Nogueira frisa que a depressão é mais comum nas mulheres. Conforme ele, a mulher é mais sensível, emocional e não tem a agressividade. "O homem reage contra a depressão e fica agressivo quando está triste. Não se entrega." Para cada homem com depressão no mundo há duas mulheres, segundo estatísticas da ONU (Organização das Nações Unidas). Estima-se que os transtornos ansiosos atingem 30% das mulheres e 19% dos homens. Alguns distúrbios, como síndrome do pânico, fobias e estresse pós-traumático são de duas a três vezes mais frequentes nelas do que neles.

 

Para evitar a depressão, ansiedade e estresse, o psiquiatra traz dicas para as mulheres: fazer atividades físicas, caminhadas, leituras, alimentação balanceada e o essencial, a busca por auxílio nas redes de saúde. "Os profissionais estão prontos para atender e querem o melhor aos que buscam ajuda." A depressão é o mal do século, explica o psiquiatra. Cerca de 90% da população do mundo será atingida pela ansiedade em algum momento da vida. Portanto, a busca por auxílio é o melhor remédio. "Não podemos deixar ficar tarde demais. Porque, a partir da ansiedade vem a depressão e, consequentemente, os casos de suicídio. É preciso ficar alerta e prevenir."

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