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Trabalhadores pressionam governo a discutir a reforma
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20 de março de 2017

Trabalhadores pressionam governo a discutir a reforma

Dificuldade em acessar o benefício da aposentadoria está entre as medidas que o trabalhador não engole

Vale do Taquari - Está muito distante o tem em que o bem-estar financeiro futuro era garantido com uma prática muito comum, especialmente em cidades do interior. Era considerado previdente, quem guardava dinheiro dentro do colchão. No entanto, o passar dos anos, somado às dificuldades financeiras causadas pelas sucessivas crises econômicas tornou a prática de guardar dinheiro durante muito tempo inviável.

 

Além dos problemas causados com a troca de moeda, desvalorização do dinheiro, guardar valores sem a rentabilidade dos juros ficou soterrado no passado.

 

Hoje, existe um regime bem parecido com o ato de nossos antepassados, que guardavam dinheiro sem rentabilidade nenhuma. Os recursos que financiam a Previdência Social não são corrigidos por juros e, por conta disso, não representam um ganho futuro ao contribuinte.

 

Sem reajuste e sem acumulação. A contribuição paga por você no último mês, serve de caixa para repassar aos aposentados o valor do benefício, no mês seguinte.

 

Associado à falta de rentabilidade e de uma poupança coletiva para pagar as aposentadorias, a Previdência padece com o aumento no número de aposentados, que vivem mais do que gerações anteriores, e igualmente têm direito a se aposentar.

 

A reforma

 

Para tentar estacar a sangria da Previdência, o governo federal propõe a reforma, que com regras muito mais rígidas amplia o tempo de contribuição, limita o acesso aos benefícios e joga para muito mais longe a aposentadoria. A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que regulamenta a Reforma da Previdência, deverá tornar-se uma batalha entre o governo e os trabalhadores.

 

Discussão

 

Mesmo sem admitir um eventual "atraso" no cronograma oficial proposto pelo governo federal para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, a "Reforma da Previdência", o Palácio da Alvorada dá sinais de uma provável prorrogação.

 

As votações marcadas para começarem ainda em março no Congresso foram empurradas para abril, sinalizando um desgaste político, depois da enxurrada de emendas encaminhadas ao texto original. Já são mais de 60 alterações enviadas para a Câmara dos Deputados, que deverá receber outras tantas nos próximos dias.

 

Os trabalhadores tomaram as ruas, em protestos de menor proporção, e pressionam os políticos de suas cidades para barrar o avanço das medidas. Antônio Güntzel é secretário de relações de trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio Grande do Sul.

 

Para O Informativo do Vale, ele disse que a mobilização dos trabalhadores, por meio dos sindicatos filiados a CUT, ocorre de maneira orquestrada, na intenção de atingir os políticos na base da organização dos partidos. "São os vereadores que ouvem as críticas e pedidos dos eleitores no dia a dia. São eles que terão que dar explicações, caso um projeto como esse seja aprovado dentro de sua sigla."

 

Só 1%

 

Com propostas que alteram toda a estrutura da previdência, sobretudo, o tempo de serviço ampliado tornou-se a mais amarga das medidas. O secretário da CUT conta que no sistema vigente, apenas 1% dos trabalhadores têm mais de 60 anos de idade. "Considerando as novas regras, quase ninguém irá se aposentar e o percentual de idosos na ativa irá aumentar gradativamente."

 

O aumento no tempo de contribuição poderá gerar o que a CUT chama de "empobrecimento da população". Com excedente de idosos tendo que trabalhar, o mercado de trabalho terá dificuldade de absorver e qualificar esta mão de obra. "Um idoso não tem a agilidade de um jovem de 20 anos. O mercado capitalista não vê isso, vê o lucro e acha formas de chegar nele" alerta Güntzel.

 

Equilíbrio

 

O economista Iloni José Salvi, que é professor da Univates, acredita que uma reforma em todo o sistema é necessária. Com ajuda dele, a gente explica (veja próxima página) como funciona a previdência. "Quero deixar claro que considero a proposta de passar da idade mínima atual de cerca de 53 anos, para uma idade de 65 anos exagerada. O que defendo é uma adequação atual, baseada em bons cálculos estatísticos, e uma regra de progressão da idade mínima, calculada periodicamente com base na evolução da expectativa de vida", defende.

 

Uma reforma que não agrada

 

Se de um lado os trabalhadores não concordam com a mudança das regras do jogo da aposentadoria, os empresários também discordam, em parte, com as medidas.

 

Ito Lanius preside a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT). Para ele, é preciso repensar um modelo. Especialmente que acabe com a desigualdade entre trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos.

 

Segundo Lanius, enquanto os empregados do governo conseguem maiores salários, muito acima, inclusive, do teto das aposentadorias comuns, a grande maioria dos trabalhadores se aposenta com o mínimo. "Assim como esta, existem várias distorções."

 

Porém, o tempo de serviço esticado para aumentar a contribuição do trabalhador também não resolve. "Estes valores para o tempo de contribuição e para a idade mínima foram jogados muito para cima. Creio eu que seja para ter margem de negociação." Para o empresário, é preciso ampliar o debate e fortalecer a negociação.

 

Para todos

 

Lanius diz que os devedores da Previdência precisam ser cobrados. "O empresário de pequeno e médio porte é sempre pressionado a pagar em dia suas contribuições sociais. Mas o que se vê no Brasil é que os maiores devedores seguem inadimplentes com a previdência."



Crédito da notícia: Rodrigo Nascimento
Última atualização: 20 de março de 2017 às 08h20min
Crédito das fotos: Lidiane Mallmann
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