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Produtores temem novo colapso pela importação de leite
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21 de abril de 2017

Produtores temem novo colapso pela importação de leite

O volume de leite em pó que ingressa no Estado foi maior no primeiro trimestre de 2017

Crédito da foto: Lidiane Mallmann/arquivo

 

Vale do Taquari - Temendo a redução drástica no preço do litro de leite pago ao produtor, com a proximidade da safra 2017, produtores querem pressionar novamente o governo para barrar a importação do produto em pó, que entra no Rio Grande do Sul.

De acordo com um levantamento feito pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) do Vale do Taquari, em volume, a quantidade de leite em pó importado que ingressa no Estado vindo da Argentina e do Uruguai já é maior do que no mesmo trimestre de 2016. "No ano passado tivemos um problema sério durante a safra, pois o mercado estava saturado de leite, justamente por conta das importações", frisa Luciano Carminatti, presidente da regional do STR.


Ocorre que nos meses mais frios - durante o inverno gaúcho - a produção de leite aumenta, por causa da oferta de pastagens e volumosas para os rebanhos. Entre julho e agosto, a produção atinge o pico e, se há muita oferta de leite no mercado, o preço despenca.


Carminatti acredita que será preciso mais uma vez pressionar o governo para evitar um colapso na produção de leite.


Um novo IGL

Um dos órgãos que deve agir em favor de políticas públicas em prol dos produtores de leite é o Instituto Gaúcho do Leite (IGL), que será reformulado e poderá estar mais próximo da propriedade rural. Isso porque na segunda-feira (24) será realizada uma assembleia, em Porto Alegre, para a reformulação dos IGL. "A ideia é fazer com que os produtores ampliem sua participação no conselho consultivo do instituto. Uma das formas é trazer a administração para o lado da produção", detalha Carminatti.


Segundo ele, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) poderá assumir o comando do IGL. "Iremos decidir isso na assembleia da próxima semana", ressalta.



Relembre o caso

- Em 20 de outubro de 2016, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou uma portaria que passou a proibir a importação de leite em pó para a transformação em leite longa-vida no Brasil. Além disso, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha recomendou ao governo federal, a compra da produção excedente de leite para a distribuição por meio dos programas sociais da União. A medida ajudou a estancar a oferta de leite no mercado nacional.

- Em novembro de 2016, um levantamento feito pelo setor produtivo apontava que, por mês, cerca de 40 mil toneladas de leite em pó são hidratadas nas cidades de Ivoti, Carazinho, Fazenda Vilanova e Teutônia. Na época, o assunto foi pauta de uma audiência na Assembleia Legislativa, pedindo o fim da hidratação do leite em pó importado, assim como a restrição ao recebimento do produto.

-Em dezembro do ano passado, a região também encaminhou um pedido para a criação do preço fixo para o leite, semelhante a um dispositivo criado na década de 1990, no período da hiperinflação. A proposta também foi encaminhada à Câmara Legislativa do RS.


Saiba mais
No auge da crise do leite em 2016, o preço do produto despencou. O litro do leite chegou a ser comercializado na faixa dos R$ 0,85 a R$ 1,07, quando o mínimo necessário para cobrir os custos de produção gira em torno dos R$ 1,35. Em março de 2017, o preço médio pago ao produtor gaúcho ficou na casa dos R$ 1,34.



Crédito da notícia: Rodrigo Nascimento
Última atualização: 21 de abril de 2017 às 08h00min
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