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#umnovomitotododia

Créditos: Tiago Segabinazzi

Assistimos nesta semana à tentativa de (re)construção da imagem de um dos candidatos a grande ídolo do Brasil. Foi em horário nobre. Todos comentaram nos sites de rede social e o assunto continuou repercutindo nos dias seguintes.

A ideia de seu estafe era formar a imagem de alguém que erra, que cai, mas que quando se levanta, quando está disposto a acertar, todo o país ganha com isso. Porque há uma espontaneidade de menino dentro dele: que, como tal, fala coisas que não deve, se comporta mal volta e meia - mas é essa sua ousadia que fascina e que seria a esperança de uma nação. E é preciso mostrar isso a todos.

Mas o tiro ricocheteou. Ou o alvo se mexeu. A clara não se reencontrou com o ovo dentro do bolo. De toda forma, não deu certo.

Para empunhar um discurso num momento de tanta audiência é preciso se garantir: porque a plateia é maior e mais rigorosa do que nosso ego. Mais rigorosa sim, maior do que o ego não tenho certeza. O caso é que as falhas ficam mais aparentes com tanta exposição, como disse Eric Raymond: "Com olhos suficientes, todos os erros são óbvios". A imprensa reagiu mal; no Brasil e fora. E na internet também.

A tentativa de criar determinada imagem, geralmente idealizada, evidencia uma distância da realidade - seja ela qual for. Duas coisas despontam desta tentativa: a evidente artificialidade a partir da ideia de que o que é sincero não precisa ser tão trabalhado; e a falha na representação, pois um país inteiro e suas diferenças não podem ser reduzidos a um ídolo, nem caber numa única imagem.

O que ficou foi o contrário: a sensação de despreparo em lidar com as questões que chama para si ao pleitear o posto de líder do Brasil e de irresponsabilidade ao delegar para uma equipe assuntos que não faz questão de assumir. Por isso é que preparam seu discurso e por isso que ele cai tão facilmente.


Tiago Segabinazzi

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