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Governo militarizado


O atual governo é o mais militarizado de todos os tempos no Brasil. Há militar por todo canto e por todas as pastas ministeriais. Estão nos postos do mais alto escalão até funções burocráticas de rotina administrativa.

Forças Armadas

Nem no período dos governos militares houve tamanho grau de recrutamento de pessoal das Forças Armadas. A prestação de serviços se dá em áreas distintas, como administração pública direta, autarquias e estatais.

Comando das estatais

Desde que assumiu o poder, o presidente Bolsonaro multiplicou por dez o total de militares lotados em cargos de comando das estatais. Eram nove no governo de Michel Temer. Hoje, bate na casa de uma centena.

Funções civis

Levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em julho do ano passado, mostra que há 6.157 militares exercendo funções civis na administração pública. De lá para cá deve ter aumentado ainda mais.

Tendência atípica

A militarização massiva em uma democracia indica uma tendência atípica e pouco eficaz. A grande lacuna desse tipo de lotação é a falta de expertise em funções específicas. Ninguém nasce sabendo, e aprender leva tempo.

Tamanho do prejuízo

O militar não tem culpa pela falta de traquejo para o cargo, mas sim quem o indica. O ex-ministro Pazuelllo é um exemplo acabado do tamanho do prejuízo ao país quando o titular demonstra total desconhecimento da pasta.

Excelência administrativa

O presidente Bolsonaro não se pauta pela competência e aptidão para o cargo. Quer mesmo é agraciar o maior número possível de militares. Não pensa na excelência administrativa, mas no desejo de apoio incondicional.

Aventura ditatorial

Acha que pela distribuição de cargos é possível angariar apoio da caserna para uma desejada aventura ditatorial. Em pronunciamentos, lives ou nas conversas com apoiadores usa a expressão "meu Exército".

Comandante constitucional

O presidente é o comandante constitucional das Forças Armadas e sobre elas exerce o poder da indicação dos chefes das três armas. Mas, Exército, Marinha e Aeronáutica são instituições de Estado e não de governo.

Ministros militares

A crise que culminou com a saída dos ministros militares começou quando o presidente Bolsonaro exigiu uma nota do Exército contra a decisão do ministro Fachin anulando os processos julgados por Moro contra Lula.

Projeto político

O ex-ministro, general Pujol não aceitou a missão para não deixar a política entrar nos quartéis. Mas também para evitar a instrumentalização das Forças Armadas em benefício de o projeto político do presidente.


Deraldo Goulart

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