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"Eu nunca vi meu pai assim", diz filha de paciente internado em estado grave no HBB

Homem de 57 anos contraiu coronavírus durante cruzeiro feito pela costa brasileira


Jennifer queixou-se do atendimento em Lajeado. Porém, administração afirma seguir protocolos do Ministério da Saúde - Reprodução

LAJEADO | Jennifer Backes (25) é filha do homem de 57 anos vítima do primeiro caso de coronavírus registrado no Vale do Taquari. A jovem queixa-se da demora das autoridades de Lajeado para atender o pai.

Segundo ela, o pai, que ainda não pode ter o nome divulgado, voltou de uma viagem feita num cruzeiro pela costa brasileira na madrugada de domingo (14). No mesmo dia, já apresentando os primeiros sintomas de Covid-19, o pai e a mãe de 54 anos de Jeniffer buscaram por socorro no Hospital Bruno Born.

"Eles mandaram meu pai e minha mãe voltarem para casa e que permanecessem isolados. Como se meus pais não tivessem ainda sintomas suficientes para serem internados no hospital", relata a jovem.

No dia seguinte, na segunda-feira (21), os pais de Jennifer permaneceram sentido os sintomas. Novamente, a família voltou a ligar para a vigilância epidemiológica e a resposta das autoridades foi a mesma do dia anterior.

"Falei que meu pai, principalmente, estava com muita febre e dores pelo corpo. E pelo telefone, eles só me faziam perguntas sobre o cruzeiro. Queriam saber se havia algum caso suspeito dentro do navio", relembra.

A jovem relata pelo telefone a Central de Atendimento do Hospital Bruno Born que uma mulher teve de ficar reclusa no navio durante o cruzeiro por apresentar sintomas da doença.

Ao longo da semana, a família relata ter ligado diversas vezes para os números da Central de Atendimento e da Vigilância Epidemiológica, porém, a resposta era a mesma.

"Eu nunca vi meu pai assim. Ele emagreceu 5 quilos numa semana. Estava com falta de ar e muito febre. Ele só deitava de um lado para o outro", lamenta a jovem.

Na sexta-feira (20), a jovem ligou novamente para o Hospital Bruno Born e relatou a gravidade do quadro de saúde do seu pai.

"Então, finalmente, eles vieram até nossa casa. Fizeram exames no meu pai. Não chegaram a fazer na minha mãe, porque falaram que se meu pai está com coronavírus, minha mãe também está. Se tivessem atendido meu pai logo, talvez agora ele estivesse bem. Porém, está em coma induzido e estamos muito preocupados", desabafa.

 

Isolamento

A administração de Lajeado enfatiza que ainda não há tratamento para a doença e que segue todos os protocolos de orientação do Ministério da Saúde e do governo do Rio Grande do Sul. Como o paciente de 57 anos não tinha feito uma viagem para o exterior, conforme consta nos decretos federais, a orientação passada para todas as pessoas é que se mantenham em isolamento de 7 dias para quando não tiverem sintomas e de 14 dias para quando tiverem suspeitas.
Todos os procedimentos feitos em Lajeado foram feitos conforme determinação do governo federal. 

Três pessoas que estiveram no cruzeiro estão internadas no Hospital Bruno Born. Outros 18 passageiros da região que estavam no navio permanecem sendo monitorados.

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