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De Bangladesh para o Brasil: conheça a história de Sumaiya

Estudantes de Emei Gente Miúda aprenderam mais sobre o país asiático

Créditos: Naiâne Jagnow
Mãe e filha estão aprendendo a Língua Portuguesa - Naiâne Jagnow

Lajeado - Há cerca de quatro meses, a pequena Sumaiya Akter Boishkhi (6) e sua família vieram de Bangladesh para o Brasil em busca de uma perspectiva de vida melhor. O país de origem da menina é asiático, quase todo rodeado pela Índia, e é conhecido pela sua densidade demográfica: o território do país é um pouco maior do que o estado do Amapá, mas o número de habitantes é, aproximadamente, 220 vezes maior.

No final de agosto, Sumaiya ingressou na turma E, composta por estudantes de 4 até 6 anos, da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Gente Miúda. Desde então, a direção e a equipe pedagógica realizam uma série de atividades para integrar a nova estudante na comunidade. A professora da turma, Lanusa Hennemann (30), decidiu trabalhar com as diferenças. "Inicialmente, eu ensinei para os alunos que cada pessoa era diferente, assim como cada família, e que precisamos, acima de tudo, manter o respeito", conta.

Apesar de ainda não saber a Língua Portuguesa, Sumaiya se comunica com os colegas e a professora por meio de gestos. Para os pequenos entenderem melhor o que a colega estrangeira passa, Lanusa decidiu aproveitar a Independência do Brasil para ensinar disciplinas como geografia e educar valores como a empatia. "Na semana da pátria, nós fizemos a nossa bandeira, fizemos a bandeira dela, escutamos o hino dela e o nosso também. Para ela, isso foi importante, no momento que ouviu o hino parecia que ela tinha voltado para casa e ficou muito feliz", relata a professora. Posteriormente, a professora levou desenhos animados na Língua Bengali e vídeos educacionais sobre Bangladesh.

O resultado desse trabalho foi o interesse das crianças em aprenderem mais sobre a Sumaiya e o seu país de origem, por isso Lanusa levou um globo para mostrar os países."Depois, os próprios alunos pediram para eu trazer um mapa em vez do globo, para eles poderem olhar melhor onde ficam os países", diz.
Os colegas têm auxiliado a menina de Bangladesh a aprender a Língua Portuguesa e a cada palavra nova proferida correm para falar com a professora. "Ela já disse oi, obrigada, de nada e desculpa", conta a estudante Vitória Medeiros da Silva (5). A pequena, desde o início, apoiou Sumaiya, mostrou a escola e brincou com ela."A gente brinca com as bonequinhas, no pátio tem os carrinhos, também de pega-pega", revela.

Troca de experiências
De acordo com a diretora da Emei, Janice Dihl (39), a troca de experiências é muito importante. "Está sendo uma experiência bem legal, a gente a recebeu de braços abertos. Os pais logo sentiram isso, nós vemos que eles estão felizes quando entram na escola, porque todos os colegas a receberam bem, a professora fez um projeto muito bacana. Ela quis mostrar para os colegas como a Sumaiya se sente só ouvindo a nossa língua, assistindo a vídeos da nossa língua", enfatiza.

Conforme a diretora, o objetivo de mostrar a bandeira, o hino e os desenhos animados na Língua Bengali, era ajudar a menina de Bangladesh. "A professora queria que os alunos conhecessem e entendessem como a Sumaiya se sente aqui dentro", explica.

Processo de adaptação
Segundo a diretora, a principal dificuldade para a Sumaiya e sua família é a comunicação, pois não falam a Língua Portuguesa. "A Sumaiya logo começou a se soltar, está mais desinibida, os colegas estão ajudando bastante nesta questão da fala. Com os pais, a gente se comunica por mímica", relata.

O pai de Sumaiya, Mahal Uddin Miah, já está empregado. A mãe, Fatima Begum, está em busca de trabalho. "Ela se mostra muito angustiada, porque não está conseguindo trabalho, chega a se emocionar. Nós estamos ajudando, já entregamos currículo em algumas empresas, mas por enquanto não conseguimos nada", diz a diretora. Interessados em oferecer emprego para Fatima, podem entrar em contato com a direção da Emei Gente Miúda por meio do telefone 3982-1271.

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