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Vôlei no Vale carece de investimentos para decolar

A busca da profissionalização, o sonho de ingressar no seleto grupo dos melhores atletas...


A busca da profissionalização, o sonho de ingressar no seleto grupo dos melhores atletas da modalidade no país. Segundo esporte entre os brasileiros, o vôlei gera frutos e campeões a cada ano, a cada novo campeonato no Vale do Taquari. Porém, na região, a realidade acarreta mais suor do que glórias. Ainda sem contar com um vôlei de alto nível, em comparação a grandes polos do esporte, como Minas Gerais e São Paulo, o Rio Grande do Sul engatinha no que diz respeito à qualidade e ao desempenho de suas equipes perante outros estados.
Para o professor e técnico da modalidade no Colégio Evangélico Alberto Torres de Lajeado, Luís Felipe Worm, as deficiências que levam o Estado a não conseguir evoluir na categoria adulto restringem-se aos baixos investimentos e à pouca visibilidade que o Rio Grande do Sul possui na Confederação Brasileira de Vôlei. "O Rio Grande do Sul ainda peca muito no que diz respeito à sua autopromoção da modalidade. Apesar de ser um grande formador de atletas, os clubes não conseguem dar continuidade, e muitos jogadores acabam se perdendo no tempo ou indo tentar a sorte em outros estados do país", comenta o professor.
Para o presidente da Avates, Rodrigo Rother, o esporte na região, apesar de mostrar um potencial enorme em suas categorias de base e de contar com o tetracampeonato gaúcho adulto da Univates/Avates, ainda carece de um maior investimento para a profissionalização da modalidade em âmbito nacional. "A cada ano, surgem diversas jogadoras de grande potencial técnico. Não é à toa que a base das seleções gaúcha infanto (até 16 anos) e juvenil (até 18 anos) é composta por meninas que jogam em times do Vale do Taquari. Além disso, contamos hoje com o que há de melhor da modalidade na categoria adulto no Estado, com um time que alcançou o tetracampeonato de forma invicta em 2011", ressalta.

Profissional
Apesar das conquistas e dos projetos que visam à formação de novas jogadoras, Rother é realista quanto ao futuro da equipe adulta. Buscando novos investimentos para a manutenção e contratação de atletas que tornem o time ainda mais competitivo, a Univates/Avates é um grupo em ebulição. Com conquistas que extrapolam o Estado, o representante do Vale do Taquari à aspirante da Super Liga B ainda engatinha quanto a investimentos e patrocínios. "É uma luta constante. Apesar do potencial técnico da equipe, ainda carecemos de uma maior arrecadação e de um maior incentivo para voos mais altos", exclamou Rother.

Promessas estrelenses
Aos 17 anos, Paula Camila Mohr já se pode considerar uma veterana da modalidade. Nome frequente nas seleções de base, a oposta é um dos principais destaques da nova geração produzida no Colégio Martin Luther, de Estrela. Integrante da Seleção Brasileira Infantojuvenil, que disputou no ano passado o mundial da categoria na Turquia, a estrelense agora busca novas oportunidades com a amarelinha. "Acho que estar entra as selecionadas e disputar um mundial já pode ser considerado um indício para novas convocações. Sei das dificuldades para ingressar na seleção principal, mas com dedicação e aperfeiçoamento das técnicas, novas convocações podem surgir", comenta a jogadora.
Campeã sul-americana pela seleção brasileira em 2011 na categoria infantil, em sua primeira convocação, Sabrine Wagner já é uma realidade do vôlei da região. Com apenas 15 anos, a ponteira de 1,85 metro quer aproveitar o bom momento para continuar sendo lembrada pelo alto escalão da modalidade. "É uma grande experiência conviver com meninas de outras culturas, outras realidades. Agora é pensar no futuro e projetar novos desafios com a seleção", ressalta a jogadora. Em 2012, Sabrine mais uma vez deve ter seu nome confirmado para um Sul-Americano, desta vez na categoria infantojuvenil (até 16 anos). "É uma expectativa enorme. Sei das dificuldades que terei se quiser me manter entre as melhores, mas sei também que um grande passo já foi dado para me manter no esporte."
Mantendo o sonho de seguir carreira no esporte, a ponta admite a falta de estrutura do vôlei no Estado. "Gostaria muito de seguir aqui e um dia poder disputar uma superliga pela Univates/Avates. Mas sei das dificuldades que a modalidade enfrenta", lamenta.

A estrela do Ceat
Rosto de menina, talento de sobra. Com apenas 15 anos, Débora Franz já trilha a rota dos atletas de sucesso. Convocada recentemente para participar de uma seletiva da Seleção Brasileira Infantil, a atleta do Fruki/Ceat/Lajeado já vislumbra seguir o caminho de Jaqueline, ponta do Osasco, equipe da elite do vôlei feminino. "Está tudo acontecendo muito rápido. Só de ser lembrada e de receber esse reconhecimento já percebo que, com o trabalho que está sendo feito no Ceat, posso ainda ir mais longe", comenta. Mas ela admite que a continuidade na carreira, hoje, não passaria pelas quadras gaúchas. "Infelizmente, o Estado ainda não possui um potencial profissional de elite. Apesar de as categorias de base serem fantásticas, o mesmo não se pode dizer das equipes de ponta."  


Um ícone para as futuras gerações
Aos 26 anos, Lucas Saatkamp, ou simplesmente "Lucão", é o exemplo de sucesso "produzido" nas quadras do Vale do Taquari. Jogador do "galáctico" time do Rio de Janeiro, do milionário Eike Batista, e titular da seleção brasileira comandada por Bernardinho, Lucão serve de inspiração para a atual geração de jogadores da região.
"Tudo aconteceu muito cedo pra mim, desde os anos de Martin Luther (2001-2003). A projeção para fora do Estado veio muito rápido", afirma o meio de rede.
Apesar do sucesso, o atleta ainda valoriza a formação e acredita em voos mais altos da modalidade no Estado. "O que falta são investidores. O vôlei no Rio Grande do Sul possui jogadores muito qualificados, no entanto, muitos desses talentos se perdem pela falta de incentivo e em razão de os clubes não poderem acompanhar financeiramente o crescimento desses atletas", afirma. Para Lucão, o que falta no RS para que o vôlei decole como esporte de ponta são os investimentos por parte de empresas e do Poder Público. "Aqui, no centro do país, a modalidade é vista como retorno de investimento quase que certeiro. Ginásios lotados, grande jogos, times de ponta. Tudo acontece em razão do apelo da mídia e das empresas que 'abraçam' o esporte por aqui", comenta.

Diogo Botti

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Twitter: @rvcesporte

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