Colunistas

Vi tudo no Facebook

Vi toda essa treta no Facebook: meia dúzia de um lado e mais uns quantos do outro.


Quando cheguei pra acompanhar, já estava acontecendo: uma discussão, dessas que nos acostumamos a ver no Facebook. Havia começado há um bom tempo. Era mais um confronto discursivo que sugere um simples binarismo: ou você está de um lado ou está de outro.

Prestei atenção nos argumentos que tentavam convencer de uma coisa. Durante um tempo, concordei. Depois de ouvir a réplica, fechei com o outro lado. Mas não esqueci o primeiro ponto de vista, que ainda parecia pertinente. Os discursos não eram fracos - eram realmente consistentes, só que ninguém parecia querer ouvir o outro. Mais do que uma discussão, era uma disputa: os dois lados buscavam vencer. As teses estavam prontas e ninguém abriria mão de seus argumentos - palavras que, como pedras, poderiam ser usadas para construir algo, mas foram só munição para confronto. O que vi no Facebook foi ataque e defesa. Apoio só a opiniões de quem defendia a mesma coisa.

Não se sabe exatamente quando esse fenômeno começou, mas tem sido assim há algum tempo: o encontro de pensamentos discordantes ao invés de promover a reflexão e uma possível, hipotética, idealista - improvável? - reconstrução de pontos de vista só serviu para firmar ainda mais uma posição que já havia sido tomada.

O que aconteceu com o debate, com a abertura para o diferente, com a cabeça aberta, com a autocrítica e com a própria desconstrução: sumiu ou nunca existiu para além de uma idealização de racionalidade? Podem as palavras serem levadas a sério mesmo não tendo apoio da maioria da sociedade, estando contra a moral vigente e causando alguma desordem?

Vi toda essa treta no Facebook: meia dúzia de um lado e mais uns quantos do outro. Não eram comentários em torno de um meme, mas uma transmissão ao vivo, uma live: da sessão de quarta-feira do Supremo Tribunal Federal sobre o tal pedido de habeas corpus...

Obs: Não pretendia usar esta coluna para escrever duas vezes seguidas sobre o STF, afinal, não sou da área jurídica. Mas até general, que deveria ser muito mais responsável, se mete nesses assuntos.

Comentários

VEJA TAMBÉM...